O fenobarbital é um medicamento antiepilético e sedativo (barbitúrico) usado no controlo de crises convulsivas. É eficaz, mas pode causar habituação e dependência, e a suspensão deve ser sempre gradual. Interage com muitos medicamentos porque acelera a sua eliminação.
Também conhecido como: Gardenal, Luminal
Antimalárico + indutor UGT: fenobarbital reduz níveis de DHA.
O fenobarbital induz UGT, diminuindo a AUC de DHA. Efeito semelhante a outros indutores enzimáticos.
Carga parasitária, níveis de fenobarbital.
Falha terapêutica antimalárica.
Monitorizar carga parasitária. Considerar dose adicional.
drugs.com; MedScape
A associação de Fenitoína com Fenobarbital pode aumentar ou diminuir as concentrações de Fenitoína, exigindo monitorização.
O fenobarbital é um indutor potente das enzimas hepáticas (CYP2C9/2C19 — as mesmas que metabolizam a fenitoína) e pode reduzir os níveis de fenitoína, mas a competição pelas mesmas vias e a cinética saturável da fenitoína tornam o efeito líquido variável: o rótulo da fenitoína inclui o fenobarbital entre os "antiepiléticos que podem aumentar ou diminuir os níveis séricos de fenitoína" e refere que "o efeito da fenitoína sobre os níveis séricos de fenobarbital... é imprevisível". Em sentido inverso, a fenitoína pode elevar ou reduzir os níveis de fenobarbital. São dois fármacos com janela terapêutica estreita e efeitos depressores do SNC aditivos. Monitorizar níveis séricos de ambos durante introdução/retirada, ajustar doses com base em níveis e sintomas clínicos, e vigiar sedação, nistagmo e ataxia.
Fenitoína + fenobarbital: interação bidirecional imprevisível (indução enzimática e competição por vias partilhadas). Monitorizar níveis séricos de ambos.
O Fenobarbital, indutor enzimático, e a Fenitoína competem e induzem vias metabólicas partilhadas; o efeito líquido é variável (aumento ou redução dos níveis de Fenitoína).
Monitorizar os níveis séricos de Fenitoína e os sinais clínicos de toxicidade.
Toxicidade ou perda de controlo das crises exigem reavaliação da dose.
Monitorizar os níveis séricos de Fenitoína e, se possível, de Fenobarbital na introdução e em ajustes de dose.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Fenitoína: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=ef4e97a7-cd18-47a9-a016-2eca5481a87e ; rótulo aprovado Fenobarbital: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=fa09b4f2-edb0-4594-a2d2-b16f7b9686b4 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A associação de Fenobarbital com Valproato aumenta as concentrações de Fenobarbital, com risco de sedação e toxicidade.
O rótulo do fenobarbital refere explicitamente que "o valproato e o ácido valproico aumentam os níveis séricos de fenobarbital; portanto, os níveis sanguíneos de fenobarbital devem ser monitorizados de perto e os ajustes de dose adequados feitos conforme indicado clinicamente". O rótulo do valproato confirma que "o valproato inibe o metabolismo do fenobarbital". Níveis elevados de fenobarbital potenciam a depressão do SNC (sedação, sonolência, ataxia, compromisso respiratório em doses altas), sobretudo em idosos. Quando se inicia o valproato em doentes estabilizados com fenobarbital, monitorizar níveis de fenobarbital e sinais clínicos de toxicidade, reduzindo a dose de fenobarbital se necessário (habitualmente 20–30%).
Fenobarbital + valproato: o valproato inibe o metabolismo do fenobarbital e eleva os seus níveis (sedação ↑). Monitorizar níveis e efeito depressivo.
O Valproato inibe o metabolismo do Fenobarbital, elevando os seus níveis séricos e potenciando o seu efeito depressivo.
Monitorizar a sedação e, se disponível, os níveis de Fenobarbital.
Sedação excessiva ou depressão respiratória exigem suspensão e avaliação.
Monitorizar os sinais de sedação e, se disponível, os níveis de Fenobarbital; considerar reduzir a dose.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Fenobarbital: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=fa09b4f2-edb0-4594-a2d2-b16f7b9686b4 ; rótulo aprovado Valproato: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=a33f7657-ad0f-43e9-ba48-024746e6d08e — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A associação de Fenobarbital com Varfarina reduz o efeito anticoagulante da Varfarina, com risco de eventos trombóticos.
O fenobarbital é um indutor potente do CYP2C9, CYP2C19 e CYP3A4, as enzimas que metabolizam a warfarina, e acelera a sua eliminação — o efeito anticoagulante diminui e o INR desce, com risco de tromboembolismo se a dose não for ajustada. O efeito indutor demora 1–3 semanas a desenvolver-se plenamente e persiste várias semanas após a suspensão do fenobarbital, altura em que o INR pode subir acentuadamente. Recomenda-se monitorizar o INR com frequência ao iniciar, durante e após o fenobarbital, aumentando a dose de warfarina conforme necessário e reajustando-a na fase de suspensão.
O fenobarbital induz fortemente o CYP2C9/CYP3A4 e pode REDUZIR muito o efeito da warfarina. Pode ser necessário aumentar a dose de warfarina com monitorização apertada; reajustar após suspender.
O Fenobarbital, indutor enzimático, acelera o metabolismo da Varfarina, diminuindo o seu efeito anticoagulante.
INR frequente na introdução e em alterações de dose.
INR sub-otimizado ou eventos trombóticos exigem ajuste do anticoagulante.
Monitorizar o INR e ajustar a dose de Varfarina durante a co-administração.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Fenobarbital: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=fa09b4f2-edb0-4594-a2d2-b16f7b9686b4 ; rótulo aprovado Warfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Teofilina + fenobarbital: o fenobarbital induz o metabolismo da teofilina, diminuindo os seus níveis e o efeito broncodilatador (QUADRO 2).
O fenobarbital é um indutor do CYP1A2 e do CYP3A4, acelerando o metabolismo da teofilina e reduzindo as suas concentrações plasmáticas e o efeito broncodilatador. O QUADRO 2 do Anexo 7 regista esta interação na secção dos barbitúricos. A relevância clínica é maior em doentes asmáticos ou com DPOC cujo controlo piora após iniciar fenobarbital, podendo exigir aumento da dose de teofilina. Inversamente, se o fenobarbital for suspenso, os níveis de teofilina sobem e pode surgir toxicidade. Monitorizar a resposta clínica e, se disponível, a teofilinemia; ajustar a dose ao iniciar, ajustar ou suspender o barbitúrico.
Teofilina + fenobarbital: indução enzimática pelo fenobarbital — redução das concentrações de teofilina e do efeito broncodilatador; monitorizar.
Os barbitúricos induzem as enzimas microssomais hepáticas que metabolizam a teofilina — diminuição dos níveis plasmáticos e da atividade ao fim de 10-12 dias (QUADRO 2, Barbitúricos: "Teofilina: diminuição dos níveis plasmáticos e da atividade ao fim de 10-12 dias").
Monitorizar a resposta broncodilatadora (agravamento da asma/DPOC).
Agravamento da asma/DPOC ou níveis subterapêuticos de teofilina com fenobarbital.
Monitorizar níveis de teofilina e ajustar a dose quando se inicia/suspende o fenobarbital.
Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012) — Anexo 7, QUADRO 2 (Barbitúricos)
Folinato de cálcio + fenobarbital: os antiepiléticos podem reduzir a eficácia do folinato — vigiar a atividade convulsiva.
O mesmo fundamento da interação com a fenitoína aplica-se ao fenobarbital: o rótulo FDA do leucovorina cobre os antiepiléticos em geral ("Certain Antiepileptic Drugs... may reduce the effectiveness of leucovorin") e o Prontuário Terapêutico nomeia explicitamente a fenitoína e o fenobarbital — o folinato "pode reduzir a actividade terapêutica" de ambos. No doente epilético em resgate do metotrexato ou com toxicidade por antagonistas do ácido fólico, o fenobarbital pode atenuar a resposta ao folinato, e o folinato pode interferir com o controlo convulsivo. A vigilância clínica de crises durante a associação é a orientação prática; não há contraindicação de uso simultâneo, apenas monitorização ativa.
Folinato de cálcio + fenobarbital: vigiar a atividade convulsiva — os antiepiléticos podem reduzir a eficácia do folinato (e o folinato pode reduzir a atividade do fenobarbital).
O rótulo FDA do leucovorina inclui os antiepiléticos em geral ("Certain Antiepileptic Drugs... may reduce the effectiveness of leucovorin") e o prontuário regista explicitamente a fenitoína e o fenobarbital: "Pode reduzir a actividade terapêutica da fenitoína e do fenobarbital". A relevância clínica é a mesma da fenitoína — vigilância da atividade convulsiva.
Vigilância clínica de convulsões durante a associação.
Crise convulsiva de novo ou ausência da resposta esperada ao folinato.
Vigiar a atividade convulsiva e a resposta ao folinato em doentes com barbitúricos.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Leucovorina cálcica (Leading Pharma): https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=c8102043-79f2-421a-b849-94bac19007a6 ; rótulo aprovado Fenobarbital: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=ef4e97a7-cd18-47a9-a016-2eca5481a87e ; Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012) — Folinato de cálcio, 17
Montelucaste + fenobarbital: o fenobarbital pode reduzir a eficácia do montelucaste — monitorizar o controlo da asma.
O Prontuário Terapêutico documenta as interações do montelucaste com fenobarbital, fenitoína e rifampicina (5.1.3.2). Estes indutores enzimáticos aceleram o metabolismo do montelucaste (CYP3A4/2C9), podendo reduzir as suas concentrações plasmáticas e comprometer o controlo da asma. O fenobarbital é um indutor enzimático potente; a associação é possível em doentes com asma e epilepsia, mas a eficácia do antileucotrieno pode diminuir. A orientação prática é monitorizar o controlo da asma (sintomas, despertares noturnos, uso de broncodilatador de alívio, PEF) durante a associação e considerar o ajuste de dose ou alternativa terapêutica se houver perda de controlo.
Montelucaste + fenobarbital: o fenobarbital pode reduzir a eficácia do montelucaste — monitorizar o controlo da asma.
O Prontuário Terapêutico documenta as interações do montelucaste com fenobarbital, fenitoína e rifampicina (5.1.3.2). Estes indutores enzimáticos aceleram o metabolismo do montelucaste (CYP3A4/2C9), podendo reduzir as suas concentrações e comprometer o controlo da asma.
Avaliar sintomas de asma e função respiratória (PEF) na associação.
Perda de controlo da asma (crise, agravamento dos sintomas) com a associação.
Monitorizar o controlo da asma durante a associação; considerar ajuste de dose ou alternativa.
Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012) — Montelucaste, 5.1.3.2 ; rótulo aprovado Fenobarbital: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=ef4e97a7-cd18-47a9-a016-2eca5481a87e
Barbitúrico + pro-fármaco: primidona é convertida a fenobarbital. Efeito aditivo depressor SNC.
A primidona é metabolizada a fenobarbital (50-60%, meia-vida 80-120 h) e feniletilmalonamida (25-30%). A coadministração com fenobarbital resulta em níveis aditivos de fenobarbital, multiplicando o risco de depressão respiratória, sedação profunda e coma. Esta combinação é clinicamente redundante — ambos actuam via potenciação GABA-A. Se primidona é essencial (raro), reduzir fenobarbital 50% e monitorizar níveis de fenobarbital (alvo: 15-40 μg/mL). Alternativa: trocar primidona por fenobarbital directamente.
Primidona = pro-fármaco de fenobarbital (50-60%). Efeito aditivo depressor SNC perigoso.
A primidona é metabolizada a fenobarbital (50-60%) e feniletilmalonamida (25-30%). A coadministração com fenobarbital resulta em níveis aditivos de fenobarbital, aumentando significativamente a depressão do SNC.
Níveis de fenobarbital, sedação, função respiratória.
Depressão respiratória grave, coma.
Evitar combinação. Se primidona é essencial, reduzir fenobarbital 50% e monitorizar níveis.
DailyMed/FDA; EMC-UK
O álcool potencia a depressão do sistema nervoso central do fenobarbital e tem efeitos aditivos sobre a sedação e a depressão respiratória.
Evitar o consumo de álcool durante o tratamento.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Fenobarbital: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=fa09b4f2-edb0-4594-a2d2-b16f7b9686b4
O fenobarbital pode ser administrado com ou sem alimentos, sem alteração relevante da absorção.
Tomar à mesma hora todos os dias, com ou sem alimentos.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Fenobarbital: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=fa09b4f2-edb0-4594-a2d2-b16f7b9686b4
O fenobarbital está contraindicado na porfiria, pois induz a síntese de porfirinas e precipita crises agudas.
Não utilizar em doentes com porfiria; considerar alternativa.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Fenobarbital: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=fa09b4f2-edb0-4594-a2d2-b16f7b9686b4
O fenobarbital deprime o sistema nervoso central e o centro respiratório, com risco aumentado em doença pulmonar grave.
Usar com precaução em doença respiratória grave e monitorizar a sedação.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Fenobarbital: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=fa09b4f2-edb0-4594-a2d2-b16f7b9686b4
Reduzir a dose na insuficiência hepática.
Reduzir a dose na insuficiência hepática.
Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012) — Anexo 3, Fármacos e insuficiência hepática: Reduzir a dose na insuficiência hepática.
O fenobarbital atravessa a placenta e associa-se a malformações e a hemorragia neonatal por défice de vitamina K.
Evitar no 1.º trimestre; administrar vitamina K ao recém-nascido.
Presente no leite materno; pode causar sedação no lactente — vigiar.
Usar contraceção eficaz; o fenobarbital reduz a eficácia dos contracetivos hormonais.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Fenobarbital: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=fa09b4f2-edb0-4594-a2d2-b16f7b9686b4 ; Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012) — Anexo 2, Fármacos e Aleitamento: Continuar o aleitamento; sedação; espasmos infantis após interrupção do leite contendo fenobarbital; metahemoglobinemia com fenobarbital e fenitoína; V. Barbitúricos.
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Barbitúrico de ação longa com propriedades anticonvulsivantes, sedativas e hipnóticas. Como anticonvulsivante, eleva o limiar convulsivo e limita a propagação da atividade convulsiva; como sedativo, produz sedação em doses inferiores às hipnóticas. O início de ação oral é ≥1 hora e a duração de ação é de 10–12 horas.
Os barbitúricos potencializam a inibição GABAérgica: ligam-se ao complexo recetor GABA-A, prolongando a duração da abertura do canal de cloro e hiperpolarizando o neurónio. Em doses mais altas deprimem também a neurotransmissão excitatória (glutamatérgica).
Aproximadamente 25–50% de uma dose de fenobarbital é eliminada inalterada na urina — a excreção de barbitúrico não metabolizado distingue a categoria de ação longa das restantes, quase totalmente metabolizadas. Os ácidos fracos como os barbitúricos são absorvidos em graus variáveis; os sais são absorvidos mais rapidamente e a absorção aumenta em jejum.
Os barbitúricos são metabolizados principalmente pelo sistema enzimático microssómico hepático; os produtos metabólicos são excretados na urina e, menos frequentemente, nas fezes. O fenobarbital é um indutor enzimático hepático potente — acelera o seu próprio metabolismo e o de muitos outros fármacos.
A semivida plasmática do fenobarbital em adultos varia entre 53 e 118 horas, com uma média de 79 horas; em crianças e recém-nascidos (<48 horas) varia entre 60 e 180 horas (média 110 horas). É o barbitúrico de menor solubilidade lipídica, menor ligação proteica e maior duração de ação.
Como este fármaco se relaciona com enzimas e transportadores (CYP450, COX, P-gp, MAO e outros). Cada papel tem ligação ao perfil do alvo.
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.