A varfarina é um medicamento anticoagulante oral — um "diluidor do sangue" — usado para prevenir e tratar coágulos nas veias, nos pulmões ou no coração. Reduz a capacidade do sangue para coagular, o que exige análises regulares (INR) para acertar a dose certa para cada pessoa.
Também conhecido como: Marevan
Risco hemorrágico muito elevado. A dupla anticoagulação + antiagregação quase duplica a taxa de hemorragia major.
A aspirina inibe irreversivelmente a COX-1 plaquetária e a varfarina reduz os fatores de coagulação dependentes da vitamina K: os dois mecanismos somam-se e o risco de hemorragia major — incluindo hemorragia intracraniana e gastrointestinal — quase duplica em comparação com cada fármaco isolado. A associação só tem lugar em indicações específicas (ex.: síndrome coronária aguda com necessidade de anticoagulação, prótese valvular mecânica com doença aterosclerótica), sempre com o INR no limite inferior do intervalo alvo e proteção gástrica quando indicada. Fora dessas situações, a dupla terapêutica deve ser evitada, pesando sempre o risco hemorrágico individual.
Cumarínico + antiagregante: o risco de hemorragia major quase duplica (hemorragia intracraniana e gastrointestinal). Reservar a associação para indicações cardiológicas específicas; nos restantes, evitar.
Efeito antiplaquetário irreversível da Aspirina somado à anticoagulação da Warfarina.
INR apertado e vigilância hemorrágica regular.
Hemorragia gastrointestinal; hemorragia intracraniana (cefaleia súbita e grave).
Evitar exceto em indicações específicas (ex.: válvulas mecânicas) e sob supervisão especializada.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Warfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 ; rótulo aprovado Ácido acetilsalicílico: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=3ba0a9f2-062a-401e-82eb-54383a822366
A Sulfadoxina (sulfonamida) pode potenciar o efeito da Warfarina — risco hemorrágico.
As sulfonamidas, como a sulfadoxina, têm sido associadas ao aumento do efeito da warfarina por múltiplos mecanismos: inibição do CYP2C9 (metabolismo do S-warfarin ativo), deslocação da ligação proteica e, potencialmente, redução da flora intestinal produtora de vitamina K. A pirimetamina contribui menos, mas a associação é usada em conjunto na profilaxia e tratamento da malária. Recomenda-se monitorizar o INR no início e no fim do tratamento e ajustar a dose de warfarina; vigiar sinais de hemorragia.
A sulfadoxina (sulfonamida) pode inibir o metabolismo da warfarina e deslocar a fração livre, aumentando o INR. Monitorizar o INR durante e após o antimalárico.
Possível inibição do metabolismo da Warfarina e/ou deslocamento da ligação proteica.
INR e sinais de hemorragia.
Hemorragias, equimoses, fezes escuras.
Monitorizar o INR ao iniciar/parar e ajustar a dose.
OMS (WHO) — Directrizes da OMS para a malária: https://www.who.int/teams/global-malaria-programme/guidelines-for-malaria ; DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Warfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057
Metilxantina + anticoagulante: teofilina pode aumentar ligeiramente efeito da warfarina.
A teofilina pode competir parcialmente pelo metabolismo CYP1A2/CYP2C9 da warfarina, aumentando ligeiramente o INR. O efeito é geralmente modesto mas clinicamente relevante em doentes com INR already no limite superior. Monitorizar INR nas primeiras 2-3 semanas.
Teofilina pode aumentar ligeiramente efeito da warfarina. Monitorizar INR.
A teofilina pode competir parcialmente pelo metabolismo CYP1A2/CYP2C9 da warfarina, aumentando ligeiramente o INR.
INR.
Monitorizar INR nas primeiras 2-3 semanas após início/alteração de teofilina.
DailyMed/FDA; EMC-UK
Corticosteroide + anticoagulante: alteração do INR e risco hemorrágico.
Os corticosteroides sistémicos podem induzir CYP3A4, acelerando o metabolismo da warfarina e reduzindo o INR. O efeito é dose-dependente e mais pronunciado com doses altas (>20 mg/dia de prednisolona) e tratamentos prolongados (>2 semanas). Monitorizar INR durante e após疗程.
Corticosteroide pode induzir CYP3A4, reduzindo efeito da warfarina. Monitorizar INR.
Os corticosteroides podem potenciar ou reduzir o efeito da varfarina (efeito variável sobre a hemostase e a mucosa GI).
INR periódico e sintomas digestivos.
Melena, hematemese, hemorragia.
Monitorizar INR após início/ajuste de corticosteroide; considerar gastroprotecção.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Prednisolona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=52e6e21d-94b8-41a0-8d13-371c0e66bcee ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Cefalosporina + anticoagulante: pode potenciar efeito da warfarina.
Mecanismo idêntico à cefixima. Cefalosporinas reduzem síntese de vitamina K pela flora intestinal.
INR, sinais de hemorragia.
Hemorragia grave.
Monitorizar INR.
DailyMed/FDA; EMC-EMC PT
Cefalosporina + anticoagulante: pode potenciar efeito da warfarina.
Cefalosporinas reduzem síntese de vitamina K pela flora intestinal, potenciando o efeito anticoagulante.
INR, sinais de hemorragia.
Hemorragia grave.
Monitorizar INR durante e após curso de cefixima.
DailyMed/FDA; EMC-EMC PT
A flucloxacilina altera de forma imprevisível o efeito anticoagulante da warfarina (pode ↑ ou ↓ o INR), com risco de hemorragia ou trombose; o BNF classifica como interação grave.
Mecanismos combinados: ↓ flora intestinal sintetizadora de vitamina K (↑ INR) e indução enzimática do metabolismo da warfarina (↓ INR); BNF/NICE: "Flucloxacillin potentially alters the anticoagulant effect of warfarin. Manufacturer advises monitor INR and adjust dose. Severity: Severe".
INR frequente durante e 1–2 semanas após o curso; sinais hemorrágicos e trombóticos.
Equimoses, hemorragia gengival, urina escura (↑ INR) ou TVP/embolia (↓ INR).
Medir INR a 3–5 dias do início e após o fim do antibiótico; ajustar dose de warfarina; informar o doente sobre sinais hemorrágicos e trombóticos.
BNF/NICE — Warfarin interactions: flucloxacillin (Severity: Severe): https://bnf.nice.org.uk/interactions/warfarin/; EMC-UK — Flucloxacillin Capsules 500 mg SmPC [Flamingo Pharma], sec. 4.5: https://www.medicines.org.uk/emc/product/14151/smpc; DailyMed — rótulo Warfarin Sodium Tablet [RLD Coumadin]: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=654ca5d2-d4c1-48f8-90c4-130a21162bb0
A Griseofulvina pode reduzir o efeito anticoagulante da Warfarina, com diminuição do tempo de protrombina/INR.
A Griseofulvina pode aumentar o metabolismo hepático (CYP2C9) dos anticoagulantes cumarínicos.
INR basal e após 1–2 semanas de co-administração.
Diminuição do INR abaixo do intervalo terapêutico.
Medir o INR no início e ao fim do tratamento com griseofulvina; ajustar a dose de warfarina se necessário.
DailyMed — rótulo Gris-PEG (griseofulvin), secção Drug Interactions: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=f21314eb-3581-4e06-9fe7-8239cc80ba11
O miconazol em formulações orais (gel bucal) pode aumentar marcadamente o efeito da Warfarina, com risco de hemorragia grave e INR muito elevado.
O Miconazol é um potente inibidor do CYP2C9, a via principal do metabolismo da S-warfarina.
INR dentro de 3–5 dias após o início; sinais de hemorragia (gengivas, urina escura, fezes negras).
Equimoses espontâneas, hemorragia naso-oral, urina escura, fezes negras.
Evitar o gel oral de miconazol em doentes com warfarina; se imprescindível, preferir antifúngico tópico não azólico e monitorizar o INR de perto (inclusive ao fim de poucos dias).
DailyMed — rótulo Miconazole 3 Combination Pack (miconazole nitrate, uso vaginal tópico); para interação oral×warfarin ver EMC-UK — Daktarin Oral Gel SmPC (casos de INR >10 e hemorragia): https://www.medicines.org.uk/emc/product/1508
Clopidogrel + varfarina: risco acrescido de hemorragia — o QUADRO 2 recomenda evitar o uso concomitante (potenciação do efeito anticoagulante).
O clopidogrel inibe irreversivelmente a agregação plaquetária (P2Y12) e a varfarina reduz a síntese dos fatores de coagulação dependentes da vitamina K: os dois mecanismos são complementares e o efeito na hemostase é aditivo. O QUADRO 2 do Anexo 7 regista o clopidogrel entre os fármacos que aumentam o risco de hemorragia quando associados aos anticoagulantes orais, recomendando evitar o uso concomitante. Na prática, a dupla antiagregação com anticoagulação só se justifica em situações específicas (ex.: prótese mecânica com stent recente), e a duração deve ser a mínima possível. Os doentes de maior risco são os idosos, os com insuficiência renal ou hepática e os com história de hemorragia digestiva. Se a associação for inevitável, o INR deve ser mantido no limite inferior do intervalo terapêutico e o doente orientado para sinais de alarme (melena, equimoses espontâneas, hematúria).
Clopidogrel + varfarina: risco hemorrágico aditivo grave — o QUADRO 2 recomenda evitar o uso concomitante; se inevitável (ex.: prótese metálica + stent), usar pelo menor tempo possível com vigilância apertada.
O clopidogrel inibe a agregação plaquetária e a varfarina reduz os fatores de coagulação — efeito aditivo na hemostase, com aumento do risco hemorrágico (QUADRO 2, Clopidogrel: "Aumento do risco de hemorragia... Varfarina (evitar uso concomitante)").
Vigiar sinais de hemorragia e controlar o INR com frequência.
Hemorragia digestiva, hemorragia intracraniana, equimoses espontâneas, queda do hematócrito.
Evitar a associação sempre que possível; se inevitável (ex: prótese metálica + stent), usar com a menor duração possível e vigilância apertada.
Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012) — Anexo 7, QUADRO 2 (Clopidogrel)
A benzilpenicilina-benzatina (antibiótico β-lactâmico) pode alterar o INR em doentes anticoagulados com varfarina, com risco hemorrágico durante o tratamento antibiótico.
O rótulo da varfarina identifica os antibióticos, incluindo as penicilinas, como fármacos que podem alterar o INR em doentes anticoagulados. O mecanismo é múltiplo: redução da flora intestinal produtora de vitamina K, inibição metabólica, e a própria doença infeciosa que altera o estado de coagulação. Com a benzilpenicilina-benzatina (injeção IM de ação prolongada, ex.: profilaxia de febre reumática), o efeito sobre o INR pode ser menos previsível e mais tardio. Recomenda-se monitorizar o INR durante e após o tratamento antibiótico, vigiar sinais hemorrágicos e ajustar a dose de varfarina conforme os valores.
Varfarina + benzilpenicilina: os antibióticos podem alterar o INR (flora intestinal e enzimas). Monitorizar o INR.
Há relatos de alterações do INR em doentes a tomar varfarina e antibióticos; os estudos farmacocinéticos não mostram efeitos consistentes nas concentrações plasmáticas da varfarina, pelo que o mecanismo é multifatorial (possível redução da flora produtora de vitamina K e alteração da hemostase).
INR, sinais de hemorragia (gengivas, equimoses, melenas, hematúria).
Hemorragia inexplicada, hematúria, melenas, INR acima do intervalo terapêutico.
Monitorizar o INR de perto ao iniciar e ao suspender o antibiótico; ajustar a dose de varfarina conforme necessário durante a terapêutica antibiótica.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Varfarina (secção 7.4 Antibiotics and Antifungals): https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 ; rótulo aprovado Bicillin L-A: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=012d46f1-d0a0-4676-a879-cd320297ab16
Varfarina + cotrimoxazol: o sulfametoxazol+trimetoprim inibe o metabolismo da varfarina e desloca-a das proteínas, com aumento acentuado do INR e risco hemorrágico (QUADRO 2).
O sulfametoxazol inibe o metabolismo hepático da varfarina (S-varfarina, CYP2C9) e o trimetoprim desloca-a das proteínas plasmáticas: o resultado é um aumento rápido e por vezes acentuado do INR nos primeiros dias de antibiótico. O QUADRO 2 do Anexo 7 regista o cotrimoxazol entre os fármacos que aumentam o efeito dos anticoagulantes orais, e a associação é uma das causas clássicas de hemorragia grave por varfarina (digestiva, urinária, intracraniana). Sempre que houver alternativa, deve preferir-se outro antibiótico; se o cotrimoxazol for indispensável, a dose de varfarina deve ser reduzida de forma preventiva (tipicamente 25-50%) e o INR controlado diariamente ou em dias alternados durante o tratamento. O risco persiste enquanto durar o antibiótico e nos dias seguintes, pelo que a monitorização deve continuar após a suspensão.
Varfarina + cotrimoxazol: o sulfametoxazol+trimetoprim aumenta marcadamente o INR e o risco hemorrágico — preferir antibiótico alternativo; se necessário, reduzir a dose de varfarina e controlar o INR diariamente.
O sulfametoxazol+trimetoprim inibe o metabolismo da varfarina (sulfametoxazol) e desloca-a da proteína de transporte (trimetoprim), aumentando o efeito hipoprotrombinémico (QUADRO 2, Anticoagulantes orais: "Sulfametoxazol + Trimetoprim: inibem o metabolismo da varfarina e deslocam-na da proteína de transporte").
Monitorizar o INR diariamente ou em dias alternados durante o antibiótico.
INR marcadamente elevado, hemorragia grave (digestiva, urinária) após iniciar cotrimoxazol.
Preferir um antibiótico alternativo; se o cotrimoxazol for necessário, reduzir a dose de varfarina e controlar o INR de perto.
Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012) — Anexo 7, QUADRO 2 (Anticoagulantes orais)
Varfarina + cimetidina: a cimetidina aumenta o efeito anticoagulante da varfarina — o QUADRO 2 regista o aumento do efeito anticoagulante como interação documentada da cimetidina.
A cimetidina é um inibidor não seletivo do CYP450 (incluindo CYP2C9, a principal enzima que metaboliza o S-varfarina ativo), pelo que reduz a depuração da varfarina e eleva o INR de forma clinicamente relevante. O QUADRO 2 do Anexo 7 regista a cimetidina entre os fármacos que aumentam o efeito dos anticoagulantes orais. O efeito é dose-dependente e costuma surgir nos primeiros dias após iniciar a cimetidina. Os doentes com INR previamente estável são os mais expostos a hemorragia, sobretudo idosos e polimedicados. Se for necessário um anti-H2, preferir famotidina ou um inibidor da bomba de protões (sem interação relevante com o CYP2C9); se a cimetidina for mantida, reforçar a monitorização do INR e ajustar a dose da varfarina.
Warfarina + cimetidina: a cimetidina inibe o metabolismo da varfarina e aumenta o INR — risco hemorrágico; monitorizar INR ao iniciar, ajustar ou suspender a cimetidina.
A cimetidina inibe as enzimas microssomais hepáticas (CYP2C9 e outras) que metabolizam a varfarina, aumentando os seus níveis e o efeito anticoagulante (QUADRO 2, Cimetidina: "Varfarina: aumento do efeito anticoagulante").
Monitorizar o INR após iniciar/suspender a cimetidina.
INR acima do alvo ou hemorragia após iniciar cimetidina.
Preferir um antagonista H2 não inibidor (famotidina) ou um IBP; se a cimetidina for inevitável, reduzir a dose de varfarina e ajustar pelo INR.
Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012) — Anexo 7, QUADRO 2 (Cimetidina)
Varfarina + emulsão lipídica: a vitamina K dos lípidos pode reduzir o INR.
As emulsões lipídicas à base de óleo de soja (como o Intralipid) contêm vitamina K, que é o antídoto natural da varfarina: a vitamina K alimentar/intravenosa reativa os fatores de coagulação dependentes dela e reduz o efeito anticoagulante, baixando o INR. Em doentes anticoagulados a receber nutrição parentérica com emulsão lipídica, o aporte de vitamina K pode tornar o INR mais baixo e variável, aumentando o risco trombótico se não for compensado. Recomenda-se monitorizar o INR com mais frequência após iniciar (ou alterar) a emulsão lipídica e ajustar a dose de varfarina conforme os valores.
Varfarina + emulsão lipídica: a vitamina K dos lípidos de soja pode reduzir o INR. Monitorizar o INR.
As emulsões lipídicas contêm vitamina K, que antagoniza o efeito da varfarina.
INR periódico.
Sinais de trombose ou INR sub-terapêutico.
Monitorizar o INR durante a nutrição parentérica com lípidos.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 ; rótulo aprovado Emulsão lipídica: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=61e025f1-a38e-4af2-9e18-13ea12977cf5 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Varfarina + levotiroxina: a tiroxina acelera o catabolismo dos fatores da coagulação, aumentando o efeito da varfarina (QUADRO 2).
A função tiroideia influencia diretamente o turnover dos fatores de coagulação dependentes da vitamina K: no hipotiroidismo a degradação dos fatores é mais lenta, o que intensifica o efeito da varfarina; no hipertiroidismo ocorre o contrário. O QUADRO 2 do Anexo 7 regista esta interação na secção dos anticoagulantes orais. Na prática, ao iniciar ou ajustar a levotiroxina, a resposta à varfarina pode variar ao longo de semanas, acompanhando a normalização dos níveis de TSH. O risco é maior nos doentes com doses de varfarina estabilizadas que iniciam substituição tiroideia. Monitorizar o INR semanalmente durante o ajuste da levotiroxina e após atingir o eutiroidismo; alertar o doente para sinais de hemorragia ou trombose.
Levotiroxina + varfarina: alterações da função tiroideia modificam o efeito da varfarina — o hipotiroidismo aumenta e o hipertiroidismo diminui a resposta; monitorizar INR.
A tiroxina acelera o catabolismo dos fatores da coagulação dependentes da vitamina K e, no hipertiroidismo, aumenta a resposta ao anticoagulante (QUADRO 2, Anticoagulantes orais: "Tiroxina: acelera o catabolismo dos fatores da coagulação").
Monitorizar o INR após alterações da dose de levotiroxina.
INR elevado e hemorragia após iniciar/aumentar a levotiroxina.
Ao iniciar ou ajustar a levotiroxina em doentes anticoagulados, monitorizar o INR; ajustar a varfarina conforme necessário.
Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012) — Anexo 7, QUADRO 2 (Anticoagulantes orais)
Tomar tamoxifeno com varfarina pode aumentar muito o efeito anticoagulante e o risco de hemorragia. O médico deve vigiar o INR com mais frequência.
A SmPC do tamoxifeno (EMC-UK) refere um aumento significativo do efeito anticoagulante quando combinado com cumarínicos, e o rótulo DailyMed contraindica o uso em doentes que requeiram anticoagulação cumarínica concomitante (na indicação de redução de risco). O mecanismo envolve inibição do metabolismo dos cumarínicos e efeito aditivo sobre a hemostase. Na terapêutica adjuvante do cancro da mama, se a anticoagulação for indispensável, monitorizar o INR de forma apertada após o início do tamoxifeno (pode ser necessário reduzir a dose do anticoagulante).
O tamoxifeno potencia significativamente o efeito dos anticoagulantes cumarínicos; na prevenção primária do cancro da mama a associação é contraindicada. Monitorizar INR no início e após qualquer alteração de dose.
Inibição do metabolismo dos cumarínicos e efeito aditivo na hemostase.
INR periódico; sintomas hemorrágicos.
Melena, hematemese, equimoses espontâneas, hemorragia — assistência imediata.
Associar apenas se estritamente necessário; monitorizar INR 1–2 semanas após iniciar ou alterar o tamoxifeno e ajustar a dose do anticoagulante.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Tamoxifeno: https://www.medicines.org.uk/emc/product/101398/smpc ; DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 ; Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
O tiamazol pode aumentar o efeito da varfarina, elevando o risco de hemorragia. O INR deve ser vigiado com mais atenção durante o tratamento.
O rótulo aprovado do tiamazol (DailyMed) refere que, por potencial inibição da atividade da vitamina K, o fármaco pode aumentar a atividade dos anticoagulantes orais (ex.: varfarina), recomendando monitorização adicional da PT/INR, especialmente antes de procedimentos cirúrgicos. O efeito é mais relevante à medida que o hipertiroidismo é controlado, quando a clearance dos fármacos se altera.
O tiamazol pode inibir a atividade da vitamina K e potenciar os anticoagulantes orais; monitorizar PT/INR, sobretudo antes de procedimentos cirúrgicos.
Inibição da atividade da vitamina K e alteração da clearance hepática à medida que o estado eutiroide é alcançado.
INR periódico e sintomas hemorrágicos.
Melena, hematemese, equimoses — assistência imediata.
Monitorizar o INR após iniciar, ajustar ou suspender o tiamazol; considerar redução da dose do anticoagulante.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Tiamazol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=b53f84ac-4263-478c-883d-aca7ab44fef5 ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 ; Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A gliclazida pode aumentar o efeito da varfarina e o risco de hemorragia. O INR deve ser vigiado com mais frequência.
A SmPC da gliclazida (EMC-UK) refere que as sulfonilureias podem potenciar a anticoagulação durante o tratamento concomitante com cumarínicos (ex.: varfarina), podendo ser necessário ajustar a dose do anticoagulante. O mecanismo envolve deslocação da ligação proteica e inibição do metabolismo dos cumarínicos. A associação é frequente (diabetes tipo 2 e fibrilhação auricular).
As sulfonilureias podem potenciar a anticoagulação durante o tratamento concomitante; pode ser necessário ajustar a dose do anticoagulante. Monitorizar INR.
Deslocação da ligação proteica e inibição do metabolismo dos cumarínicos.
INR periódico e sintomas hemorrágicos.
Melena, hematemese, equimoses — assistência imediata.
Monitorizar o INR ao iniciar, ajustar ou suspender a gliclazida e ajustar a dose do anticoagulante.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Gliclazida: https://www.medicines.org.uk/emc/product/1321/smpc ; DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 ; Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Risco hemorrágico grave. Os AINE (Ibuprofeno) aumentam o risco de hemorragia gastrointestinal e potenciam o efeito anticoagulante da Warfarina.
O ibuprofeno aumenta o risco hemorrágico em doentes anticoagulados por dois mecanismos: lesão direta da mucosa gastrointestinal e inibição reversível da COX-1, que reduz o tromboxano A2 e prejudica a agregação plaquetária. O efeito sobre o INR é variável, mas o aumento do risco de hemorragia — em particular hemorragia gastrointestinal alta — está bem documentado mesmo com doses ocasionais de AINE. Em doentes a tomar varfarina, o paracetamol é a analgesia de primeira linha; se um AINE for indispensável, usar a menor dose eficaz pelo menor tempo, considerar proteção gástrica com inibidor da bomba de protões e manter vigilância de sinais de hemorragia (fezes escuras, equimoses espontâneas, hemorragias).
AINE + cumarínico: risco hemorrágico acentuado (hemorragia gastrointestinal e aumento variável do INR). Preferir paracetamol; se o AINE for inevitável, dose mínima, curso curto e proteção gástrica; vigiar sinais de hemorragia.
Lesão da mucosa gástrica + inibição plaquetária + deslocação da Warfarina da albumina.
INR e vigilância de sinais hemorrágicos; hemograma se suspeita de perda oculta.
Hematemeses, melenas, sangue nas fezes, hematomas extensos.
Evitar a associação. Usar Paracetamol; se um AINE for indispensável, avaliar proteção gástrica e INR apertado.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Warfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 ; rótulo aprovado Ibuprofeno: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=14515409-736f-4119-b6a0-cb19ee2e948e
A Amiodarona potencia o efeito anticoagulante da Warfarina, aumentando o INR e o risco hemorrágico.
A amiodarona é um inibidor potente do CYP2C9, a isoenzima que metaboliza o S-warfarin (o enantiómero mais ativo), além de inibir o CYP2C19 e o CYP3A4. O resultado é a subida acentuada do INR, que pode ocorrer logo nos primeiros dias mas continua a evoluir durante semanas porque a amiodarona tem uma semivida muito longa (20–100 dias) e acumula nos tecidos. O rótulo aprovado recomenda reduzir a dose de warfarina em 30–50% quando se inicia a amiodarona e monitorizar o INR de perto; o efeito persiste durante semanas ou meses após suspender a amiodarona, pelo que é preciso reajustar a warfarina nessa fase. Esta associação é frequente em doentes com fibrilhação auricular e exige disciplina no controlo do INR e vigilância de hemorragia.
A amiodarona inibe o CYP2C9 (e o CYP2C19/CYP3A4) e pode mais do que duplicar o INR. Reduzir a dose de warfarina em 30–50% ao iniciar, monitorizar o INR semanalmente e ajustar após suspender a amiodarona (efeito prolongado, semivida de semanas).
Inibe o CYP2C9, principal enzima que metaboliza a Warfarina.
INR semanal nas primeiras semanas após iniciar a Amiodarona.
Sangramento anormal, equimoses espontâneas, hemorragia gengival.
Reduzir a dose de Warfarina em 25–50% e monitorizar o INR com maior frequência.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=51a88e8e-da02-4b97-9e7e-442fbffd908d ; rótulo aprovado Warfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057
A Ampicilina (antibiótico de largo espetro) pode potenciar o efeito anticoagulante da Varfarina, com aumento do INR.
A ampicilina, como outros antibióticos de largo espectro, reduz a flora bacteriana intestinal que sintetiza vitamina K. Dado que a warfarina inibe a vitamina K epóxido redutase, a menor disponibilidade de vitamina K endógena traduz-se em aumento do INR e do risco hemorrágico. A interação é mais relevante em doentes com nutrição marginal, doença hepática ou antibioterapia prolongada. Recomenda-se monitorizar o INR durante o tratamento e após a sua conclusão e vigiar sinais de hemorragia; ajustar a dose de warfarina conforme o INR.
A ampicilina pode potenciar a warfarina por redução da flora intestinal produtora de vitamina K. Monitorizar o INR durante e após o antibiótico.
Redução da flora intestinal produtora de vitamina K, aumentando a resposta ao anticoagulante.
INR, sinais de hemorragia.
Hemorragia inexplicada, melena.
Monitorizar o INR ao iniciar/suspender a ampicilina; ajustar a dose de varfarina conforme necessário.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Ampicilina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=402e7cc7-5ae8-c113-e063-6394a90aa54a ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057
A associação de Atazanavir com Varfarina pode potenciar o efeito anticoagulante e aumentar o risco de hemorragia grave.
O atazanavir é um inibidor do CYP3A4 (e do UGT1A1), enzimas envolvidas no metabolismo dos dois enantiómeros da warfarina. A inibição pode aumentar a exposição à warfarina e elevar o INR, com risco hemorrágico acrescido. Como o atazanavir é usado em associação com ritonavir ou cobicistate (também inibidores), o efeito pode ser ainda mais pronunciado. Recomenda-se monitorizar o INR com frequência no início, durante e após a suspensão do antirretrovírico, e ajustar a dose de warfarina em conformidade.
O atazanavir inibe o CYP3A4 e o UGT1A1, podendo aumentar os níveis de warfarina e o INR. Monitorizar o INR ao iniciar, ajustar e suspender o atazanavir.
O Atazanavir inibe vias metabólicas da Varfarina; o rótulo alerta para o potencial de hemorragia grave e/ou potencialmente fatal na co-administração.
Vigiar sinais de hemorragia; doseamentos regulares do INR na introdução e em alterações de dose.
INR elevado com hemorragia ativa exige a suspensão imediata do anticoagulante e avaliação urgente.
Monitorizar o INR de forma frequente e ajustar a dose de Varfarina durante a co-administração.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Atazanavir: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=165cff62-b284-4a27-a65d-9ec8a5bfcdd8 ; rótulo aprovado Warfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
O Proguanil pode potenciar o efeito anticoagulante da Warfarina.
A atovaquona tem uma ligação muito elevada às proteínas plasmáticas (superior a 99%) e, ao competir pelos mesmos locais de ligação, pode deslocar a warfarina e aumentar a fração livre ativa, com elevação transitória do INR. A proguanil não parece contribuir de forma significativa, mas a associação é usada em conjunto. O efeito é habitualmente modesto e transitório, mas em doentes com INR limítrofe pode desencadear hemorragia. Recomenda-se monitorizar o INR no início e no fim da profilaxia e ajustar a dose se necessário.
A atovaquona liga-se extensamente às proteínas plasmáticas e pode deslocar a warfarina, aumentando transitoriamente o INR. Monitorizar o INR ao iniciar e suspender a profilaxia antimalárica.
Possível interação com o metabolismo hepático da Warfarina.
INR e sinais de hemorragia.
Hemorragias, equimoses, fezes escuras.
Monitorizar o INR ao iniciar/parar e ajustar a dose.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Atovaquona + Proguanil: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=fc22e8d8-3bfb-4f70-a599-dd81262a4887 ; rótulo aprovado Warfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057
A Azitromicina pode potenciar o efeito anticoagulante da Varfarina, com aumento do INR e risco hemorrágico (efeito variável e por vezes retardado).
A azitromicina, como os restantes macrólidos, pode aumentar o efeito da warfarina por dois mecanismos: redução da flora intestinal produtora de vitamina K e inibição (mais ligeira que a claritromicina e a eritromicina) do CYP3A4, que participa no metabolismo da warfarina. Os relatos clínicos com azitromicina são menos consistentes, mas existem casos de INR elevado e hemorragia. O rótulo da warfarina lista os macrólidos como fármacos que podem aumentar o efeito anticoagulante. Recomenda-se monitorizar o INR durante o ciclo antibiótico e nas semanas seguintes, ajustando a dose se necessário.
Macrólidos podem potenciar a warfarina (flora intestinal + inibição enzimática). O efeito da azitromicina é menos consistente que o da claritromicina/eritromicina, mas exige monitorizar o INR durante e após o antibiótico.
Mecanismo não totalmente esclarecido; a Azitromicina parece alterar o metabolismo ou a flora intestinal, potenciando o efeito anticoagulante da Varfarina, habitualmente nos primeiros dias ou semanas de associação.
Monitorizar o INR com maior frequência e sinais de hemorragia durante a terapêutica.
Sangramento, INR elevado ou hematomas espontâneos exigem avaliação urgente.
Vigiar o INR e ajustar a varfarina conforme necessário; vigiar sinais hemorrágicos durante e após a associação.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Azitromicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=db52b91e-79f7-4cc1-9564-f2eee8e31c45 ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057
A Ceftriaxona pode prolongar o tempo de protrombina e potenciar o efeito anticoagulante da Varfarina, sobretudo em tratamentos prolongados.
A ceftriaxona é uma cefalosporina de largo espectro que reduz a flora intestinal produtora de vitamina K. Sendo a warfarina um antagonista da vitamina K, a menor disponibilidade endógena do cofator aumenta o INR e o risco hemorrágico. O efeito é mais relevante em doentes desnutridos, idosos, com doença hepática ou com antibioterapia prolongada. Monitorizar o INR durante e após o tratamento e ajustar a dose de warfarina; vigiar sinais de hemorragia.
Cefalosporinas podem potenciar a warfarina por redução da flora intestinal produtora de vitamina K. Monitorizar o INR durante e após o antibiótico.
Risco de deficiência de vitamina K e alteração da síntese de fatores de coagulação com o uso prolongado; efeito aditivo com o anticoagulante.
Tempo de protrombina/INR, sinais de hemorragia.
Hemorragia inexplicada, equimoses extensas, melena.
Monitorizar PT/INR; considerar suplementação de vitamina K em utilização prolongada ou no idoso.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Ceftriaxona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9efed4c4-72a7-4669-88ae-c80e882c1b37 ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057
O Cetoconazol potencia o efeito anticoagulante da Varfarina, com aumento do risco hemorrágico.
O cetoconazol é um inibidor potente de várias isoenzimas do citocromo P450, incluindo o CYP2C9 (que metaboliza o S-warfarin ativo) e o CYP3A4 (que metaboliza o R-warfarin). A inibição resulta em níveis aumentados de warfarina, elevação do INR e risco hemorrágico significativo — o rótulo do cetoconazol e o da warfarina referem esta interação. Sempre que possível deve evitar-se a associação (existem alternativas antifúngicas com menos interações); se for inevitável, reduzir a dose de warfarina, monitorizar o INR com frequência no início e vigiar sinais de hemorragia.
O cetoconazol inibe o CYP2C9 e o CYP3A4 e pode aumentar muito o INR. Evitar se possível; se inevitável, reduzir a warfarina e monitorizar o INR de perto.
Inibição do CYP2C9 (e CYP3A4) pelo cetoconazol, reduzindo o metabolismo da varfarina e aumentando o INR.
INR, sinais de hemorragia (gengivas, equimoses, melenas).
Hemorragia inexplicada, hematúria, melena, hemorragia intracraniana.
Monitorizar o INR de forma mais frequente após iniciar/suspender o cetoconazol; ajustar a dose de varfarina conforme necessário.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Cetoconazol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=f162e616-21b4-49b1-b437-15e21001a6f0 ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A Ciprofloxacina pode potenciar o efeito anticoagulante da Varfarina, com aumento do INR e do risco hemorrágico.
A ciprofloxacina aumenta o efeito da warfarina por três vias: inibição do CYP1A2 e do CYP3A4 (enzimas que metabolizam a warfarina), redução da flora intestinal produtora de vitamina K e, potencialmente, deslocação da ligação proteica. Existem relatos de aumentos acentuados do INR e hemorragia grave, incluindo casos fatais, pelo que o rótulo da warfarina recomenda monitorizar o INR quando se inicia ou suspende uma fluoroquinolona. A interação é mais marcada em idosos e doentes com múltiplas comorbilidades. Monitorizar o INR com frequência durante e após o ciclo antibiótico e ajustar a dose.
A ciprofloxacina inibe o CYP1A2/CYP3A4 e reduz a flora intestinal, podendo aumentar muito o INR. Monitorizar o INR durante e após o antibiótico.
A Ciprofloxacina inibe a CYP1A2 e, em menor grau, a CYP3A4, reduzindo o metabolismo da Varfarina; a alteração da flora intestinal produtora de vitamina K contribui também para o efeito anticoagulante aumentado.
Monitorizar o INR com maior frequência e sinais de sangramento.
INR elevado, hemorragia ou equimoses espontâneas requerem avaliação imediata.
Vigiar o INR e ajustar a dose de varfarina durante a associação; reforçar a vigilância hemorrágica.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Ciprofloxacina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=57e5832f-9168-1f24-e063-6294a90aaae6 ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A Claritromicina inibe o CYP3A4 e pode potenciar o efeito anticoagulante da Varfarina, com aumento do INR e do risco hemorrágico.
A claritromicina é um inibidor potente do CYP3A4, a principal enzima do metabolismo do R-warfarin, e simultaneamente reduz a flora intestinal produtora de vitamina K. O resultado é a elevação do INR com risco hemorrágico acrescido, documentada em múltiplos relatos e referida nos rótulos aprovados. O efeito pode aparecer poucos dias após o início e persistir após a suspensão do antibiótico. Sempre que possível, escolher um antibiótico alternativo (ex.: azitromicina tem menor potencial de interação); se a claritromicina for necessária, monitorizar o INR com frequência e reduzir a dose de warfarina conforme necessário.
A claritromicina inibe o CYP3A4 e reduz a flora intestinal, podendo aumentar muito o INR e o risco de hemorragia. Monitorizar o INR durante e após o antibiótico; considerar alternativa.
A Claritromicina é um inibidor potente do CYP3A4; reduz o metabolismo da Varfarina, elevando as suas concentrações plasmáticas e o INR.
Vigiar o INR com frequência e sinais de hemorragia durante e após a associação.
Hemorragia ativa, INR marcadamente elevado ou hematomas novos exigem intervenção urgente.
Ajustar a dose de varfarina com base no INR; considerar uma alternativa antibiótica quando possível.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Claritromicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=d836ae7e-fdbf-4dcb-a90d-ede1dcbc3e67 ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A Cloroquina pode potenciar o efeito da Warfarina, aumentando o INR e o risco hemorrágico.
A cloroquina e os seus análogos podem inibir o metabolismo da warfarina e aumentar o INR, embora o mecanismo exato não esteja totalmente esclarecido (possível inibição do CYP2C9 e efeito na flora intestinal). Existem relatos de aumento do INR e hemorragia quando a cloroquina é adicionada à warfarina. Recomenda-se monitorizar o INR no início e no fim do tratamento antimalárico e ajustar a dose de warfarina; vigiar sinais de hemorragia, sobretudo em tratamentos prolongados (ex.: lúpus eritematoso sistémico, artrite reumatoide).
A cloroquina pode aumentar o efeito da warfarina (inibição do metabolismo). Monitorizar o INR ao iniciar e suspender o antimalárico.
Mecanismo não totalmente esclarecido; possível redução do clearance da Warfarina.
INR (mais frequente nas primeiras semanas) e sinais de hemorragia.
Hemorragias, equimoses fáceis, fezes escuras.
Monitorizar o INR após iniciar/parar a Cloroquina e ajustar a dose de Warfarina.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Cloroquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=06c69e2b-211b-4746-9f3a-f86d36520570 ; rótulo aprovado Warfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057
A associação de Efavirenz com Varfarina pode aumentar ou diminuir o efeito anticoagulante, com risco de hemorragia ou trombose.
O efavirenz é um indutor do CYP3A4 e do CYP2C9 (entre outras isoenzimas), acelerando o metabolismo da warfarina e reduzindo os seus níveis plasmáticos. O resultado habitual é a diminuição do INR, com risco de trombose se a dose não for ajustada; no entanto, o efeito é variável entre doentes e pode haver fases de instabilidade do INR em ambos os sentidos. Recomenda-se monitorizar o INR com frequência no início e na suspensão do efavirenz e ajustar a dose de warfarina em conformidade, alertando para sinais de tromboembolismo e de hemorragia.
O efavirenz induz o CYP2C9/CYP3A4 e pode REDUZIR o efeito da warfarina. Monitorizar o INR ao iniciar e suspender o antirretrovírico e ajustar a dose.
O Efavirenz, indutor enzimático, altera o metabolismo da Varfarina; o efeito líquido é variável entre doentes.
INR frequente na introdução e nas alterações de dose.
INR elevado ou sinais de hemorragia/trombose exigem ajuste do anticoagulante.
Monitorizar o INR e ajustar a dose de Varfarina durante a co-administração.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Efavirenz: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=92603fa5-7a2c-4bfb-9a70-aadb4fba952c ; rótulo aprovado Warfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A Eritromicina pode potenciar o efeito anticoagulante da Varfarina, com aumento do INR e do risco hemorrágico.
A eritromicina inibe o CYP3A4, enzima que metaboliza o R-warfarin, e reduz a flora intestinal produtora de vitamina K. Esta dupla ação aumenta o efeito anticoagulante, com elevação do INR e risco hemorrágico documentado em relatos clínicos e referido nos rótulos aprovados. O efeito pode ser rápido (dias) e persistir após o fim do antibiótico. Monitorizar o INR com frequência durante e após o tratamento e ajustar a dose de warfarina; considerar antibiótico alternativo quando possível.
A eritromicina inibe o CYP3A4 e reduz a flora intestinal, podendo aumentar muito o INR. Monitorizar o INR durante e após o antibiótico.
A Eritromicina inibe a CYP3A4 e a CYP1A2, reduzindo o metabolismo da Varfarina (sobretudo do isómero ativo); o aumento dos níveis do anticoagulante eleva o INR.
Monitorizar o INR com maior frequência e sinais de hemorragia (hematomas, gengivorragia, melenas).
Hemorragia, INR muito elevado ou sinais de sangramento exigem suspensão/ajuste e avaliação médica urgente.
Vigiar o INR e ajustar a dose de varfarina durante e após a antibioterapia; informar o doente do risco hemorrágico.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Eritromicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=49b3ca93-43cc-439c-8f5d-e3ea2e87ad2f ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
O Fluconazol potencia o efeito anticoagulante da Varfarina, com aumento significativo do INR e risco hemorrágico.
O fluconazol é um inibidor potente do CYP2C9, a isoenzima que metaboliza o S-warfarin ativo; o efeito é dose-dependente e mais marcado com doses elevadas (ex.: 400 mg/dia). A inibição aumenta os níveis de warfarina e o INR, com risco hemorrágico significativo — interação bem documentada e referida nos rótulos aprovados do fluconazol e da warfarina. Recomenda-se reduzir a dose de warfarina ao iniciar o fluconazol, monitorizar o INR com frequência e ajustar após a suspensão do antifúngico; vigiar sinais de hemorragia.
O fluconazol inibe o CYP2C9 e pode aumentar muito o INR. Monitorizar o INR de perto e reduzir a dose de warfarina ao iniciar o antifúngico.
Inibição do CYP2C9 pelo fluconazol, reduzindo o metabolismo da varfarina (isómero S ativo) e aumentando o INR.
INR, sinais de hemorragia (gengivas, equimoses, melenas).
Hemorragia inexplicada, hematúria, melena.
Monitorizar o INR com frequência (início e suspensão do fluconazol); reduzir a dose de varfarina conforme necessário.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Fluconazol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=7961c029-746c-48c3-888b-8f8344102873 ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A Hidroxicloroquina pode aumentar o efeito da Warfarina — risco hemorrágico.
A hidroxicloroquina, como a cloroquina, pode inibir o metabolismo da warfarina e aumentar o INR, embora o mecanismo não esteja totalmente esclarecido. Os relatos são mais frequentes em doentes com lúpus eritematoso sistémico ou artrite reumatoide em tratamento crónico, nos quais a interação se pode manifestar semanas após o início. Recomenda-se monitorizar o INR no início e na suspensão da hidroxicloroquina e ajustar a dose de warfarina; vigiar sinais de hemorragia.
A hidroxicloroquina pode aumentar o efeito da warfarina. Monitorizar o INR ao iniciar e suspender, sobretudo em tratamentos prolongados (lúpus, artrite reumatoide).
Possível inibição do metabolismo da Warfarina (CYP2C9).
INR e sinais de hemorragia.
Hemorragia, equimoses, fezes escuras.
Monitorizar o INR ao iniciar/parar e ajustar a dose.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Hidroxicloroquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=34496b43-05a2-45fb-a769-52b12e099341 ; rótulo aprovado Warfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057
A Isoniazida pode potenciar o efeito da Warfarina — aumento do INR e risco hemorrágico.
A isoniazida inibe várias isoenzimas do citocromo P450, incluindo o CYP2C9 e o CYP3A4, e pode reduzir o metabolismo da warfarina, aumentando o INR. O efeito é variável e coexiste com a complexidade dos esquemas antituberculosos (que incluem frequentemente a rifampicina, um indutor potente — a rede de interações é complexa e o INR pode oscilar nos dois sentidos). Recomenda-se monitorizar o INR com frequência ao iniciar, ajustar e suspender cada componente do esquema antituberculoso e ajustar a dose de warfarina conforme o resultado.
A isoniazida pode inibir o metabolismo da warfarina e aumentar o INR. Monitorizar o INR durante o tratamento da tuberculose e ajustar a dose.
Inibição do CYP2C9, principal via de metabolização da Warfarina.
INR, sinais de hemorragia.
Hemorragias, equimoses, fezes escuras.
Monitorizar o INR ao iniciar/parar a isoniazida e ajustar a dose.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Isoniazida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=93252cc8-c8d4-401b-bde5-ca8a3b57651e ; rótulo aprovado Warfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057
O Itraconazol potencia o efeito anticoagulante da Varfarina, com aumento do risco hemorrágico.
O itraconazol é um inibidor potente do CYP3A4 e também afeta o CYP2C9, enzimas envolvidas no metabolismo da warfarina. A inibição resulta em níveis aumentados de warfarina, elevação do INR e risco hemorrágico — interação referida nos rótulos aprovados. Sempre que possível, escolher um antifúngico alternativo com menor potencial de interação; se o itraconazol for inevitável, reduzir a dose de warfarina, monitorizar o INR com frequência no início e durante o tratamento e vigiar sinais de hemorragia.
O itraconazol inibe o CYP3A4 (e o CYP2C9) e pode aumentar muito o INR. Evitar se possível; se inevitável, reduzir a warfarina e monitorizar o INR de perto.
INR, sinais de hemorragia (gengivas, equimoses, melenas).
Hemorragia inexplicada, hematúria, melena.
Monitorizar o INR com frequência após iniciar/suspender o itraconazol; ajustar a dose de varfarina.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Itraconazol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=a4d555fa-787c-40fb-bb7d-b0d4f7318fd0 ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A Levofloxacina pode potenciar o efeito anticoagulante da Varfarina, com aumento do INR e do risco hemorrágico.
A levofloxacina, como as restantes fluoroquinolonas, pode potenciar a warfarina por redução da flora intestinal produtora de vitamina K e inibição de isoenzimas do citocromo P450 (CYP1A2 e CYP3A4), embora o seu potencial de inibição seja menor que o da ciprofloxacina. Existem relatos de elevação do INR e hemorragia. Recomenda-se monitorizar o INR durante e após o ciclo antibiótico e ajustar a dose de warfarina; o risco é maior em idosos e doentes com função hepática ou renal diminuída.
A levofloxacina pode aumentar o efeito da warfarina (inibição enzimática + flora intestinal). Monitorizar o INR durante e após o antibiótico.
As quinolonas (incluindo a levofloxacina) podem prolongar o tempo de protrombina em doentes medicados com anticoagulantes orais, por inibição metabólica e possível alteração da flora intestinal.
Vigiar o INR e sinais de hemorragia durante e após a terapêutica.
Sangramento ou INR elevado exigem avaliação médica urgente.
Monitorizar o INR e ajustar a dose de varfarina; informar o doente do risco hemorrágico.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Levofloxacina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5c6c117c-9d91-48f4-9aaa-ee70b99218c2 ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
O Metronidazol inibe o metabolismo da Varfarina, potenciando o seu efeito anticoagulante, com aumento do INR e do risco hemorrágico.
O metronidazol é um inibidor potente do CYP2C9, a enzima que metaboliza o S-warfarin ativo, e tem sido associado a aumentos acentuados do INR e hemorragia, incluindo casos graves. O efeito pode surgir poucos dias após o início do antibiótico. O rótulo da warfarina lista o metronidazol entre os fármacos que potenciam o seu efeito. Recomenda-se monitorizar o INR com frequência durante e após o tratamento, considerar reduzir a dose de warfarina e vigiar sinais de hemorragia; em doentes com INR limítrofe, a interação pode ser particularmente perigosa.
O metronidazol inibe o CYP2C9 e pode aumentar muito o INR. Monitorizar o INR durante e após o antibiótico e considerar redução da dose de warfarina.
O Metronidazol inibe as enzimas hepáticas (CYP2C9/CYP3A4) que metabolizam os anticoagulantes orais, elevando as concentrações da Varfarina e prolongando o tempo de protrombina.
Monitorizar o INR com frequência e sinais de hemorragia.
Hemorragia ativa, INR elevado ou hematomas novos exigem avaliação urgente.
Ajustar a dose de varfarina com base no INR e reforçar a vigilância hemorrágica durante e após a associação.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Metronidazol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=d5784eeb-6b99-4e8a-847b-b0d1090ed48a ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A associação de Nevirapina com Varfarina reduz o efeito anticoagulante da Varfarina, com risco de eventos trombóticos.
A nevirapina é um indutor do CYP3A4 e do CYP2B6 e pode acelerar o metabolismo da warfarina, reduzindo os seus níveis e o INR. O risco é a perda de anticoagulação e o tromboembolismo se a dose não for ajustada; o efeito indutor desenvolve-se ao longo de 2–4 semanas e persiste após a suspensão. Recomenda-se monitorizar o INR com frequência no início e no fim da nevirapina e ajustar a dose de warfarina em conformidade, alertando para sinais de trombose.
A nevirapina induz o CYP3A4/CYP2B6 e pode REDUZIR o efeito da warfarina. Monitorizar o INR ao iniciar e suspender o antirretrovírico.
A Nevirapina, como indutora do citocromo P450, aumenta o metabolismo da Varfarina, diminuindo as suas concentrações e o seu efeito.
Monitorização do INR na introdução e nas alterações de dose; sinais de tromboembolismo.
INR elevado com hemorragia ou sinais de trombose exigem ajuste imediato do anticoagulante.
Vigiar o INR e ajustar a dose de Varfarina sempre que a Nevirapina for iniciada, suspensa ou modificada.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Nevirapina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=fbd628db-4076-4fe0-8323-9cc33ae92e42 ; rótulo aprovado Warfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A Piperacilina + Tazobactam pode potenciar o efeito da Varfarina e interferir na hemostase, com risco hemorrágico.
A piperacilina-tazobactam é um antibiótico de largo espetro que reduz a flora intestinal produtora de vitamina K, diminuindo a disponibilidade do cofator da carboxilação dos fatores de coagulação dependentes de vitamina K. Como a warfarina atua pela inibição da vitamina K epóxido redutase, o efeito anticoagulante é potenciado e o INR sobe. O risco é maior em doentes críticos, desnutridos, com doença hepática ou tratamentos prolongados — contexto frequente do uso deste antibiótico. Monitorizar o INR durante e após o tratamento e ajustar a dose de warfarina; vigiar hemorragia.
A piperacilina-tazobactam pode potenciar a warfarina por redução da flora intestinal produtora de vitamina K. Monitorizar o INR durante e após o antibiótico.
Redução da flora produtora de vitamina K e disfunção plaquetar (a piperacilina pode prolongar o tempo de hemorragia), sobretudo em doses elevadas e na insuficiência renal.
INR, função renal, contagem plaquetar, sinais de hemorragia.
Hemorragia ativa, equimoses extensas, hemoptise/melena.
Monitorizar o INR e os sinais de hemorragia; considerar ajuste da varfarina e precaução em doentes renais ou com doses elevadas.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Piperacilina + Tazobactam: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=7aebc0e6-89db-4ef0-b5ab-d6b3199bcfc4 ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057
A Quinina pode aumentar o efeito da Warfarina — risco hemorrágico.
A quinina inibe o metabolismo da warfarina (CYP2C9 e CYP3A4) e, pela elevada ligação às proteínas plasmáticas, pode deslocar a fração livre ativa. O resultado é a elevação acentuada do INR com risco hemorrágico — interação bem documentada, com relatos de hemorragia grave em doentes que usam quinina (ou a bebida tónica com quinina em grandes quantidades) com warfarina. Recomenda-se monitorizar o INR com frequência durante o tratamento e após a suspensão, reduzir a dose de warfarina se necessário e alertar o doente para os sinais de hemorragia.
A quinina inibe o CYP2C9/CYP3A4 e liga-se extensamente às proteínas, podendo aumentar muito o INR. Monitorizar o INR de perto e considerar redução da dose de warfarina.
Inibição do metabolismo da Warfarina (CYP2C9) e possível deslocamento proteico.
INR frequente e sinais de hemorragia.
Hemorragias, equimoses, fezes escuras.
Monitorizar o INR e ajustar a dose.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Quinina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=1f32f05c-a215-40be-b951-e41a7b54a8a0 ; rótulo aprovado Warfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057
A Rifampicina acelera o metabolismo da Warfarina e reduz o INR — risco de trombose por anticoagulação insuficiente.
A rifampicina é um dos indutores enzimáticos mais potentes do CYP2C9 e do CYP3A4, as enzimas que metabolizam a warfarina. A indução acelera a eliminação da warfarina e reduz drasticamente o INR, com risco de tromboembolismo; estudos mostram reduções superiores a 50% na exposição à warfarina. Em alguns doentes é necessário duplicar ou mesmo triplicar a dose de warfarina, com monitorização frequente do INR, e reajustar a dose nas 1–2 semanas após suspender a rifampicina, porque o efeito indutor desaparece gradualmente e o INR pode então subir. Esta interação é particularmente relevante no tratamento da tuberculose em doentes anticoagulados.
A rifampicina é um indutor potente do CYP2C9/CYP3A4 e pode REDUZIR muito o efeito da warfarina (INR baixo, risco de trombose). Pode ser necessário duplicar ou triplicar a dose de warfarina com monitorização apertada.
INR semanal no início; sinais de trombose.
TVP/EP, AVC, isquemia dos membros.
Monitorizar o INR ao iniciar/parar a rifampicina e ajustar a dose.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Rifampicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=b389b1a3-672f-47e3-916c-4a9c044b211b ; rótulo aprovado Warfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057
A associação de Ritonavir com Varfarina pode alterar de forma imprevisível o efeito anticoagulante da Varfarina, com risco de hemorragia ou de eventos trombóticos.
O ritonavir tem um perfil farmacocinético complexo: é um inibidor potente do CYP3A4 e do CYP2D6, mas também um indutor de outras enzimas e transportadores. O efeito líquido na warfarina é variável e imprevisível entre doentes — a maioria dos relatos mostra aumento do INR, mas há casos de redução. Quando o ritonavir é usado em doses baixas como potenciador (com outros antirretrovíricos), o efeito é igualmente variável. Recomenda-se monitorizar o INR com frequência no início, durante e após a suspensão do ritonavir, ajustando a dose de warfarina conforme o resultado e alertando para sinais de hemorragia e de trombose.
O ritonavir inibe e induz várias isoenzimas do CYP; o efeito líquido na warfarina é imprevisível (habitualmente aumento do INR). Monitorizar o INR de perto ao iniciar e suspender.
Ritonavir é um potente inibidor do CYP3A4 e da glicoproteína-P; a Varfarina é metabolizada sobretudo pelo CYP2C9. O efeito líquido sobre as concentrações de Varfarina é variável (aumento ou redução) entre doentes, exigindo monitorização.
INR frequente no início e em cada alteração de dose; vigiar sinais de hemorragia (equimoses espontâneas, hemorragia gengival, hematúria) e sintomas de trombose.
INR acima de 3,5 ou hemorragia ativa exigem suspensão ou ajuste imediato do anticoagulante.
Manter monitorização do INR sempre que o Ritonavir for iniciado, suspenso ou ajustado; titular a dose de Varfarina com base no INR. Preferir, se possível, anticoagulantes com farmacocinética mais previsível.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Ritonavir: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=2849298e-de6e-47bb-8194-56e075b33fc3 ; rótulo aprovado Warfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
O Voriconazol potencia o efeito anticoagulante da Varfarina, com aumento do INR e risco hemorrágico.
O voriconazol é um inibidor do CYP2C9 (que metaboliza o S-warfarin ativo) e do CYP3A4, com efeito clinicamente relevante documentado: estudos com doses terapêuticas mostraram aumentos substanciais do INR e da exposição à warfarina quando o voriconazol é adicionado. O rótulo do voriconazol recomenda monitorizar o INR e ajustar a dose de warfarina. A interação é particularmente relevante em doentes com aspergilose invasiva, muitas vezes já em estado clínico frágil. Monitorizar o INR com frequência no início e na suspensão do voriconazol e vigiar sinais de hemorragia.
O voriconazol inibe o CYP2C9/CYP3A4 e pode aumentar muito o INR. Monitorizar o INR de perto e considerar redução da dose de warfarina.
Inibição do CYP2C9 pelo voriconazol, reduzindo o metabolismo da varfarina.
INR, sinais de hemorragia.
Hemorragia inexplicada, melena.
Monitorizar o INR com frequência; ajustar a dose de varfarina conforme necessário.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Voriconazol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=f6a1a792-141b-42e8-8bd1-884e4408eb8a ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Colchicina + anticoagulante: possível aumento do efeito anticoagulante.
A colchicina é substrato e inibidor do CYP3A4, enzima envolvida no metabolismo da warfarina; a inibição pode reduzir a clearance da warfarina e aumentar o INR. A interação é relevante sobretudo em tratamentos prolongados (ex.: profilaxia da gota, febre mediterrânica familiar), nos quais o efeito se acumula. Recomenda-se monitorizar o INR ao iniciar a colchicina e após ajustes, e vigiar sinais de hemorragia; em doentes com insuficiência renal ou hepática, o risco de toxicidade de ambos os fármacos aumenta.
A colchicina inibe o CYP3A4 e pode aumentar os níveis de warfarina e o INR. Monitorizar o INR ao iniciar e ajustar a dose.
A colchicina pode interferir com o metabolismo/efeito da varfarina, com elevação do INR.
INR periódico durante a associação.
Hemorragia, equimoses espontâneas.
Monitorizar INR após introdução ou alteração de dose de colchicina.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Colchicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5ae87893-a065-468e-b8da-f1db86afcaef ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A transição dabigatrano-varfarina deve ser feita com protocolo para evitar sub ou sobre-anticoagulação.
A associação de warfarina e dabigatrano (dois anticoagulantes com mecanismos diferentes — antagonismo da vitamina K e inibição direta da trombina) não tem indicação terapêutica e multiplica o risco de hemorragia major, incluindo hemorragia intracraniana. A transição entre os dois fármacos deve seguir protocolo: ao mudar de warfarina para dabigatrano, suspender a warfarina e iniciar o dabigatrano quando o INR estiver abaixo do limiar; ao contrário, iniciar a warfarina alguns dias antes de suspender o dabigatrano, monitorizando o INR. A dupla anticoagulação pode ocorrer transitoriamente em transições mal geridas ou por erro de medicação — alertar o doente para sinais de hemorragia.
Dois anticoagulantes em simultâneo: risco hemorrágico aditivo. Não associar; a transição entre warfarina e dabigatrano exige protocolo (suspender um, iniciar o outro com INR/coagulação controlada).
A troca requer coordenação entre o efeito imediato do dabigatrano e o início retardado da varfarina.
Monitorizar INR e sinais hemorrágicos durante a transição.
INR supraterapêutico ou hemorragia na transição.
Seguir o esquema de transição da SmPC; ajustar com o INR.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Dabigatrano: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=f7ea7e2c-ca54-4ecc-9fc7-bd3571b0ebc2 ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Corticosteroide + anticoagulante: alteração do INR e risco hemorrágico.
Os corticosteroides, incluindo a dexametasona, podem modificar a resposta à warfarina em ambos os sentidos: a maioria dos relatos mostra redução do INR (possivelmente por indução enzimática e retenção de fluidos), mas existem casos de aumento do efeito, e a resposta é imprevisível entre doentes. A interação é mais relevante em ciclos prolongados ou em doses altas. Recomenda-se monitorizar o INR com frequência ao iniciar, ajustar e suspender a dexametasona e ajustar a dose de warfarina conforme o resultado; o INR deve ser reavaliado após a suspensão do corticosteroide.
Os corticosteroides podem alterar o efeito da warfarina (habitualmente redução do INR por indução, mas com variabilidade). Monitorizar o INR ao iniciar, ajustar e suspender a dexametasona.
Os corticosteroides podem potenciar ou reduzir o efeito da varfarina (efeito variável sobre a hemostase e a mucosa GI).
INR periódico e sintomas digestivos.
Melena, hematemese, hemorragia.
Monitorizar INR após início/ajuste de corticosteroide; considerar gastroprotecção.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Dexametasona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=7cbd9005-7df2-47ee-adb3-7244c1c69bc3 ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
AINE + anticoagulante: aumento do risco hemorrágico.
O diclofenac, como os restantes AINEs, aumenta o risco hemorrágico em doentes com warfarina por três vias: inibição reversível da agregação plaquetária, lesão da mucosa gástrica (risco de úlcera e hemorragia digestiva) e possível interferência com a farmacocinética da warfarina. O risco de hemorragia gastrointestinal grave com a associação AINE + anticoagulante é substancial e bem documentado. Sempre que possível, usar analgésicos alternativos (paracetamol em dose controlada); se o diclofenac for inevitável, usar a menor dose eficaz pelo menor tempo, considerar gastroproteção (IBP) e monitorizar o INR e os sinais de hemorragia.
AINE + warfarina: aumento do risco hemorrágico (GI e geral). Evitar AINEs em anticoagulados; se inevitável, usar a menor dose, gastroproteção e monitorizar o INR.
O diclofenac inibe a COX, a agregação plaquetária e pode interagir com a varfarina, potenciando a anticoagulação.
INR e sintomas digestivos.
Melena, hematemese, equimoses.
Usar a menor dose de AINE possível; considerar gastroprotecção e vigiar hemorragias.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Diclofenac: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=2d45648f-cbea-41a4-8e3e-007b7bb7912c ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A epoetina alfa pode alterar a resposta à varfarina; vigiar o INR quando se ajusta a dose de eritropoietina.
A epoetina alfa estimula a eritropoiese e pode alterar a resposta à warfarina: a produção acelerada de eritrócitos aumenta o consumo de vitamina K (necessária à síntese dos fatores de coagulação) e pode reduzir o INR, exigindo por vezes aumento da dose de warfarina. Há também relatos de variação em ambos os sentidos. A interação é mais relevante em doentes com insuficiência renal crónica em tratamento prolongado com epoetina. Recomenda-se monitorizar o INR com frequência ao iniciar e ajustar a epoetina e durante o tratamento, ajustando a dose de warfarina conforme necessário.
A epoetina pode reduzir o efeito anticoagulante da warfarina (possível aumento do hematócrito e consumo de vitamina K). Monitorizar o INR durante o tratamento com eritropoietina.
A melhoria da eritropoiese e a variação do hematócrito podem alterar a farmacodinâmica da varfarina.
Vigiar INR e sinais de hemorragia ou trombose.
INR instável, eventos trombóticos (trombose de acesso vascular).
Monitorizar o INR com maior frequência ao iniciar ou ajustar a epoetina.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Epoetina alfa: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=1f2d0b28-9cc5-4523-80b8-637fdaf3f7a5 ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A associação de Fenitoína com Varfarina reduz o efeito anticoagulante da Varfarina, com risco de eventos trombóticos.
A interação fenitoína-warfarina é uma das mais complexas da farmacologia clínica: a fenitoína induz o CYP2C9 e o CYP2C19 (o que pode reduzir o efeito da warfarina) mas também compete com a warfarina pela ligação às proteínas plasmáticas, e a própria warfarina inibe o metabolismo da fenitoína, elevando os seus níveis e o risco de toxicidade neurológica (nistagmo, ataxia, sedação). O resultado líquido no INR é imprevisível e pode oscilar nas primeiras semanas. Recomenda-se monitorizar o INR e os níveis séricos de fenitoína no início e sempre que se ajuste qualquer dos fármacos, com ajustes graduais das doses.
Interação complexa e bidirecional: a fenitoína induz e inibe o CYP2C9 e a warfarina aumenta os níveis de fenitoína. Monitorizar INR e níveis de fenitoína ao iniciar, ajustar e suspender.
A Fenitoína, indutora enzimática, acelera o metabolismo da Varfarina, diminuindo as suas concentrações e o seu efeito anticoagulante.
INR frequente na introdução e em alterações de dose; sinais de tromboembolismo.
INR sub-otimizado ou eventos trombóticos exigem ajuste da dose de Varfarina.
Monitorizar o INR e ajustar a dose de Varfarina durante a co-administração.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Fenitoína: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=ef4e97a7-cd18-47a9-a016-2eca5481a87e ; rótulo aprovado Warfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A associação de Fenobarbital com Varfarina reduz o efeito anticoagulante da Varfarina, com risco de eventos trombóticos.
O fenobarbital é um indutor potente do CYP2C9, CYP2C19 e CYP3A4, as enzimas que metabolizam a warfarina, e acelera a sua eliminação — o efeito anticoagulante diminui e o INR desce, com risco de tromboembolismo se a dose não for ajustada. O efeito indutor demora 1–3 semanas a desenvolver-se plenamente e persiste várias semanas após a suspensão do fenobarbital, altura em que o INR pode subir acentuadamente. Recomenda-se monitorizar o INR com frequência ao iniciar, durante e após o fenobarbital, aumentando a dose de warfarina conforme necessário e reajustando-a na fase de suspensão.
O fenobarbital induz fortemente o CYP2C9/CYP3A4 e pode REDUZIR muito o efeito da warfarina. Pode ser necessário aumentar a dose de warfarina com monitorização apertada; reajustar após suspender.
O Fenobarbital, indutor enzimático, acelera o metabolismo da Varfarina, diminuindo o seu efeito anticoagulante.
INR frequente na introdução e em alterações de dose.
INR sub-otimizado ou eventos trombóticos exigem ajuste do anticoagulante.
Monitorizar o INR e ajustar a dose de Varfarina durante a co-administração.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Fenobarbital: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=fa09b4f2-edb0-4594-a2d2-b16f7b9686b4 ; rótulo aprovado Warfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A fitomenadiona (vitamina K1) antagoniza o efeito anticoagulante da varfarina, reduzindo o INR.
A fitomenadiona (vitamina K1) é o antídoto da warfarina: repõe o cofator necessário à carboxilação dos fatores II, VII, IX e X e reverte o efeito anticoagulante, reduzindo o INR em horas. Esta interação é intencional na reversão de INR supraterapêutico ou hemorragia, mas acidental (ex.: suplementos multivitamínicos, alimentação rica em vitamina K) causa instabilidade do INR e risco de trombose. Após a administração de vitamina K, a warfarina pode demorar dias a semanas a voltar ao efeito terapêutico, e a dose deve ser reajustada com monitorização do INR. Em doentes anticoagulados, aconselhar consistência na ingestão de vitamina K e rever suplementos.
A vitamina K (fitomenadiona) antagoniza diretamente a warfarina e reduz o INR — é o antídoto usado na reversão. Administrar apenas com indicação (INR supraterapêutico ou hemorragia) e monitorizar a re-anticoagulação.
A vitamina K repõe o substrato dos fatores II, VII, IX e X, revertendo o bloqueio da varfarina.
Monitorizar o INR e sinais de trombose após a reversão.
INR subterapêutico ou eventos trombóticos após reversão excessiva.
Usar a vitamina K1 conforme indicação (reversão, correção de INR supraterapêutico); reavaliar o INR 24 h após.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Fitomenadiona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=0c7ef968-2c76-4220-a9ec-3179d243c422 ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Leflunomida + anticoagulante: possível aumento do efeito anticoagulante.
A leflunomida (e o seu metabolito ativo teriflunomida) tem sido associada ao aumento do INR em doentes anticoagulados com warfarina, com relatos de hemorragia grave. O mecanismo não está totalmente esclarecido, mas envolve provavelmente interferência com o metabolismo da warfarina. O efeito pode aparecer semanas após o início da leflunomida. Recomenda-se monitorizar o INR com frequência ao iniciar a leflunomida e após ajustes de dose, e vigiar sinais de hemorragia; em caso de necessidade de suspensão rápida, considerar o procedimento de washout com colestiramina previsto no rótulo.
A leflunomida pode aumentar o INR em doentes com warfarina. Monitorizar o INR ao iniciar e ajustar a dose; casos de hemorragia grave descritos.
A leflunomida pode inibir o metabolismo da varfarina, elevando o INR.
INR periódico durante a associação.
Hemorragia, equimoses espontâneas.
Monitorizar INR após início ou alteração de dose de leflunomida.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Leflunomida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=fc044417-cd9a-42f6-8a3d-a14e7c2f81a2 ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
O metamizol pode potenciar o efeito dos anticoagulantes orais, aumentando o risco hemorrágico.
O metamizol (dipirona) pode aumentar o efeito da warfarina por interação farmacocinética (inibição do metabolismo, com elevação do INR) e por um efeito antiagregante plaquetário próprio; foram descritos casos de hemorragia grave, incluindo hemorragia gastrointestinal. A EMA, na revisão do metamizol, refere a necessidade de monitorização do INR em doentes anticoagulados. Recomenda-se, sempre que possível, usar analgésicos alternativos (paracetamol em dose controlada); se o metamizol for utilizado, monitorizar o INR com frequência e alertar para sinais de hemorragia.
O metamizol pode potenciar a warfarina (interação farmacocinética e efeito antiagregante). Monitorizar o INR e vigiar hemorragia; preferir paracetamol como analgésico de primeira linha.
Mecanismo não totalmente esclarecido; o metamizol pode potenciar o efeito dos cumarínicos e aumentar o risco de hemorragia gastrointestinal.
INR, equimoses, hemorragias, queda do valor de hemoglobina.
INR acima do alvo ou hemorragia ativa exigem ajuste do anticoagulante.
Monitorizar o INR e sinais de hemorragia; se possível, preferir paracetamol como analgésico.
EMA — Metamizole (referência Article 31): https://www.ema.europa.eu/en/medicines/human/referrals/metamizole-containing-medicinal-products ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012) e SmPC nacional Analgin 500 mg (HALMED)
AINE + anticoagulante: aumento do risco hemorrágico (gastrointestinal e sistémico).
O naproxeno, como os restantes AINEs, aumenta o risco hemorrágico em doentes com warfarina: inibe a agregação plaquetária (de forma prolongada, dada a sua semivida longa), lesa a mucosa gástrica e pode interferir com a farmacocinética da warfarina. A associação AINE + anticoagulante está associada a um risco substancial de hemorragia gastrointestinal grave. Sempre que possível, usar analgésicos alternativos; se o naproxeno for inevitável, usar a menor dose eficaz pelo menor tempo, considerar gastroproteção e monitorizar o INR e os sinais de hemorragia.
AINE + warfarina: aumento do risco hemorrágico (GI e geral). Evitar AINEs em anticoagulados; se inevitável, menor dose, gastroproteção e monitorizar o INR.
Os AINE inibem a COX e a agregação plaquetária e podem deslocar a Varfarina da ligação proteica, potenciando o efeito anticoagulante.
INR com maior frequência durante a introdução do AINE; avaliar hemograma e sintomas digestivos.
Sangue nas fezes/melena, hematemese, hemorragia cutânea ou mucosas.
Usar a menor dose de AINE pelo menor tempo; considerar gastroprotecção (IBP). Vigiar sinais de hemorragia.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Naproxeno: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=24d44eb6-921e-4150-a6b2-81f42ced32ab ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
O omeprazol pode aumentar ligeiramente o efeito da varfarina, com risco de elevação do INR.
O omeprazol é um inibidor do CYP2C19, enzima que participa no metabolismo do R-warfarin; a inibição pode reduzir a clearance da warfarina e elevar o INR, embora o efeito seja geralmente modesto e variável entre doentes. Outros inibidores da bomba de protões com menos afinidade pelo CYP2C19 (ex.: pantoprazol) são por vezes preferidos em doentes anticoagulados. Recomenda-se monitorizar o INR quando se inicia ou suspende o omeprazol, sobretudo em doentes com INR limítrofe ou polimorfismos genéticos relevantes, e ajustar a dose conforme necessário.
O omeprazol inibe o CYP2C19 e pode aumentar ligeiramente o INR (habitualmente modesto, mas relevante em doentes sensíveis). Monitorizar o INR ao iniciar o IBP.
O omeprazol inibe o CYP2C19 e pode alterar o metabolismo da varfarina (isómero R).
Monitorizar INR com maior frequência.
Hemorragia por INR supraterapêutico.
Monitorizar o INR ao iniciar ou suspender o omeprazol.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Omeprazol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=6ea9a6f3-b756-4cdf-b3db-f666a2c17d66 ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
O orlistato pode reduzir a absorção da vitamina K e alterar o INR em doentes a tomar varfarina.
O orlistat inibe as lipases gastrointestinais e reduz a absorção das gorduras da dieta e das vitaminas lipossolúveis, incluindo a vitamina K. Como a warfarina é um antagonista da vitamina K, a menor disponibilidade do cofator pode aumentar o efeito anticoagulante e o INR; casos de INR elevado e hemorragia foram descritos, sobretudo nas primeiras semanas de tratamento. Recomenda-se monitorizar o INR no início e durante o tratamento com orlistat e ajustar a dose de warfarina; manter ingestão consistente de vitamina K e vigiar sinais de hemorragia.
O orlistat reduz a absorção de gorduras e vitaminas lipossolúveis, incluindo a vitamina K, podendo aumentar o INR. Monitorizar o INR ao iniciar e durante o tratamento.
A diminuição da absorção de vitamina K lipossolúvel interfere com a síntese dos fatores de coagulação dependentes da vitamina K.
Vigiar sinais de hemorragia e o INR.
Hemorragia ou eventos trombóticos por INR instável.
Monitorizar o INR com maior frequência ao iniciar, ajustar ou suspender o orlistato.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Orlistato: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=a2d3bd73-f3af-4ea5-a57c-66b0004cfe4f ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
O uso regular e prolongado de Paracetamol (> ~1-2 g/dia durante dias) pode elevar o efeito anticoagulante da Warfarina (INR), sobretudo em uso contínuo.
O paracetamol é o analgésico preferido em doentes anticoagulados por não ter o risco hemorrágico gastrointestinal dos AINEs, mas em doses elevadas ou uso prolongado pode aumentar o INR: o mecanismo envolve a depleção de glutatião e a interferência com a síntese dos fatores de coagulação dependentes de vitamina K (o metabolito NAPQI inibe a carboxilação dependente de vitamina K). Estudos mostram elevações do INR com doses ≥ 2 g/dia mantidas por vários dias. Recomenda-se usar a menor dose eficaz, não exceder 2–3 g/dia de forma continuada e monitorizar o INR em doentes que usam paracetamol cronicamente.
O paracetamol em doses elevadas ou uso prolongado (>2 g/dia durante dias) pode aumentar o INR. Usar a menor dose eficaz e monitorizar o INR; o paracetamol é o analgésico preferido face aos AINEs.
Mecanismo ainda incompletamente esclarecido: possível interferência no metabolismo de vitamina K e dos fatores de coagulação.
INR regular em doentes que usam Paracetamol diariamente há mais de uma semana.
Sangramento incomum, hematomas espontâneos, gengivorragia, melaena.
Não contraindicado no uso pontual. Em uso crónico, vigiar o INR e ajustar a dose de Warfarina se necessário.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Paracetamol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=4c737cd6-fe56-4cef-887c-cd6cf83b254c ; rótulo aprovado Warfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057
A transição entre rivaroxabano e varfarina requer sobreposição controlada; a toma simultânea prolongada aumenta a hemorragia.
A associação de warfarina e rivaroxabano (antagonista da vitamina K + inibidor direto do fator Xa) não tem indicação terapêutica e aumenta substancialmente o risco de hemorragia major, incluindo hemorragia intracraniana. A transição entre os dois fármacos deve seguir protocolo: ao mudar de warfarina para rivaroxabano, suspender a warfarina e iniciar o rivaroxabano quando o INR estiver abaixo do limiar (geralmente < 3,0); ao contrário, iniciar a warfarina em sobreposição com o rivaroxabano até o INR estar no intervalo terapêutico, suspendendo depois o rivaroxabano. A dupla anticoagulação prolongada é um erro de medicação — alertar o doente para sinais de hemorragia.
Dois anticoagulantes em simultâneo: risco hemorrágico aditivo. Não associar; a transição entre warfarina e rivaroxabano exige protocolo com INR controlado.
A sobreposição duplica a anticoagulação; o efeito do rivaroxabano sobrepõe-se à varfarina antes de esta atingir o INR-alvo.
Monitorizar o INR conforme o protocolo de transição e sinais de hemorragia.
INR supra-terapêutico, hemorragia ativa durante a transição.
Seguir o esquema de transição da SmPC: varfarina + rivaroxabano durante 2 dias até INR ≥ 2,0 (e vice-versa).
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Rivaroxabano: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=481b7802-5093-43e7-bbd9-1532197eb6e6 ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A associação de Valproato com Varfarina pode aumentar o efeito anticoagulante e o risco de hemorragia.
O valproato liga-se extensamente às proteínas plasmáticas (90% ou mais) e pode deslocar a warfarina dos seus locais de ligação, aumentando a fração livre ativa e o efeito anticoagulante; pode também interferir com o metabolismo da warfarina. Existem relatos de elevação do INR e hemorragia quando o valproato é adicionado à warfarina. Recomenda-se monitorizar o INR no início e durante o tratamento e ajustar a dose de warfarina; o efeito é mais relevante em doentes com hipoalbuminemia (idosos, doença hepática), nos quais a fração livre de ambos os fármacos é maior.
O valproato liga-se às proteínas plasmáticas e pode deslocar a warfarina, aumentando o INR. Monitorizar o INR ao iniciar e ajustar a dose.
O Valproato desloca a Varfarina das proteínas plasmáticas, podendo aumentar a fração livre e o efeito anticoagulante.
Monitorizar o INR e os sinais de hemorragia.
INR elevado ou hemorragia ativa exigem ajuste do anticoagulante.
Monitorizar o INR e vigiar sinais de hemorragia.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Valproato: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=a33f7657-ad0f-43e9-ba48-024746e6d08e ; rótulo aprovado Warfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Tetraciclina + Varfarina: as tetraciclinas podem deprimir a atividade da protrombina; pode ser necessário reduzir a dose do anticoagulante.
As tetraciclinas demonstraram deprimir a atividade da protrombina plasmática, potenciando o efeito dos anticoagulantes orais como a varfarina. Em doentes em terapêutica anticoagulante que iniciem tetraciclina, pode ser necessário reduzir a dose do anticoagulante. O INR deve ser vigiado de perto no início e no fim do antibiótico, e o doente alertado para sinais de hemorragia — sangramento gengival, hematomas ou fezes escuras. A interação é relevante sobretudo em idosos e doentes com INR instável.
Tetraciclina + varfarina: as tetraciclinas deprimem a protrombina — ajustar a dose do anticoagulante e vigiar o INR.
As tetraciclinas demonstraram deprimir a atividade da protrombina plasmática, potenciando o efeito dos anticoagulantes orais.
Vigiar INR e sinais de hemorragia.
Sangramento, hematomas ou INR acima do alvo.
Vigiar o INR durante a associação e ajustar a dose da varfarina conforme necessário.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Tetraciclina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=02e88b4a-57ae-4ef6-ba48-97c657202b94 ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057
Minociclina + Varfarina: as tetraciclinas podem deprimir a atividade da protrombina; pode ser necessário reduzir a dose do anticoagulante.
Tal como as restantes tetraciclinas, a minociclina pode deprimir a atividade da protrombina plasmática e potenciar o efeito dos anticoagulantes orais. Em doentes em varfarina que iniciem minociclina, o INR deve ser vigiado no início e no fim do antibiótico, com ajuste da dose do anticoagulante conforme necessário. Alertar o doente para sinais de hemorragia (sangramento gengival, hematomas, fezes escuras), sobretudo em idosos ou com INR instável.
Minociclina + varfarina: as tetraciclinas deprimem a protrombina — ajustar a dose do anticoagulante e vigiar o INR.
As tetraciclinas demonstraram deprimir a atividade da protrombina plasmática, potenciando o efeito dos anticoagulantes orais.
Vigiar INR e sinais de hemorragia.
Sangramento, hematomas ou INR acima do alvo.
Vigiar o INR durante a associação e ajustar a dose da varfarina conforme necessário.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Minociclina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=a5fc4d50-50b2-46e0-b722-4c6b2ec47d06 ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057
Flutamida + varfarina: a flutamida pode aumentar o efeito anticoagulante (tempo de protrombina) — vigiar o INR.
O rótulo da flutamida documenta aumentos do tempo de protrombina em doentes a receber varfarina ("Increases in prothrombin time have been noted in patients receiving warfarin therapy"), e o prontuário regista o mesmo ("Aumenta o efeito da varfarina"). O mecanismo não está totalmente esclarecido, mas o efeito traduz-se em risco hemorrágico acrescido. O doente com cancro da próstata em terapêutica combinada com varfarina (ex.: por fibrilhação auricular ou tromboembolismo) deve fazer INR frequente nas primeiras semanas da associação e após qualquer alteração de dose de qualquer um dos fármacos. Ajustar a dose da varfarina ao valor-alvo e instruir o doente a vigiar sinais de hemorragia (gengivas, epistaxe, equimoses, fezes escuras).
Flutamida + varfarina: monitorizar o INR ao iniciar ou ajustar a flutamida — pode aumentar o efeito anticoagulante.
O rótulo FDA da flutamida documenta: "Increases in prothrombin time have been noted in patients receiving warfarin therapy". O prontuário confirma: "Aumenta o efeito da varfarina". O mecanismo não está totalmente esclarecido, mas a associação exige monitorização do INR.
INR frequente durante as primeiras semanas de associação e após qualquer alteração de dose.
Hemorragias (gengivas, epistaxe, equimoses), urina ou fezes escuras, INR acima do alvo.
Monitorizar o INR ao iniciar, ajustar ou suspender a flutamida em doentes anticoagulados com varfarina; ajustar a dose da varfarina conforme necessário.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Flutamida (EULEXIN): https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=0a905e25-42b6-4937-a689-f01a8f22e644 ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 ; Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012) — Flutamida, 16.2.2.2
Megestrol + varfarina: o megestrol pode aumentar o INR — monitorizar de perto a anticoagulação.
O rótulo do megestrol é explícito: "Megestrol acetate may interact with warfarin and increase International Normalized Ratio (INR). Closely monitor INR in patients taking megestrol acetate and warfarin". O mecanismo não está totalmente esclarecido, mas o efeito no INR pode ser clinicamente relevante, sobretudo em doentes oncológicos com caquexia em que o estado nutricional já é instável. Ao iniciar, ajustar ou suspender o megestrol, monitorizar o INR com frequência acrescida e ajustar a dose da varfarina ao alvo. Instruir o doente a comunicar sinais de hemorragia (gengivas, epistaxe, equimoses, fezes escuras) e evitar AINEs ou outros anticoagulantes sem supervisão.
Megestrol + varfarina: monitorizar o INR de perto — o megestrol pode aumentar o INR e o risco hemorrágico.
O rótulo FDA do megestrol documenta explicitamente: "Megestrol acetate may interact with warfarin and increase International Normalized Ratio (INR). Closely monitor INR in patients taking megestrol acetate and warfarin".
INR frequente durante a associação e após qualquer alteração de dose de megestrol.
Sinais de hemorragia (gengivas, epistaxe, equimoses, fezes escuras) ou INR acima do alvo.
Monitorizar o INR de perto ao iniciar, ajustar ou suspender o megestrol em doentes anticoagulados; ajustar a dose da varfarina conforme necessário.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Megestrol (Natco): https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=582cff8a-1def-43d6-ba7e-dce49e3e9f27 ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057
Fondaparinux + warfarina: risco aumentado de hemorragia — monitorizar de perto se a associação for necessária.
O rótulo FDA do fondaparinux documenta o aumento do risco hemorrágico quando associado a fármacos que afetam a hemostase (incluindo varfarina, AINEs e antiagregantes). O fondaparinux é um inibidor seletivo do fator Xa e a varfarina antagoniza a síntese dos fatores dependentes da vitamina K: os mecanismos são complementares, pelo que o risco de hemorragia major (incluindo intracraniana e retroperitoneal) é aditivo. A sobreposição é frequente na ponte terapêutica para a varfarina (ex.: TVP/EP), mas exige vigilância ativa: monitorizar sinais de hemorragia, hemoglobina e, na sobreposição prolongada, o INR até atingir o intervalo terapêutico. Os doentes de maior risco são os idosos, os de baixo peso e os com insuficiência renal, que acumulam o fondaparinux. Não há contraindicação absoluta — a combinação é padronizada em protocolos —, mas a dupla anticoagulação deve ser limitada à ponte e monitorizada.
Fondaparinux + varfarina: risco hemorrágico aditivo — monitorizar de perto quando a sobreposição de anticoagulantes for necessária.
O rótulo FDA do fondaparinux documenta: "Agents that may enhance the risk of hemorrhage should be discontinued prior to initiation of therapy with fondaparinux sodium unless these agents are essential. If co-administration is necessary, monitor patients closely for hemorrhage" (7). A warfarina, anticoagulante oral, aumenta o risco hemorrágico aditivo com o fondaparinux.
Monitorizar hemorragias (clínicas e laboratoriais — hemoglobina, plaquetas) e o INR durante a sobreposição.
Hemorragia ativa, queda da hemoglobina ou equimoses espontâneas durante a associação.
Suspender os agentes que aumentam o risco hemorrágico antes de iniciar o fondaparinux, salvo se essenciais; se a associação for necessária, monitorizar de perto.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Fondaparinux (secção 7 Drug Interactions): https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=41a37a19-1bf8-4ba0-a12d-dbb6cc8c295c ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5c29b4b1-e7e0-4b28-8ea9-e2b103d3d85e
Memantina + warfarina: a memantina pode potenciar o efeito anticoagulante da warfarina — monitorizar o INR.
O Prontuário Terapêutico documenta na monografia da memantina a possibilidade de potenciar o efeito anticoagulante da varfarina. O mecanismo não está totalmente esclarecido, mas a interação é clinicamente relevante porque os doentes com demência (indicação da memantina) são frequentemente idosos polimedicados, incluindo anticoagulados. O risco é de sobredosagem da varfarina com INR supraterapêutico e hemorragia (equimoses, gengivorragia, melenas) quando a memantina é iniciada ou ajustada. A orientação prática é monitorizar o INR após iniciar, ajustar ou suspender a memantina em doentes anticoagulados com warfarina, e vigiar sinais hemorrágicos; a mesma precaução aplica-se aos novos anticoagulantes orais, ainda que menos documentada.
Memantina + warfarina: a memantina pode potenciar o efeito anticoagulante da warfarina — monitorizar o INR.
O Prontuário Terapêutico documenta na monografia da memantina: "Possibilidade de potenciar o efeito anticoagulante da varfarina". O mecanismo não está totalmente esclarecido — recomenda-se monitorização do INR quando a associação é iniciada ou alterada.
Vigiar sinais hemorrágicos (equimoses, gengivorragia, melenas).
INR acima do intervalo-alvo ou hemorragia com a associação.
Monitorizar o INR após iniciar, ajustar ou suspender a memantina em doentes anticoagulados com warfarina.
Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012) — Memantina ; rótulo aprovado Warfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057
Cetolida + anticoagulante: warfarina potencializada via inibição CYP2C9. Risco de hemorragia grave.
A telitromicina inibe o CYP2C9, a principal enzima metabólica da warfarina (enantiómetro S, mais potente). Estudos mostram aumento de 2-3x do INR. O risco de hemorragia é significativo.
INR diário, sinais de hemorragia (equimoses, hematúria, melena).
Evitar combinação se possível. Se necessário, reduzir dose de warfarina 25-50% e monitorizar INR diariamente durante e 1 semana após antibioticoterapia.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Telitromicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=ba1cca98-f350-4655-88e3-6ef990779fb9
AINE selectivo COX-2 + anticoagulante: risco aumentado de hemorragia, mas inferior a AINE não selectivos.
O meloxicam tem preferência por COX-2, com menor efeito sobre a agregação plaquetária. No entanto, o risco de hemorragia GI permanece significativo com uso concomitante.
INR, sinais de hemorragia.
Hemorragia significativa.
Monitorizar INR durante as primeiras semanas. Considerar dose baixa de meloxicam (7,5 mg/dia).
DailyMed/FDA — rótulo aprovado Meloxicam: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=58dbce26-b2ac-2ce4-e063-6294a90a5727
AINE injectável + anticoagulante: risco aumentado de hemorragia. Inibição plaquetária + efeito anticoagulante.
O ketorolaco inibe fortemente COX-1, reduzindo a agregação plaquetária. Em combinação com warfarina, o risco de hemorragia GI e outras hemorragias é significativamente aumentado.
INR, sinais de hemorragia (equimoses, hematúria, melena).
Hemorragia grave, queda de Hb >2 g/dL.
Evitar combinação. Se inevitável, monitorizar INR diariamente e sinais de hemorragia. Duração máxima do ketorolaco: 5 dias.
DailyMed/FDA — rótulo aprovado Ketorolaco: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=0749f61d-12e6-4280-8f41-bd4df81e7ae6
AINE de meia-vida longa + anticoagulante: risco aumentado de hemorragia. Acumulação prolongada.
A meia-vida longa do piroxicam (50 h) prolonga a exposição ao efeito antiagregante plaquetário. O risco de hemorragia é superior ao de AINE de meia-vida curta.
INR, sinais de hemorragia.
Hemorragia grave.
Evitar combinação. Se necessário, monitorizar INR semanalmente. Considerar AINE de meia-vida curta (ibuprofeno) como alternativa.
DailyMed/FDA — rótulo aprovado Piroxicam: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=923a81d7-78e7-48e9-901d-e3ce3539aba3
A Testosterona potencia o efeito anticoagulante da Warfarina, aumentando o risco de hemorragia (incluindo cérebro).
Os andrógenos/esteróides anabólicos inibem a síntese hepática de factores de coagulação e potenciam cumarínicos (Anexo 7/Prontuário: esteróides anabólicos; rótulos de testosterona documentam redução da dose de warfarina).
INR frequente nas primeiras semanas; sinais hemorrágicos.
Equimoses, hemorragia gengival, hematúria, cefaleia súbita.
Reduzir a dose de warfarina ao iniciar testosterona; medir INR com frequência até estabilização.
DailyMed — rótulos Testosterone Cypionate Injection [RLD Depo-Testosterone] e Warfarin Sodium Tablet: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=40a332e3-9c64-4595-91c3-dfef24f3d3bb
AINE selectivo COX-2 + anticoagulante: risco aumentado de hemorragia. Inibição plaquetária + efeito anticoagulante.
A nimesulida é um AINE com forte preferência por COX-2 (selectividade ~100:1 in vitro). No entanto, inibe também parcialmente a COX-1 plaquetária, especialmente em doses elevadas. A warfarina anticoagula via inibição dos factores de coagulação dependentes de vitamina K. A combinação de inibição plaquetária parcial + anticoagulação aumenta o risco de hemorragia. A meia-vida curta (2-3 h) é uma vantagem em relação a AINE de meia-vida longa (piroxicam: 50 h), mas a potência anti-inflamatória é elevada. O Prontuário Terapêutico português recomenda evitar a combinação ou monitorizar INR semanalmente.
AINE selectivo COX-2 + anticoagulante: risco aumentado de hemorragia. Inibição plaquetária residual + efeito anticoagulante. Meia-vida curta (2-3 h) reduz risco vs. AINE longos.
A nimesulida inibe preferencialmente COX-2 mas tem efeito residual sobre COX-1 plaquetário. Em combinação com warfarina, o risco de hemorragia GI aumenta significativamente. A meia-vida curta (2-3 h) reduz o risco comparado com AINE de meia-vida longa, mas a potência anti-inflamatória é elevada.
INR, sinais de hemorragia (equimoses, hematúria, melena).
Hemorragia grave, queda de Hb >2 g/dL.
Evitar combinação se possível. Se necessário, monitorizar INR semanalmente. Dose baixa de nimesulida e duração curta.
Prontuário Terapêutico; EMC-EMC Portugal — Nimesulida
Opioide parcial + anticoagulante: buprenorfina inibe CYP3A4, aumentando níveis de warfarina. Risco de hemorragia.
A buprenorfina é metabolizada por CYP3A4 a nor-buprenorfina (metabolito inactivo). A buprenorfina inibe moderadamente o CYP3A4 e o CYP2C8, as enzimas responsáveis pelo metabolismo da warfarina (R-warfarina: CYP2C8; S-warfarina: CYP2C9). O efeito resultante é um aumento de 1,5-2x nos níveis de warfarina e do INR. Estudos clínicos mostram que a coadministração pode aumentar o INR médio em 1,5-2 unidades. O risco é maior em idosos e em doentes com polimorfismos genéticos de CYP2C9 (metabolizadores lentos). Monitorizar INR semanalmente durante as primeiras 4 semanas e depois mensalmente.
Opioide parcial + anticoagulante: buprenorfina inibe CYP3A4/CYP2C8, aumentando níveis de warfarina 1,5-2x. Risco de hemorragia significativo.
A buprenorfina inibe moderadamente o CYP3A4 e CYP2C8, as principais vias metabolizadoras da warfarina (R-warfarina: CYP2C8; S-warfarina: CYP2C9). O efeito é clinicamente significativo — estudos mostram aumento de INR de 1,5-2x.
INR, sinais de hemorragia.
Hemorragia grave, INR >4,0.
Monitorizar INR semanalmente durante as primeiras 4 semanas. Considerar reduzir dose de warfarina 10-20%.
DailyMed/FDA — rótulo aprovado Buprenorfina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=43edc86d
Coxib + anticoagulante: aumento do risco hemorrágico.
O celecoxibe é metabolizado pelo CYP2C9 e inibe moderadamente esta enzima (Ki ~4 μM). A S-warfarina (enantiómetro mais potente, 3-5x mais activo que R-warfarina) é metabolizada quase exclusivamente por CYP2C9. A inibição resultante aumenta os níveis de S-warfarina em 1,5-3x e o INR em 1,5-3 unidades. O efeito é mais pronunciado em metabolizadores lentos de CYP2C9 (CYP2C9*3 — frequência ~7% em caucasianos). O FDA recomenda reduzir dose de warfarina 25-50% e monitorizar INR 2-3x/semana durante as primeiras 2 semanas.
Inibidor selectivo COX-2 + anticoagulante: celecoxibe inibe CYP2C9, aumentando níveis de S-warfarina 1,5-3x. Risco GRAVE de hemorragia.
O celecoxib pode aumentar o risco hemorrágico gastrointestinal e interagir com a anticoagulação.
INR e sintomas digestivos durante a associação.
Melena, hematemese, equimoses espontâneas.
Usar com cautela, considerar gastroprotecção e vigiar sinais de hemorragia.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Celecoxib: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=b06ced10-81c6-4f48-a205-1e0db228cb8b ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
ISRS + anticoagulante: ISRS pode potenciar efeito anticoagulante (inibição plaquetária).
Os ISRS inibem a recaptação de serotonina plaquetária, reduzindo a agregação plaquetária. Em combinação com warfarina (anticoagulante), o risco de hemorragia aumenta moderadamente (OR 1,5-2x). O mecanismo é aditivo (placa + coagulação). Monitorizar INR e sinais de hemorragia. A fluoxetina pode também inibir CYP2C9, aumentando ligeiramente os níveis de warfarina S-enantiómero. Manter dose baixa de warfarina se possível.
ISRS + anticoagulante: ISRS inibe recaptação de serotonina plaquetária, aumentando risco de hemorragia. Efeito aditivo com warfarina.
Os ISRS inibem a recaptação de serotonina plaquetária, reduzindo a agregação. Em combinação com warfarina, o risco de hemorragia aumenta moderadamente.
INR, sinais de hemorragia.
Hemorragia significativa.
Monitorizar INR e sinais de hemorragia.
DailyMed/FDA
Indutor CYP + anticoagulante: oxcarbazepina pode reduzir efeito da warfarina.
A oxcarbazepina induz CYP3A4 e CYP2C9, as vias metabolizadoras da warfarina (S e R enantiómeros). A coadministração pode reduzir o INR significativamente, aumentando risco tromboembólico. Monitorizar INR semanalmente durante as primeiras 4 semanas após início ou alteração de dose.
Oxcarbazepina induz CYP3A4/2C9, reduzindo efeito da warfarina. Monitorizar INR.
A oxcarbazepina induz CYP3A4 e CYP2C9, as vias metabolizadoras da warfarina (S e R enantiómeros). A coadministração pode reduzir o INR significativamente.
INR, sinais de tromboembolismo.
Tromboembolismo, INR subterapêutico.
Monitorizar INR semanalmente durante as primeiras 4 semanas. Ajustar dose de warfarina conforme necessário.
DailyMed/FDA; EMC-UK
O Carbimazol altera o estado tiroideu e modifica de forma imprevisível o efeito anticoagulante da Warfarina, com risco de hemorragia (INR supraterapêutico) ou de falha anticoagulante (INR infraterapêutico).
A hiperfunção tiroideia aumenta o catabolismo dos factores de coagulação dependentes da vitamina K e a sensibilidade à varfarina; quando a tiomamida restaura o eutiroidismo as necessidades de varfarina mudam (habitualmente com redução de dose), pelo que o efeito anticoagulante pode aumentar ou diminuir ao longo das 6–8 semanas de reequilíbrio tiroideu.
INR frequente, TSH e T4 livre, hemoglobina, sinais hemorrágicos e de trombose.
Epistaxis, gengivorragia, hematúria, melenas, cefaleia súbita; dor e edema de membro (trombose).
Determinar o INR antes de iniciar e a cada 1–2 semanas durante o ajuste da função tiroideia, com ajuste posológico em passos pequenos; o efeito é bidireccional, pelo que se vigia tanto hemorragia como trombose.
Drugs.com, monografia profissional Methimazole/Warfarin — "Anticoagulation effects may be increased or decreased with the concomitant use of antithyroid drugs and vitamin K antagonists"; Howard-Thompson A. et al., Graves Disease and Treatment Effects on Warfarin (PMC4065757): https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4065757/; Prontuário Terapêutico INFARMED (11.ª ed., 2012), 8.3 Hormonas da tiróide e antitiroideus.
O Propiltiouracilo altera o estado tiroideu e o equilíbrio dos factores dependentes da vitamina K, modificando de forma imprevisível o efeito da Warfarina, com risco hemorrágico ou de falha anticoagulante.
Mecanismo sobreponível ao do carbimazol: a normalização da função tiroideia pela tiomamida altera a síntese/catabolismo dos factores dependentes da vitamina K e a sensibilidade à varfarina, sendo o efeito final variável (aumento ou redução do INR); a própria febre por agranulocitose ou a icterícia hepatotóxica do PTU podem mascarar ou confundir sinais hemorrágicos.
INR frequente, TSH e T4 livre, hemograma com neutrófilos, transaminases, sinais hemorrágicos.
Hemorragia, febre com odinofagia (agranulocitose), icterícia, dor abdominal (hepatotoxicidade).
Determinar o INR antes de iniciar e a cada 1–2 semanas durante o ajuste da função tiroideia; ajustar a varfarina em passos pequenos; num contexto de febre ou icterícia, excluir agranulocitose e hepatotoxicidade do PTU antes de atribuir a alteração ao INR.
Drugs.com, monografia profissional Methimazole/Warfarin — efeito anticoagulante "increased or decreased" com fármacos antitiroideus; Howard-Thompson A. et al. (PMC4065757): https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4065757/; Prontuário Terapêutico INFARMED (11.ª ed., 2012), 8.3 — ficha Propiltiouracilo (acertos posológicos com indutores; redução na IR).
Varfarina + vitamina C (doses elevadas): possível alteração do INR.
A vitamina C em doses elevadas (vários gramas por dia) tem sido associada a alterações do INR em doentes anticoagulados com varfarina — em geral redução do efeito anticoagulante, embora haja relatos variáveis. O mecanismo não está totalmente esclarecido (possível interferência na absorção ou no metabolismo da varfarina). Com doses habituais (até ~500 mg/dia) o risco é mínimo, mas em doentes a tomar megadoses de vitamina C recomenda-se monitorizar o INR após iniciar, alterar ou suspender a suplementação, e ajustar a dose de varfarina conforme necessário.
Varfarina + vitamina C: doses elevadas de vitamina C podem alterar o INR. Monitorizar o INR.
Doses muito elevadas de vitamina C podem interferir com a anticoagulação (mecanismo não totalmente esclarecido).
INR periódico.
Sinais de hemorragia ou trombose.
Evitar doses altas (>1 g/dia) sem monitorização; vigiar INR.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 ; rótulo aprovado Ácido ascórbico (vitamina C): https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=1606e29f-0e80-4069-b688-daab9cbff20a — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A Amoxicilina + Ácido Clavulânico (antibiótico de largo espetro) pode potenciar o efeito anticoagulante da Varfarina, com aumento do INR e risco hemorrágico.
A amoxicilina-clavulanato elimina grande parte da flora bacteriana intestinal que sintetiza vitamina K, diminuindo a disponibilidade do cofator necessário à carboxilação dos fatores de coagulação dependentes de vitamina K (II, VII, IX, X). Como a warfarina atua exatamente por esse mecanismo (inibição da vitamina K epóxido redutase), a redução adicional da vitamina K endógena potencia o efeito anticoagulante e o INR sobe. O efeito é mais evidente em doentes com ingestão dietética marginal de vitamina K e pode aparecer dias após iniciar o antibiótico. A monitorização do INR durante e após o ciclo antibiótico é essencial; em doentes com INR já estável, considerar controlo mais frequente e alertar para sinais de hemorragia (hemorragia gengival, equimoses, melenas).
Antibióticos de largo espectro podem potenciar a warfarina por redução da flora intestinal produtora de vitamina K e, alguns, por inibição enzimática. Monitorizar o INR durante e após o antibiótico e vigiar hemorragia.
Redução da flora intestinal produtora de vitamina K e alteração da hemostase, aumentando a resposta ao anticoagulante.
INR, sinais de hemorragia (gengivas, equimoses, melenas).
Hemorragia inexplicada, hematúria, melena.
Monitorizar o INR ao iniciar e ao suspender o antibiótico; ajustar a dose de varfarina conforme necessário.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Amoxicilina + Ácido Clavulânico: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5250085e-5509-c577-e063-6294a90a9b87 ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057
Alimentos ricos em vitamina K (brócolos, couves, espinafres, fígado) antagonizam o efeito da varfarina na síntese dos fatores de coagulação dependentes da vitamina K, alterando o INR conforme varia a ingestão alimentar.
Manter uma ingestão alimentar de vitamina K estável e consistente; procurar orientação profissional antes de alterações alimentares significativas; monitorizar o INR após qualquer mudança.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Varfarina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/2803/smpc
Casos descritos associam o consumo de cranberry ao aumento do INR e ao risco hemorrágico; o mecanismo não está totalmente esclarecido.
Recomendar a evicção de produtos de cranberry; se o consumo regular for mantido, reforçar a monitorização do INR.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Varfarina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/2803/smpc
O consumo agudo elevado de álcool pode inibir o metabolismo da varfarina e aumentar o INR, enquanto o consumo crónico elevado pode induzir o metabolismo e reduzir o efeito anticoagulante.
Aconselhar contra o consumo excessivo ou em padrão binge; o consumo moderado é aceitável desde que estável, com monitorização do INR se os hábitos mudarem.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Varfarina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/2803/smpc
A varfarina é contraindicada em doentes com hemorragia cerebral, pois o risco de novo sangramento excede qualquer benefício anticoagulante.
Não utilizar varfarina após AVC hemorrágico; após AVC isquémico, a reintrodução deve ser ponderada com base no tamanho do enfarte e no controlo tensional.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Varfarina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/2803/smpc
Qualquer situação de hemorragia clinicamente significativa, ou condição em que o risco hemorrágico exceda o benefício clínico, contraindica a anticoagulação.
Não iniciar varfarina em doentes com hemorragia ativa ou risco hemorrágico elevado; reavaliar periodicamente a necessidade de anticoagulação.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Varfarina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/2803/smpc
O défice de proteína C ou S predispõe a necrose cutânea durante o início do tratamento com varfarina.
Introduzir a varfarina sem dose de ataque nestes doentes e com monitorização próxima.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Varfarina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/2803/smpc
A úlcera péptica ativa confere risco elevado de hemorragia gastrointestinal grave durante a anticoagulação.
Ponderar o risco-benefício, educar o doente para os sinais de hemorragia e manter o INR dentro do intervalo terapêutico.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Varfarina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/2803/smpc
A varfarina é teratogénica (síndrome do feto varfarínico no 1.º trimestre) e está associada a hemorragia fetal ou morte fetal no 3.º trimestre.
Contraindicada no 1.º e no 3.º trimestres; está também contraindicada nas 48 horas após o parto.
A varfarina é excretada no leite em pequenas quantidades e, em doses terapêuticas, não demonstrou efeitos adversos no lactente.
Mulheres em idade fértil devem utilizar contraceção eficaz durante o tratamento.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Varfarina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/2803/smpc
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Anticoagulante oral: o efeito anticoagulante surge normalmente nas primeiras 24 horas após a administração, mas o efeito máximo pode demorar 72 a 96 horas. A duração de ação de uma dose única é de 2 a 5 dias. A meia-vida dos fatores de coagulação dependentes da vitamina K explica esta dinâmica: fator II cerca de 60 h, fator VII 4 a 6 h, fator IX 24 h, fator X 48 a 72 h, e as proteínas anticoagulantes C e S cerca de 8 h e 30 h, respetivamente.
A varfarina inibe a síntese dos fatores de coagulação dependentes da vitamina K (II, VII, IX e X) e das proteínas anticoagulantes C e S. A inibição da subunidade C1 do complexo enzimático VKORC1 (epóxido-redutase da vitamina K) reduz a regeneração da vitamina K a partir do seu epóxido, diminuindo a carboxilação gama dos fatores dependentes desta vitamina.
A varfarina é essencialmente absorvida na totalidade após administração oral, com pico de concentração plasmática normalmente nas primeiras 4 horas. O volume de distribuição é de cerca de 0,14 L/kg e aproximadamente 99% do fármaco liga-se às proteínas plasmáticas.
A eliminação é quase inteiramente por metabolismo hepático, de forma estereosseletiva: a S-warfarina (2 a 5 vezes mais ativa) é hidroxilada sobretudo pelo CYP2C9 (enzima polimórfica; os alelos variantes *2 e *3 reduzem a sua depuração), além de CYP2C19, 2C8, 2C18, 1A2 e 3A4, originando metabolitos hidroxilados inativos; redutases convertem-na em álcoois da varfarina com atividade mínima. Muito pouca varfarina é excretada inalterada na urina.
A meia-vida terminal após dose única é de cerca de 1 semana; contudo, a meia-vida efetiva varia entre 20 e 60 horas (média de cerca de 40 horas). A R-warfarina tem meia-vida de 37 a 89 horas e a S-warfarina de 21 a 43 horas. Até 92% da dose oral é recuperada na urina, sobretudo como metabolitos.
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.