A lamotrigina é um medicamento antiepilético usado na epilepsia (crises parciais, crises tónico-clónicas generalizadas e síndrome de Lennox-Gastaut) e na prevenção de episódios de humor na perturbação bipolar. A dose aumenta-se lentamente para evitar erupções cutâneas, que podem ser graves. Não deve ser suspensa de repente.
Também conhecido como: Lamictal
A associação de Valproato com Lamotrigina aumenta as concentrações de Lamotrigina, com risco aumentado de reação cutânea grave, incluindo síndrome de Stevens-Johnson.
O rótulo da lamotrigina documenta que "o valproato inibe a glucuronidação e diminui a depuração aparente da lamotrigina" — na prática duplica a semivida da lamotrigina e pode duplicar as suas concentrações, pelo que a dose inicial e a titulação da lamotrigina devem ser reduzidas (cerca de metade) quando coadministrada com valproato. O mesmo rótulo identifica o valproato como um dos fatores associados a maior risco de reações cutâneas graves (incluindo síndrome de Stevens-Johnson), sobretudo quando a dose inicial é excedida ou a titulação é rápida. Monitorizar o doente para erupção cutânea, febre, adenopatias ou envolvimento mucoso (sinais de hipersensibilidade grave) — suspender a lamotrigina ao primeiro sinal de rash, exceto se claramente não relacionado.
Lamotrigina + valproato: o valproato inibe a glucuronidação da lamotrigina (semivida ~2x, níveis ↑) — maior risco de rash grave. Titular lentamente e vigiar erupção cutânea.
O Valproato inibe a glucuronidação da Lamotrigina, dobrando a sua semivida e elevando as suas concentrações; o risco de rash grave é maior nos primeiros meses.
Vigiar o aparecimento de erupção cutânea, febre, linfadenopatia ou sintomas gripais nas primeiras 8 semanas.
Qualquer erupção cutânea ou sintomas compatíveis com reação grave exigem suspensão imediata da Lamotrigina e avaliação médica.
Reduzir a dose de Lamotrigina (aproximadamente metade) quando coadministrada com Valproato e aumentar a dose de forma muito gradual.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Valproato: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=a33f7657-ad0f-43e9-ba48-024746e6d08e ; rótulo aprovado Lamotrigina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=57f04b9b-06cd-8044-e063-6394a90ae733 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A associação de Lamotrigina com Carbamazepina reduz as concentrações de Lamotrigina, podendo exigir aumento de dose; a Lamotrigina pode também aumentar a toxicidade do metabolito da Carbamazepina.
A interação é bidirecional: a carbamazepina induz a glucuronidação da lamotrigina e reduz as suas concentrações em cerca de 40–50%, podendo exigir aumento da dose de lamotrigina; em sentido inverso, a lamotrigina inibe a epóxido-hidrolase e pode elevar as concentrações do metabolito ativo carbamazepina-10,11-epóxido, causando toxicidade (nistagmo, ataxia, diplopia) mesmo com níveis de carbamazepina dentro do intervalo. Recomenda-se titular a lamotrigina com base na resposta, vigiar sinais de toxicidade do epóxido e considerar a monitorização do epóxido se disponível.
Carbamazepina + lamotrigina: a carbamazepina reduz os níveis de lamotrigina (indução da glucuronidação) e a lamotrigina pode elevar o metabolito epóxido da carbamazepina. Vigiar ambos.
A Carbamazepina induz a glucuronidação da Lamotrigina, reduzindo os seus níveis; a Lamotrigina pode elevar o carbamazepina-10,11-epóxido, aumentando a toxicidade.
Monitorizar o controlo das crises e os sinais de toxicidade neurológica (diplopia, ataxia).
Erupção cutânea ou sinais de reação grave exigem suspensão e avaliação.
Ajustar a dose de Lamotrigina conforme a resposta e, se disponível, os níveis séricos; vigiar toxicidade neurológica.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Lamotrigina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=57f04b9b-06cd-8044-e063-6394a90ae733 ; rótulo aprovado Carbamazepina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f3d91cd-a959-4e07-a51b-8a4e9ba9ece2 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
O álcool pode aumentar o metabolismo da lamotrigina (indução enzimática) e reduzir a eficácia anticonvulsivante; o consumo agudo também potencia a sedação.
Evitar o consumo de álcool; se inevitável, manter o padrão estável.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Lamotrigina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=57f04b9b-06cd-8044-e063-6394a90ae733
A lamotrigina pode ser administrada com ou sem alimentos, sem alteração relevante da absorção.
Tomar à mesma hora todos os dias, com ou sem alimentos.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Lamotrigina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=57f04b9b-06cd-8044-e063-6394a90ae733
A lamotrigina pode causar erupção cutânea grave (SJS/TEN); o risco é maior com titulação rápida e em doentes suscetíveis.
Titular lentamente conforme o protocolo e suspender perante qualquer erupção cutânea.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Lamotrigina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=57f04b9b-06cd-8044-e063-6394a90ae733
A lamotrigina é eliminada por via renal; a insuficiência renal reduz a depuração e aumenta o risco de toxicidade.
Reduzir a dose de manutenção em insuficiência renal e ajustar na hemodiálise.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Lamotrigina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=57f04b9b-06cd-8044-e063-6394a90ae733
A lamotrigina em monoterapia tem risco relativamente baixo de malformações, mas o risco aumenta com politerapia (sobretudo com valproato).
Manter a monoterapia na menor dose eficaz; não suspender sem reavaliar o risco de crises.
Presente no leite materno em quantidades relevantes; geralmente considerado compatível, vigiando o lactente.
Não é necessária contraceção específica; a lamotrigina não reduz a eficácia dos contracetivos hormonais.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Lamotrigina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=57f04b9b-06cd-8044-e063-6394a90ae733
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Efeito anticonvulsivante e estabilizador do humor; a eficácia na epilepsia foi demonstrada na prevenção da propagação das crises (modelos MES, pentilenotetrazol e kindling). Não inibe a atividade mediada pelos recetores NMDA. Inibe a di-hidrofolato redutase in vitro (relevância clínica desconhecida).
O mecanismo proposto envolve a inibição dos canais de sódio dependentes de voltagem, estabilizando as membranas neuronais e modulando a libertação pré-sináptica de aminoácidos excitatórios (glutamato e aspartato).
Absorção oral rápida e quase completa (biodisponibilidade absoluta 98%), sem efeito de primeira passagem relevante e sem influência dos alimentos; pico plasmático 1,4-4,8 horas após a toma. Volume de distribuição 0,9-1,3 L/kg; ligação proteica ~55%.
Metabolizada predominantemente por conjugação com ácido glucurónico (metabolito principal: 2-N-glucuronídeo, inativo); auto-indução do metabolismo (~25% de redução da semivida com doses múltiplas). Indutores da glucuronidação (carbamazepina, fenitoína, fenobarbital, rifampicina, contraceptivos orais) aceleram a eliminação; o valproato inibe-a (semivida ~59 h). Recuperação urinária de 94% da dose.
Semivida de eliminação de cerca de 25-33 horas em adultos saudáveis sem medicação concomitante; ~14,4 horas com indutores enzimáticos e ~58,8 horas com valproato.
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.