A carbamazepina é um medicamento usado para controlar crises epiléticas (convulsões) e para aliviar a dor da neuralgia do trigémeo. Pode causar sonolência e tonturas no início, e exige análises regulares (sangue, fígado, sódio).
Também conhecido como: Tegretol
A Carbamazepina (indutor do CYP3A4) reduz os níveis de Arteméter e Lumefantrina — risco de falência do tratamento da malária.
A carbamazepina é um indutor potente do CYP3A4, a via que metaboliza o arteméter e o lumefantrina; a coadministração pode reduzir substancialmente as concentrações do antimalárico e comprometer a cura da malária. Em doentes epiléticos com malária, preferir um antimalárico menos dependente do CYP3A4 (ex.: atovaquona+proguanil) e, se a associação for inevitável, considerar vigilância apertada da resposta clínica e parasitológica.
Carbamazepina + arteméter+lumefantrina: a carbamazepina induz o CYP3A4 e reduz os níveis do antimalárico, com risco de falência terapêutica. Evitar a associação.
Indução enzimática do CYP3A4: metabolismo acelerado dos dois componentes, com menor exposição sistémica.
Resposta clínica e parasitológica à terapêutica (febre, parasitemia).
Febre persistente ou recorrente, ausência de melhoria após 48–72 h.
Considerar esquema antimalárico alternativo ou ajuste de dose e confirmar a cura parasitológica.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Arteméter + Lumefantrina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=7866ec19-dfac-47d4-a53f-511a12643cbf ; rótulo aprovado Carbamazepina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f3d91cd-a959-4e07-a51b-8a4e9ba9ece2
A associação de Clozapina com Carbamazepina aumenta o risco de agranulocitose, para além de reduzir as concentrações de Clozapina.
A carbamazepina induz o CYP1A2 e o CYP3A4 e pode reduzir as concentrações de clozapina para metade, comprometendo o efeito antipsicótico; por outro lado, a clozapina e a carbamazepina associam-se ambas a discrasias sanguíneas (agranulocitose/neutropenia), e a coadministração é tradicionalmente evitada pelo risco hematológico aditivo. Recomenda-se escolher alternativa antiepilética (ex.: valproato, lamotrigina) em doentes com clozapina; se inevitável, vigiar hemograma e níveis de clozapina.
Carbamazepina + clozapina: a carbamazepina reduz os níveis de clozapina (indução do CYP1A2/3A4) e ambas têm risco hematológico aditivo. Evitar a associação.
Ambos podem induzir discrasias sanguíneas; além disso, a Carbamazepina induz o metabolismo da Clozapina, reduzindo os seus níveis.
Hemograma regular (leucócitos e neutrófilos) durante o uso conjunto.
Febre, faringite ou infeção súbita com neutropenia exigem suspensão e avaliação imediata.
Evitar a associação sempre que possível; se inevitável, monitorizar rigorosamente o hemograma.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Clozapina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=61fe53d5-ed5c-4e45-9189-709d08d386cb ; rótulo aprovado Carbamazepina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f3d91cd-a959-4e07-a51b-8a4e9ba9ece2 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Corticosteroide + carbamazepina: indução do CYP3A4 reduz o efeito do corticosteroide.
A dexametasona é metabolizada pelo CYP3A4; a carbamazepina, indutora potente desta enzima, pode reduzir as suas concentrações e atenuar o efeito anti-inflamatório/imunossupressor. Em doentes em corticoterapia prolongada (ex.: doenças autoimunes, após transplante) com epilepsia tratada com carbamazepina, monitorizar a resposta clínica e considerar aumentar a dose de dexametasona ou preferir um corticosteroide menos dependente do CYP3A4.
Carbamazepina + dexametasona: a carbamazepina induz o CYP3A4 e reduz os níveis de dexametasona, podendo diminuir o efeito do corticosteroide. Considerar ajuste de dose.
A carbamazepina (inductor do CYP3A4) acelera o metabolismo da dexametasona.
Resposta clínica à terapêutica.
Falta de controlo dos sintomas inflamatórios/alérgicos.
Vigiar resposta clínica; pode ser necessário aumentar a dose do corticosteroide.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Dexametasona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=7cbd9005-7df2-47ee-adb3-7244c1c69bc3 ; rótulo aprovado Carbamazepina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=97e6e175-75e8-437b-b457-ddb1ae4e857d — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
O Fluconazol pode aumentar as concentrações de Carbamazepina (inibição do metabolismo), com risco de toxicidade.
O fluconazol é um inibidor moderado de CYP3A4. A carbamazepina é metabolizada principalmente por CYP3A4. A coadministração pode aumentar os níveis de carbamazepina 20-40%, com risco de toxicidade (náusea, diplopia, ataxia, nistagmo). Monitorizar níveis de carbamazepina (alvo: 4-12 μg/mL) e sinais de toxicidade semanalmente durante a coadministração.
Fluconazol inibe CYP3A4, aumentando níveis de carbamazepina 20-40%. Risco de toxicidade.
Inibição do CYP3A4 pelo fluconazol, reduzindo o metabolismo da carbamazepina.
Concentração de carbamazepina, sintomas (diplopia, nistagmo, ataxia).
Diplopia, nistagmo, ataxia, sonolência.
Monitorizar níveis de carbamazepina e sintomas de toxicidade; ajustar a dose conforme necessário.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Fluconazol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=7961c029-746c-48c3-888b-8f8344102873 ; rótulo aprovado Carbamazepina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f3d91cd-a959-4e07-a51b-8a4e9ba9ece2 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A associação de Haloperidol com Carbamazepina reduz acentuadamente as concentrações de Haloperidol, com risco de perda do efeito antipsicótico.
O haloperidol é metabolizado pelo CYP3A4; a carbamazepina, indutora potente, pode reduzir as suas concentrações em cerca de 50%, com perda do controlo psicótico. Por outro lado, alguns doentes apresentam maior sedação com a associação. Recomenda-se monitorizar a resposta clínica, ajustar a dose de haloperidol (frequentemente para cima) e considerar alternativa antiepilética sem indução enzimática (ex.: valproato) quando o quadro psiquiátrico o permitir.
Carbamazepina + haloperidol: a carbamazepina reduz os níveis de haloperidol (indução do CYP3A4), podendo diminuir o efeito antipsicótico. Ajustar dose e vigiar.
A Carbamazepina, indutora enzimática, acelera o metabolismo do Haloperidol, diminuindo os seus níveis séricos.
Monitorizar a resposta antipsicótica e os sinais de recaída.
Recaída psicótica durante a associação exige revisão do esquema.
Monitorizar a resposta clínica e considerar ajustar a dose de Haloperidol ou usar antipsicótico alternativo.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Haloperidol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=e2eed126-cb82-42b1-9b48-9cbeb6873b50 ; rótulo aprovado Carbamazepina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f3d91cd-a959-4e07-a51b-8a4e9ba9ece2 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A Isoniazida inibe o metabolismo da Carbamazepina e pode elevar os seus níveis — risco de toxicidade.
A isoniazida inibe as enzimas que metabolizam a carbamazepina (CYP2C19/CYP3A4) e pode aumentar as suas concentrações até níveis tóxicos (nistagmo, ataxia, sedação); em doentes tuberculosos, o efeito pode ser clinicamente relevante nas primeiras semanas. Além disso, ambos os fármacos são hepatotóxicos, com risco aditivo de lesão hepática. Recomenda-se vigiar os níveis de carbamazepina e reduzir a dose se necessário, monitorizar transaminases e estar atento a sintomas de intoxicação.
Isoniazida + carbamazepina: a isoniazida inibe o metabolismo da carbamazepina e eleva os seus níveis; ambas são hepatotóxicas. Vigiar níveis e função hepática.
Inibição do CYP2C19/3A4 e possível inibição da epóxido hidrolase.
Níveis de carbamazepina, sinais neurológicos.
Nistagmo, ataxia, sonolência, diplopia.
Monitorizar níveis de carbamazepina e sinais de toxicidade.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Isoniazida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=93252cc8-c8d4-401b-bde5-ca8a3b57651e ; rótulo aprovado Carbamazepina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f3d91cd-a959-4e07-a51b-8a4e9ba9ece2
A Carbamazepina reduz as concentrações de Itraconazol (indução) e aumenta o metabolismo do azol, com risco de falência antifúngica.
O itraconazol é um inibidor potente do CYP3A4, a principal via de metabolização da carbamazepina; a coadministração pode aumentar as concentrações de carbamazepina e causar intoxicação (nistagmo, ataxia, diplopia, sedação). Recomenda-se vigiar os níveis plasmáticos de carbamazepina e reduzir a dose se necessário durante o tratamento antifúngico; considerar alternativa antifúngica menos inibidora (ex.: fluconazol em doses baixas, com precaução) quando possível.
Itraconazol + carbamazepina: o itraconazol inibe o CYP3A4 e pode elevar os níveis de carbamazepina, com risco de toxicidade. Vigiar níveis.
A carbamazepina induz o CYP3A4, acelerando o metabolismo do itraconazol e reduzindo a sua exposição.
Resposta à micose; níveis de itraconazol (se disponíveis).
Agravamento da infeção fúngica.
Considerar antifúngico alternativo; se a associação for inevitável, monitorizar a resposta clínica e micológica.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Itraconazol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=a4d555fa-787c-40fb-bb7d-b0d4f7318fd0 ; rótulo aprovado Carbamazepina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f3d91cd-a959-4e07-a51b-8a4e9ba9ece2 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A Carbamazepina reduz os níveis de Mefloquina (indutor do CYP3A4) e ambos baixam o limiar convulsivo — risco de falência terapêutica e de convulsões.
A mefloquina é metabolizada pelo CYP3A4; a carbamazepina, indutora potente, pode reduzir as suas concentrações abaixo do limiar eficaz, comprometendo a profilaxia ou o tratamento da malária. Em doentes epiléticos, a mefloquina é também de evitar pelo risco de convulsões. Preferir outro antimalárico (ex.: atovaquona+proguanil, doxiciclina) em doentes sob carbamazepina.
Carbamazepina + mefloquina: a carbamazepina reduz os níveis de mefloquina (indução do CYP3A4), com risco de falência profilática/terapêutica. Evitar a associação.
Indução do CYP3A4 (que metaboliza a Mefloquina) + efeitos aditivos sobre o limiar convulsivo.
Resposta clínica e estado neurológico.
Convulsões, confusão, falta de resposta à profilaxia/tratamento.
Considerar alternativa antimalárica e vigilância neurológica.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Mefloquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=09716a24-d7da-42b2-af29-c03a1b6670bd ; rótulo aprovado Carbamazepina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f3d91cd-a959-4e07-a51b-8a4e9ba9ece2
A Carbamazepina (indutora do CYP450) reduz significativamente as concentrações de Voriconazol, com risco de falência antifúngica.
A interação é bidirecional e contraindicada na prática: o voriconazol inibe o CYP3A4 e pode elevar a carbamazepina até níveis tóxicos, enquanto a carbamazepina induz fortemente o CYP3A4 (e outras vias) e reduz as concentrações de voriconazol para níveis subterapêuticos, com risco de falência antifúngica. Deve evitar-se a associação; se inevitável, considerar outro antifúngico (ex.: anfotericina B, equinocandinas) ou outra terapêutica antiepilética, com monitorização apertada de níveis e resposta.
Voriconazol + carbamazepina: o voriconazol eleva os níveis de carbamazepina (inibição do CYP3A4) e a carbamazepina reduz drasticamente os níveis de voriconazol (indução). Evitar a associação.
Níveis de voriconazol, resposta micológica, provas de função hepática.
Persistência/agravamento da infeção fúngica.
Evitar a associação; se inevitável, monitorizar níveis de voriconazol e resposta clínica, ajustando a dose.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Voriconazol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=f6a1a792-141b-42e8-8bd1-884e4408eb8a ; rótulo aprovado Carbamazepina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f3d91cd-a959-4e07-a51b-8a4e9ba9ece2 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A Carbamazepina (indutor do CYP2C8/3A4) acelera o metabolismo da Amodiaquina — risco de níveis subterapêuticos e falência do tratamento.
A carbamazepina induz as monooxigenases (incluindo o CYP3A4) que participam no metabolismo do artesunato (e do seu metabolito ativo diidroartemisinina) e da amodiaquina; os níveis do antimalárico podem cair abaixo do limiar terapêutico e comprometer a resposta. Preferir alternativa antimalárica em doentes sob carbamazepina e, se a associação for inevitável, vigiar a resposta clínica e parasitológica.
Carbamazepina + artesunato+amodiaquina: indução do metabolismo do antimalárico pela carbamazepina, com risco de níveis subterapêuticos e falência. Evitar se possível.
Indução enzimática que reduz a exposição à Amodiaquina (componente do ACT).
Resposta clínica e parasitológica ao tratamento.
Febre persistente ou recorrente, ausência de melhoria após 48–72 h.
Considerar um ACT alternativo e confirmar a cura parasitológica.
OMS (WHO) — Directrizes da OMS para a malária: https://www.who.int/teams/global-malaria-programme/guidelines-for-malaria ; DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Carbamazepina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f3d91cd-a959-4e07-a51b-8a4e9ba9ece2
A Carbamazepina (indutor) reduz os níveis de Piperaquina e Dihidroartemisinina — risco de falência do tratamento.
A carbamazepina induz o CYP3A4, via importante no metabolismo da diidroartemisinina e da piperaquina; os níveis do antimalárico podem cair abaixo do limiar terapêutico, comprometendo a cura. Além disso, a piperaquina prolonga o QT — em doentes epiléticos tratados com carbamazepina, preferir um antimalárico alternativo (ex.: atovaquona+proguanil, que também é menos dependente do CYP3A4) e vigiar a resposta clínica e parasitológica se a associação for inevitável.
Carbamazepina + diidroartemisinina+piperaquina: indução do metabolismo do antimalárico pela carbamazepina, com risco de níveis subterapêuticos. Evitar se possível.
Indução enzimática (CYP3A4) que acelera o metabolismo dos componentes do ACT.
Resposta clínica e parasitológica.
Febre persistente ou recorrente.
Considerar um ACT alternativo e confirmar a cura parasitológica.
EMA — EPAR Eurartesim (dihidroartemisinina + piperaquina): https://www.ema.europa.eu/en/medicines/human/EPAR/eurartesim ; DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Carbamazepina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f3d91cd-a959-4e07-a51b-8a4e9ba9ece2
Interação recíproca: a Rifampicina reduz os níveis de Carbamazepina e a Carbamazepina reduz os da Rifampicina — possível perda de eficácia de ambos.
A rifampicina é um indutor potente do CYP3A4 e pode reduzir as concentrações de carbamazepina em mais de 50%, com risco de recaída das crises epiléticas; o efeito desenvolve-se em dias a semanas e persiste após a suspensão da rifampicina. Ambas são hepatotóxicas, com risco aditivo. Recomenda-se vigiar os níveis plasmáticos de carbamazepina e aumentar a dose conforme necessário durante e após o tratamento antituberculoso, monitorizando transaminases.
Rifampicina + carbamazepina: a rifampicina induz fortemente o CYP3A4 e reduz os níveis de carbamazepina, com risco de perda do controlo das crises. Vigiar níveis e ajustar dose.
Indução enzimática mútua (CYP3A4/2C9).
Níveis de carbamazepina, controlo de crises, resposta à TB.
Crises convulsivas, febre persistente na TB.
Monitorizar níveis de carbamazepina e resposta clínica; ajustar doses.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Rifampicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=b389b1a3-672f-47e3-916c-4a9c044b211b ; rótulo aprovado Carbamazepina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f3d91cd-a959-4e07-a51b-8a4e9ba9ece2
A Carbamazepina reduz as concentrados de Cetoconazol (indução) e o cetoconazol pode aumentar a carbamazepina (inibição), com efeitos recíprocos.
A carbamazepina é metabolizada pelo CYP3A4; o cetoconazol é um inibidor potente desta enzima e pode aumentar as concentrações de carbamazepina, com risco de intoxicação (nistagmo, ataxia, diplopia, sedação, e em casos graves arritmias e convulsões). Recomenda-se vigiar os níveis plasmáticos de carbamazepina, reduzir a dose se necessário e monitorizar sinais de toxicidade enquanto durar o antifúngico.
Cetoconazol + carbamazepina: o cetoconazol inibe o CYP3A4 e pode elevar os níveis de carbamazepina, com risco de toxicidade (nistagmo, ataxia, sedação). Vigiar níveis.
A carbamazepina induz o metabolismo do cetoconazol; o cetoconazol inibe o CYP3A4 reduzindo o metabolismo da carbamazepina.
Concentração de carbamazepina, sintomas de intoxicação (diplopia, nistagmo, ataxia), resposta à micose.
Diplopia, nistagmo, ataxia, sonolência; ou agravamento da infeção fúngica.
Monitorizar níveis de carbamazepina e resposta antifúngica; ajustar doses; considerar alternativa não indutora de CYP3A4.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Cetoconazol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=f162e616-21b4-49b1-b437-15e21001a6f0 ; rótulo aprovado Carbamazepina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f3d91cd-a959-4e07-a51b-8a4e9ba9ece2 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A carbamazepina induz o metabolismo hepático e pode reduzir os níveis de teofilina; a interação é bidirecional e variável.
A carbamazepina é um potente indutor de CYP1A2, CYP3A4 e UGT. A teofilina é substrato de CYP1A2 (70%). A coadministração reduz os níveis de teofilina 20-40%, podendo comprometer o controlo de asma/COPD. Ajustar dose de teofilina conforme níveis (alvo: 10-20 μg/mL). Monitorizar mensalmente. A carbamazepina também pode induzir o metabolismo de outros fármacos concomitantes.
Carbamazepina induz CYP1A2, reduzindo teofilina 20-40%. Ajustar dose conforme níveis.
A carbamazepina é indutora enzimática (CYP3A4), acelerando a depuração da teofilina.
Vigiar a eficácia terapêutica da teofilina e sinais de convulsões ou toxicidade.
Perda de controlo da asma (teofilina subterapêutica) ou toxicidade ao interromper a carbamazepina.
Monitorizar os níveis de ambos os fármacos ao iniciar, ajustar ou suspender qualquer um deles.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Teofilina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5e64036a-ee3e-42e7-9e59-881f88a4e298 ; rótulo aprovado Carbamazepina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=97e6e175-75e8-437b-b457-ddb1ae4e857d — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Antimalárico + indutor UGT: carbamazepina reduz níveis de DHA.
A carbamazepina induz UGT, diminuindo a AUC de DHA. Risco de falha terapêutica antimalárica em doentes epilépticos.
Carga parasitária, níveis de carbamazepina.
Falha terapêutica antimalárica.
Monitorizar carga parasitária. Considerar dose adicional de artesunato.
drugs.com; MedScape
A associação de Efavirenz com Carbamazepina reduz as concentrações de ambos os fármacos, com risco de falência no controlo da epilepsia e do VIH.
A interação é bidirecional: a carbamazepina induz o CYP3A4 e reduz as concentrações de efavirenz, e o efavirenz induz também o CYP3A4, reduzindo os níveis de carbamazepina. O resultado pode ser a perda simultânea do controlo virológico e do controlo das crises epiléticas. Sempre que possível, escolher outro antiepilético (ex.: levetiracetam, valproato) em doentes com efavirenz; se a associação for inevitável, vigiar a carga viral e os níveis de carbamazepina, ajustando doses.
Efavirenz + carbamazepina: indução mútua do CYP3A4 — ambos os fármacos podem ficar subterapêuticos. Vigiar níveis e resposta clínica.
Efavirenz induz o metabolismo da Carbamazepina e a Carbamazepina induz o metabolismo do Efavirenz, diminuindo mutuamente a exposição.
Monitorizar a ocorrência de crises convulsivas e a carga viral do VIH.
Agravamento das crises ou carga viral detetável exigem reavaliação do esquema antiepilético/antirretroviral.
Não havendo recomendação posológica fiável, preferir um antiepiléptico alternativo quando possível (por exemplo valproato, levetiracetam).
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Efavirenz: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=92603fa5-7a2c-4bfb-9a70-aadb4fba952c ; rótulo aprovado Carbamazepina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f3d91cd-a959-4e07-a51b-8a4e9ba9ece2 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A associação de Lamotrigina com Carbamazepina reduz as concentrações de Lamotrigina, podendo exigir aumento de dose; a Lamotrigina pode também aumentar a toxicidade do metabolito da Carbamazepina.
A interação é bidirecional: a carbamazepina induz a glucuronidação da lamotrigina e reduz as suas concentrações em cerca de 40–50%, podendo exigir aumento da dose de lamotrigina; em sentido inverso, a lamotrigina inibe a epóxido-hidrolase e pode elevar as concentrações do metabolito ativo carbamazepina-10,11-epóxido, causando toxicidade (nistagmo, ataxia, diplopia) mesmo com níveis de carbamazepina dentro do intervalo. Recomenda-se titular a lamotrigina com base na resposta, vigiar sinais de toxicidade do epóxido e considerar a monitorização do epóxido se disponível.
Carbamazepina + lamotrigina: a carbamazepina reduz os níveis de lamotrigina (indução da glucuronidação) e a lamotrigina pode elevar o metabolito epóxido da carbamazepina. Vigiar ambos.
A Carbamazepina induz a glucuronidação da Lamotrigina, reduzindo os seus níveis; a Lamotrigina pode elevar o carbamazepina-10,11-epóxido, aumentando a toxicidade.
Monitorizar o controlo das crises e os sinais de toxicidade neurológica (diplopia, ataxia).
Erupção cutânea ou sinais de reação grave exigem suspensão e avaliação.
Ajustar a dose de Lamotrigina conforme a resposta e, se disponível, os níveis séricos; vigiar toxicidade neurológica.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Lamotrigina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=57f04b9b-06cd-8044-e063-6394a90ae733 ; rótulo aprovado Carbamazepina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f3d91cd-a959-4e07-a51b-8a4e9ba9ece2 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A carbamazepina pode reduzir a eficácia do levonorgestrel (incluindo a contraceção de emergência). Se toma os dois, fale com o médico ou farmacêutico.
A carbamazepina induz o CYP3A4 e a glicuronidação, acelerando a eliminação do levonorgestrel e reduzindo a eficácia contracetiva — o rótulo OTC do levonorgestrel avisa explicitamente que medicamentos para epilepsia podem reduzir a eficácia, e o Prontuário refere que os indutores enzimáticos (barbitúricos, fenitoína, primidona, carbamazepina, rifampicina) reduzem a eficácia dos progestagénios. Em contraceção hormonal regular, recomenda-se método alternativo ou complementar; na contraceção de emergência, o DIU de cobre é a alternativa fiável.
Indutores enzimáticos (carbamazepina, fenitoína, rifampicina, barbitúricos) aceleram o metabolismo dos progestagénios e reduzem a eficácia contracetiva. Na contraceção de emergência com levonorgestrel, considerar alternativa (acetato de ulipristal não é alternativa fiável com indutores; DIU de cobre).
Indução do CYP3A4, acelerando o metabolismo do levonorgestrel.
Eficácia contracetiva; ciclos irregulares podem indicar redução de exposição hormonal.
Gravidez não planeada; hemorragia irregular.
Usar método contracetivo não hormonal (DIU de cobre) ou barreira adicional; na contraceção de emergência, preferir DIU de cobre.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Levonorgestrel: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=07567b80-d8a1-41c0-95e4-33afa584bbc4 ; rótulo aprovado Carbamazepina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f3d91cd-a959-4e07-a51b-8a4e9ba9ece2 ; PubMed — https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC2848501/ ; Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A carbamazepina pode reduzir o efeito do estradiol (terapêutica hormonal), diminuindo a eficácia e alterando o padrão de hemorragia. Informe o médico.
O rótulo aprovado do estradiol (DailyMed) documenta que os estrogénios são parcialmente metabolizados pelo CYP3A4 e que indutores desta enzima — como carbamazepina, fenitoína, barbitúricos e rifampicina — podem reduzir as concentrações plasmáticas, diminuindo o efeito terapêutico e alterando o padrão de hemorragia uterina. Na terapêutica hormonal de substituição, pode ser necessário ajustar a dose ou considerar outra via de administração; nos anticoncecionais hormonais, a eficácia contracetiva pode estar comprometida.
Indutores do CYP3A4 (carbamazepina, fenitoína, rifampicina) reduzem as concentrações de estrogénios, com diminuição do efeito terapêutico e alterações do padrão hemorrágico. Considerar ajuste de dose ou método alternativo.
Indução do CYP3A4, acelerando o metabolismo dos estrogénios.
Sintomas vasomotores, padrão de hemorragia e eficácia contracetiva.
Hemorragia irregular, retorno dos sintomas da menopausa, gravidez não planeada.
Monitorizar o efeito terapêutico; considerar ajuste de dose do estradiol ou contraceção não hormonal quando aplicável.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Estradiol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5718f042-e8c0-b721-e063-6294a90a5bef ; rótulo aprovado Carbamazepina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f3d91cd-a959-4e07-a51b-8a4e9ba9ece2 ; Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Toxicidade por Carbamazepina. A Claritromicina inibe o CYP3A4 e aumenta muito os níveis de Carbamazepina.
A carbamazepina é extensamente metabolizada pelo CYP3A4 e a claritromicina é um inibidor potente desta isoenzima e da glicoproteína P. A associação pode duplicar ou mais do que duplicar os níveis séricos de carbamazepina, com sintomas de toxicidade como diplopia, nistagmo, ataxia, sedação e náuseas; em casos graves podem ocorrer convulsões ou coma. Sempre que possível, deve escolher-se um antibiótico alternativo que não iniba o CYP3A4 (ex.: azitromicina); se a associação for necessária, reduzir a dose de carbamazepina, monitorizar os níveis séricos e os sinais clínicos de toxicidade.
A claritromicina inibe o CYP3A4 e aumenta muito as concentrações de carbamazepina, com risco de toxicidade (diplopia, ataxia, sedação, náuseas). Preferir alternativa antibiótica; se inevitável, reduzir a dose de carbamazepina e monitorizar.
A Carbamazepina é metabolizada pelo CYP3A4, enzima fortemente inibida pela Claritromicina.
Carbamazepinemia e sinais de toxicidade nos primeiros dias.
Nistagmo, diplopia, ataxia, sedação, náuseas.
Evitar a associação; escolher um antibiótico alternativo ou monitorizar os níveis de Carbamazepina.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Claritromicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=d836ae7e-fdbf-4dcb-a90d-ede1dcbc3e67 ; rótulo aprovado Carbamazepina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f3d91cd-a959-4e07-a51b-8a4e9ba9ece2
A carbamazepina pode reduzir os níveis de dolutegravir por indução enzimática. Considerar ajuste de dose ou alternativa.
A carbamazepina induz o UGT1A1 e o CYP3A4, enzimas envolvidas no metabolismo do dolutegravir. Embora a indução seja menos potente que a da rifampicina, a redução dos níveis pode ser clinicamente significativa, especialmente em doentes com carga viral alta ou resistência pré-existente. O rótulo do dolutegravir (Tivicay) recomenda o aumento da dose para 50 mg duas vezes ao dia quando coadministrado com indutores moderados do UGT1A1 como a carbamazepina. Alternativa: considerar trocar a carbamazepina por um antiepiléptico sem indução enzimática significativa (ex.: levetiracetam, lamotrigina) ou usar raltegravir (não metabolizado pelo CYP3A4) como alternativa INSTI.
Dolutegravir + carbamazepina: redução dos níveis de dolutegravir por indução do UGT1A1/CYP3A4. Considerar aumento de dose ou alternativa.
A carbamazepina induz o UGT1A1 e o CYP3A4, enzimas envolvidas no metabolismo do dolutegravir, reduzindo os seus níveis plasmáticos.
Monitorizar carga viral e função hepática periodicamente.
Falha virológica se não houver ajuste de dose.
Considerar aumento da dose de dolutegravir para 50 mg duas vezes ao dia. Monitorizar carga viral. Alternativa: trocar carbamazepina por outro antiepiléptico.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Dolutegravir (Tivicay): https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=485bc9db-8665-9f5a-e063-6394a90a7921 ; rótulo aprovado Carbamazepina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=a63e2ab0-ddf2-4718-b59c-5a96507151aa
A Carbamazepina acelera o metabolismo da Metilprednisolona por indução do CYP3A4, reduzindo o efeito do corticoide.
Os antiepilépticos indutores (carbamazepina, fenitoína, barbitúricos) aumentam o metabolismo hepático dos corticosteróides (Prontuário 8.2.2; Anexo 7).
Clínica de hipocortisolismo, tensão arterial, glicemia.
Fadiga, hipotensão, náuseas, exacerbação da doença de base.
Ajustar a dose do corticoide durante a co-administração; vigiar sinais de insuficiência suprarrenal; readaptar após suspensão do antiepiléptico.
Prontuário Terapêutico INFARMED (11.ª ed., 2012), Corticosteróides 8.2.2 — "o mesmo se verifica com antiepilépticos (carbamazepina, barbitúricos e fenitoína)"; DailyMed — rótulo Carbamazepine Tablet [RLD Tegretol]: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=d0121be3-b904-41d3-a81a-292aa4176491
A Carbamazepina reduz a eficácia do contraceptivo hormonal por indução enzimática, com risco de gravidez não planeada.
Indutores enzimáticos aceleram o metabolismo dos estrogénios/progestagénios (Anexo 7: "V. também Carbamazepina"; rótulo Tegretol documenta falha contracetiva).
Sangramentos intermenstruais, atraso menstrual.
Sangramento intermenstrual, gravidez não planeada.
Recomendar método de barreira adicional ou contracepção não hormonal; não depender só do contraceptivo oral durante a co-administração.
DailyMed — rótulo Tegretol (carbamazepine), Drug Interactions (contraceptive failure): https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=d0121be3-b904-41d3-a81a-292aa4176491; Prontuário Terapêutico INFARMED (11.ª ed., 2012), Anexo 7 — Estrogénios.
A Carbamazepina (indutora enzimática) pode reduzir os níveis de tiroxina, exigindo ajuste da dose de levotiroxina.
Fármacos com acção indutora enzimática (carbamazepina, fenitoína, barbitúricos) aceleram o metabolismo das hormonas da tiróide (fichas 8.3, Propiltiouracilo: "exigem acertos de posologia").
TSH e T4 livres após alteração de terapia antiepiléptica.
Fadiga, ganho de peso, bradicardia (hipotiroidismo).
Reavaliar TSH/T4 livre 4–6 semanas após iniciar carbamazepina; aumentar dose de levotiroxina se necessário.
Prontuário Terapêutico INFARMED (11.ª ed., 2012), ficha Propiltiouracilo 8.3 — antiepilépticos indutores "exigem acertos de posologia"; DailyMed — rótulo Carbamazepine Tablet [RLD Tegretol]: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=d0121be3-b904-41d3-a81a-292aa4176491
A associação de Ritonavir com Carbamazepina aumenta as concentrações e a toxicidade da Carbamazepina, exigindo ajuste de dose e monitorização.
A carbamazepina é um indutor potente de CYP3A4, CYP1A2 e UGT. O ritonavir é metabolizado por CYP3A4 e é ele próprio inibidor de CYP3A4. A coadministração reduz os níveis de ritonavir em 50-90%, comprometendo a eficácia do regime antirretroviral. A carbamazepina pode também induzir a P-glicoproteína, acelerando a eliminação do ritonavir. Esta combinação é CONTRAINDICADA pelas guidelines EACS/BHIVA. Alternativas: trocar carbamazepina por valproato (não indutor) ou por lamotrigina (indutor fraco). Se carbamazepina for essencial, usar regime ARV sem ritonavir (ex: dolutegravir + tenofovir + lamotrigina).
Inibidor CYP3A4 potente + indutor CYP3A4: níveis de ritonavir reduzidos 50-90%. Risco de falha terapêutica do antirretroviral.
Ritonavir inibe o CYP3A4, principal via de metabolismo da Carbamazepina, reduzindo a sua clearance e aumentando o risco de efeitos adversos (neurológicos, hematológicos).
Vigiar sinais de toxicidade da Carbamazepina: diplopia, ataxia, sonolência, náuseas, hiponatremia.
Sonolência marcada, ataxia ou diplopia requerem suspensão e reavaliação do esquema.
Reduzir a dose de Carbamazepina conforme necessário e, se disponível, monitorizar as concentrações séricas; considerar antiepiléptico alternativo.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Ritonavir: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=2849298e-de6e-47bb-8194-56e075b33fc3 ; rótulo aprovado Carbamazepina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f3d91cd-a959-4e07-a51b-8a4e9ba9ece2 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
ISRS + indutor CYP3A4: carbamazepina pode reduzir níveis de fluoxetina.
A carbamazepina induz CYP3A4 e CYP2C9, vias metabolizadoras parciais da fluoxetina. A coadministração pode reduzir os níveis de fluoxetina em 30-40%, diminuindo a eficácia antidepressiva. Pode ser necessário aumentar a dose de fluoxetina 20-50%. Monitorizar resposta antidepressiva. Alternativa: trocar carbamazepina por valproato ou lamotrigina (indutores fracos).
ISRS + indutor CYP: carbamazepina pode reduzir níveis de fluoxetina 30-40%. Risco de perda de eficácia antidepressiva.
A carbamazepina é um potente indutor de CYP3A4 e pode reduzir os níveis de fluoxetina em 20-30%. A eficácia antidepressiva pode ser comprometida.
Eficácia antidepressiva, sinais de depressão.
Recaída depressiva.
Monitorizar eficácia antidepressiva. Considerar dose mais elevada de fluoxetina.
DailyMed/FDA
Anticonvulsivante + anticonvulsivante: interações farmacocinéticas mútuas.
A carbamazepina induz UGT, aumentando a glucuronidação do valproato. Os níveis de valproato podem reduzir 20-30%. O efeito é clínico significativo em epilepsia (risco de crises). Monitorizar níveis de valproato (alvo: 50-100 μg/mL). Pode ser necessário aumentar a dose de valproato. Alternativa: lamotrigina (não induz UGT significativamente).
Antiepiléptico + indutor CYP: carbamazepina pode reduzir níveis de valproato 20-30%. Monitorizar níveis de valproato.
A carbamazepina pode aumentar o metabolismo do valproato (indução de glucuronidação). O valproato pode inibir o metabolismo do epóxido de carbamazepina. Monitorização estreita.
Níveis de carbamazepina e valproato, sinais de toxicidade.
Toxicidade de ambos os fármacos.
Monitorizar níveis de ambos os fármacos. Ajustar doses conforme necessário.
DailyMed/FDA
A carbamazepina potencia o efeito antidiurético da desmopressina (potencialização da secreção/resposta ao ADH), aumentando o risco de hiponatremia grave com convulsões.
A carbamazepina é um fármaco clássico de SIADH induzido; com desmopressina (análogo do ADH) o efeito hidrorretentor é aditivo (rótulo DDAVP: evitar fármacos que promovem secreção anormal de ADH).
Na+ sérico, osmolaridade, peso, estado neurológico.
Cefaleia, vómitos, confusão, convulsões (hiponatremia).
Evitar a co-administração se possível; se necessária, Na+ sérico a 2–3 dias após início/ajuste, restrição de ingesta hídrica e dose mínima de desmopressina.
DailyMed — rótulo DDAVP (desmopressin), Warnings/Drug Interactions (fármacos que promovem ADH): https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=abe23504-ea98-4ed9-9a9a-6db9eaa35251
Indutor CYP + antiepiléptico: carbamazepina reduz níveis de topiramato ~40%.
A carbamazepina é um potente indutor de CYP3A4 e UGT. O topiramato é parcialmente metabolizado por CYP3A4 (40%) e glucuronidado (50%). A coadministração reduz os níveis de topiramato em ~40%, podendo comprometer o controlo de crises. Ajustar dose de topiramato conforme resposta clínica. Em alguns casos, pode ser necessário duplicar a dose de topiramato.
Carbamazepina induz CYP3A4/UGT, reduzindo níveis de topiramato ~40%. Risco de perda de controlo de crises.
A carbamazepina induz CYP3A4 e UGT, acelerando o metabolismo do topiramato. Os níveis podem reduzir ~40%. Pode ser necessário aumentar a dose de topiramato.
Controlo de crises, bicarbonato sérico.
Perda de controlo de crises.
Ajustar dose de topiramato conforme resposta clínica. Monitorizar níveis se possível.
DailyMed/FDA; EMC-UK
Dois indutores CYP: efeito aditivo sobre metabolismo de outros fármacos. Risco de toxicidade.
Ambos são potentes indutores de CYP3A4, CYP2C9, CYP2C19 e UGT. A combinação pode reduzir os níveis de warfarina, contracetivos orais, anticoagulantes e outros fármacos em >50%. Esta combinação é clinicamente redundante (ambos tratam epilepsia) e perigosa. Evitar. Se necessária, ajustar todas as medicações concomitantes e monitorizar níveis.
Dois potentes indutores CYP/UGT: reduzem drasticamente níveis de outros fármacos.
Ambos são potentes indutores de CYP3A4, CYP2C9, CYP2C19 e UGT. A combinação pode reduzir drasticamente os níveis de outros fármacos (anticoagulantes, contracetivos).
Níveis de todos os fármacos concomitantes.
Falha terapêutica de outros fármacos.
Evitar combinação se possível. Se necessário, ajustar doses de todos os fármacos concomitantes.
DailyMed/FDA; EMC-UK
A Carbamazepina reduz as concentrações plasmáticas do Mebendazol por indução enzimática, com risco de falha terapêutica nas parasitoses que exigem tratamento prolongado.
Indução enzimática do metabolismo do mebendazol: o Prontuário (Mebendazol 1.4.1) refere que "A co-administração de carbamazepina e fenitoína reduz as concentrações plasmáticas do mebendazol (indução enzimática)".
Resposta clínica e imagiológica da parasitose, enzimas hepáticas.
Persistência ou progressão da parasitose, novas lesões em imagiologia.
Em terapêutica prolongada (hidatidose), discutir com especialista a necessidade de dose mais alta ou de alternativa, mantendo o anticonvulsivante; não suspender o antiepiléptico por causa desta interação.
Prontuário Terapêutico INFARMED (11.ª ed., 2012), Mebendazol 1.4.1 — carbamazepina e fenitoína reduzem as concentrações do mebendazol (l. 4541-4545).
A Carbamazepina acelera o metabolismo da Noretisterona, podendo reduzir a eficácia contracetiva da contraceção só com progestagénio.
Indução enzimática do metabolismo do progestagénio: o Prontuário (ficha Carbamazepina 2.6, l. 5996-5998) refere "redução do efeito dos anticoagulantes e dos contraceptivos orais"; a 267 já criou o par homólogo com o contracetivo combinado (moderate).
Spotting intermenstrual, hemorragia de privação, prova de gravidez se falha suspeitada; níveis do anticonvulsivante se a dose mudar.
Hemorragia de privação ausente, spotting persistente, gravidez indesejada.
Reforçar com método de barreira durante o tratamento e nas 4 semanas após a suspensão do indutor; reavaliar a necessidade de contraceção hormonal na epilepsia.
Prontuário Terapêutico INFARMED (11.ª ed., 2012), ficha Carbamazepina 2.6 — redução do efeito dos contraceptivos orais (l. 5996-5998); Anexo 7 — Estrogénios/contraceptivos.
Carbamazepina + vitamina D3: a carbamazepina acelera o metabolismo da vitamina D, com risco de deficiência.
A carbamazepina é um indutor enzimático (CYP3A4 e outras) que acelera o catabolismo da vitamina D, reduzindo os níveis de 25-hidroxivitamina D e, a longo prazo, a calcemia e a densidade óssea — com risco de osteomalacia e fraturas em doentes em terapêutica antiepilética prolongada. Recomenda-se monitorizar a vitamina D e a calcemia, suplementar preventivamente vitamina D (e cálcio quando indicado) e considerar a avaliação da densidade óssea nos doentes crónicos com carbamazepina, sobretudo nos idosos e nas mulheres pós-menopáusicas.
Carbamazepina + vitamina D3: a carbamazepina acelera o metabolismo da vitamina D — risco de deficiência.
Os antiepiléticos indutores enzimáticos aumentam o catabolismo da vitamina D e do cálcio.
25(OH)D, cálcio e densidade óssea em uso crónico.
Défice de vitamina D, osteomalacia, fraturas.
Considerar dose superior de vitamina D e monitorizar níveis/25(OH)D em doentes de risco.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Carbamazepina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=97e6e175-75e8-437b-b457-ddb1ae4e857d ; rótulo aprovado Colecalciferol (vitamina D3): https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=3822c324-e22a-4ac4-ac1c-9b63983b516a — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
O sumo de toranja inibe o CYP3A4, reduz a metabolização da carbamazepina e aumenta as concentrações plasmáticas, elevando o risco de efeitos adversos.
Recomendar a evicção do sumo de toranja; se consumido, monitorizar as concentrações plasmáticas e os sinais de toxicidade (tonturas, sonolência, ataxia, diplopia).
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Carbamazepina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/1040/smpc
CONTRAINDICADO em insuficiência hepática grave. Risco de hepatite colestática e idiossincrásica.
Não administrar em insuficiência hepática grave.
DailyMed/FDA; EMC-UK
A carbamazepina tem efeitos na condução cardíaca; o bloqueio auriculoventricular é uma contraindicação absoluta.
Não prescrever a doentes com bloqueio AV; considerar terapêutica antiepilética alternativa.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Carbamazepina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/1040/smpc
A carbamazepina está contraindicada em doentes com história de depressão da medula óssea; podem ocorrer agranulocitose e anemia aplástica.
Não utilizar nestes doentes; durante o tratamento, vigiar o hemograma e suspender em caso de leucopenia grave ou progressiva.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Carbamazepina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/1040/smpc
As porfirias hepáticas (intermitente aguda, variegata e cutânea tardia) contraindicam a carbamazepina.
Não prescrever a doentes com história de porfiria hepática.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Carbamazepina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/1040/smpc
A carbamazepina pode causar hiponatremia, com risco aumentado em doentes com doença renal, utilização de diuréticos ou em idosos.
Medir o sódio sérico antes do início, às 2 semanas e depois mensalmente nos primeiros meses; instituir restrição hídrica se ocorrer hiponatremia.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Carbamazepina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/1040/smpc
O alelo HLA-B*1502 associa-se fortemente ao risco de síndrome de Stevens-Johnson com carbamazepina em populações han chinesas, tailandesas e malaias.
Rastrear o alelo antes do início sempre que possível; se positivo, não iniciar o fármaco salvo ausência de alternativa.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Carbamazepina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/1040/smpc
Usar com precaução na insuficiência renal.
Usar com precaução na insuficiência renal.
Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012) — Anexo 4, Fármacos e insuficiência renal: Usar com precaução na insuficiência renal.
A exposição no 1.º trimestre aumenta o risco de malformações major (defeitos do tubo neural, fissuras orofaciais, malformações cardiovasculares), com risco dependente da dose.
Utilizar apenas se o benefício exceder claramente o risco, em monoterapia na dose mínima eficaz e com vigilância pré-natal especializada; não suspender abruptamente. Recomenda-se suplementação de ácido fólico antes e durante a gravidez e vitamina K1 no final da gravidez.
A amamentação é possível se os benefícios forem ponderados; observar o lactente quanto a reações adversas, incluindo efeitos hepatobiliares.
A carbamazepina induz enzimas e pode falhar a contraceção hormonal; utilizar contraceção altamente eficaz (ex.: DIU) ou métodos complementares, com pelo menos 50 µg de estrogénio se hormonal.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Carbamazepina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/1040/smpc ; Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012) — Anexo 2, Fármacos e Aleitamento: Evitar; presente no leite em quantidades muito pequenas para ser perigosa; possível erupção grave.
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Anticonvulsivante e estabilizador do humor. O efeito terapêutico na epilepsia relaciona-se com a manutenção de concentrações plasmáticas na faixa habitualmente considerada de 4 a 12 mcg/ml. O metabolismo é autoinduzido ao longo de 3 a 5 semanas, exigindo frequentemente ajuste da dose.
Bloqueia os canais de sódio dependentes da voltagem, reduzindo a atividade neuronal repetitiva de alta frequência e estabilizando as membranas neuronais. Tem também efeitos sobre os canais de cálcio e sobre os sistemas GABAérgico e serotoninérgico.
A absorção oral é lenta e irregular, com pico plasmático entre 4 e 8 horas após a toma de comprimidos (cerca de 1,5 horas para a suspensão). A ligação às proteínas plasmáticas é de cerca de 76%.
Metabolizado no fígado, com formação do epóxido 10,11-carbamazepina, um metabolito ativo. A carbamazepina é um potente indutor das enzimas do citocromo P450 (incluindo o CYP3A4), acelerando o seu próprio metabolismo e o de muitos outros fármacos. Os metabolitos são eliminados na urina e nas fezes.
A semivida inicial é de 25 a 65 horas; após autoindução enzimática (3 a 5 semanas), reduz-se para cerca de 12 a 17 horas.
Como este fármaco se relaciona com enzimas e transportadores (CYP450, COX, P-gp, MAO e outros). Cada papel tem ligação ao perfil do alvo.
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.