A eritromicina é um antibiótico (macrólido) usado em infeções respiratórias, da pele e noutras infeções por bactérias sensíveis, sobretudo em doentes alérgicos à penicilina. Pode afetar o ritmo cardíaco e interage com vários medicamentos.
Também conhecido como: Eritrocina, Erythrocin
Loratadina + eritromicina: possível aumento das concentrações de loratadina.
A loratadina é metabolizada no fígado pelo CYP3A4 (e CYP2D6) e a eritromicina é um inibidor conhecido do CYP3A4 — a associação eleva as concentrações de loratadina e do seu metabolito ativo, desloratadina, podendo potenciar a sonolência (sobretudo em idosos e em doses altas de loratadina). O rótulo da eritromicina refere que "a eritromicina tem sido associada a prolongamento do intervalo QT e casos infrequentes de arritmia", com contraindicação de antiarrítmicos classe IA/III e precaução em hipocaliemia/hipomagnesemia — embora a loratadina em doses terapêuticas não prolongue significativamente o QT, o risco arritmogénico da eritromicina deve ser respeitado. Na prática, vigiar sedação e sintomas cardiovasculares, usar a menor dose eficaz de loratadina e monitorizar o intervalo QT em doentes de risco (QT longo, hipocaliemia, idosos).
Eritromicina + loratadina: a eritromicina (inibidor do CYP3A4) reduz o metabolismo da loratadina, elevando os seus níveis. Vigiar sonolência e risco QT da eritromicina.
A eritromicina (inibidor do CYP3A4) reduz o metabolismo da loratadina.
Sintomas de excesso de anti-histamínico.
Sonolência, cefaleias, palpitações.
Vigiar sedação e efeitos adversos; a maioria tolera sem ajuste de dose.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Loratadina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=569a35be-d653-181c-e063-6294a90a6eb9 ; rótulo aprovado Eritromicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=0c05e1f7-a3d4-8e69-e063-6394a90aecc3 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A Eritromicina inibe o CYP3A4 que metaboliza a Atorvastatina, aumentando as suas concentrações e o risco de miopatia e rabdomiólise.
A eritromicina é um inibidor do CYP3A4, enzima que metaboliza a atorvastatina, e pode aumentar as concentrações da estatina e o risco de miopatia/rabdomiólise, sobretudo em ciclos prolongados, doses elevadas ou com insuficiência renal. O rótulo da atorvastatina lista a eritromicina entre os inibidores do CYP3A4 cuja associação requer considerar o risco/benefício (o limite de 20 mg é explícito apenas para claritromicina e itraconazol). Durante um ciclo de eritromicina, considerar a menor dose da estatina ou a suspensão temporária, vigiar sintomas musculares e CPK, e informar o doente.
Atorvastatina + eritromicina: o macrólido inibe o CYP3A4 e pode elevar os níveis da estatina, com risco de miopatia. Vigiar e considerar suspensão.
A Eritromicina é um inibidor do citocromo CYP3A4; a Atorvastatina é substrato deste CYP. A inibição enzimática eleva os níveis da estatina e aumenta o risco de toxicidade muscular, sobretudo com doses altas.
Vigiar sintomas musculares (dores, fraqueza, cãibras), CPK e coloração escura da urina durante e após a associação.
Mialgia intensa, fraqueza muscular, urina escura ou CPK muito elevada impõem a suspensão imediata da estatina.
Evitar a associação; se necessária, escolher um macrólido que não iniba o CYP3A4 (ex.: azitromicina, quando adequado) ou suspender temporariamente a estatina.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Eritromicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=49b3ca93-43cc-439c-8f5d-e3ea2e87ad2f ; rótulo aprovado Atorvastatina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=86841382-4229-4e03-958e-3ac22639efd4 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Fexofenadina + eritromicina: aumento da exposição à fexofenadina (transporte OATP/P-gp).
A fexofenadina é eliminada essencialmente inalterada, sem metabolismo pelo CYP450 relevante; a interação com a eritromicina ocorre ao nível dos transportadores intestinais (P-gp/OATP), que a eritromicina inibe, elevando as concentrações plasmáticas de fexofenadina. O mecanismo está documentado na informação de prescrição da fexofenadina (Allegra), que descreve aumentos da exposição com a coadministração de eritromicina (aumento da AUC em cerca de 100%) sem alterações clinicamente relevantes no QT — ao contrário da terfenadina (o seu precursor), a fexofenadina não prolonga o intervalo QT. A eritromicina, por seu lado, "tem sido associada a prolongamento do intervalo QT e casos infrequentes de arritmia" (rótulo da eritromicina). Na prática, vigiar efeitos adversos da fexofenadina (cefaleia, tonturas, sonolência ligeira) e, no caso da eritromicina, respeitar as contraindicações QT; não é necessário ajuste de rotina da dose, mas evitar doses supramáximas.
Eritromicina + fexofenadina: a eritromicina interfere com o transporte intestinal (P-gp/OATP) e eleva os níveis de fexofenadina. Vigiar efeitos adversos (cefaleia, tonturas).
A eritromicina interfere com o transporte intestinal (P-gp/OATP), elevando os níveis de fexofenadina.
Efeitos adversos do anti-histamínico.
Náuseas, tonturas, sonolência.
Vigiar efeitos adversos; sem relevância clínica significativa para a maioria.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Fexofenadina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=dd0da52b-fc82-4ec9-854c-0d7c52e926fb ; rótulo aprovado Eritromicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=0c05e1f7-a3d4-8e69-e063-6394a90aecc3 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Desloratadina + eritromicina: possível aumento das concentrações de desloratadina.
O rótulo da desloratadina documenta que a coadministração com "eritromicina... resultou em concentrações plasmáticas aumentadas de desloratadina e 3-hidroxidesloratadina, mas não houve alterações clinicamente relevantes no perfil de segurança da desloratadina" — a desloratadina é metabolizada pelo CYP3A4 (e CYP2D6), que a eritromicina inibe. A associação é geralmente bem tolerada; o principal cuidado é a potencialização da sonolência/efeitos no SNC (sobretudo em idosos) e o risco QT da própria eritromicina, que "deve ser evitada em doentes com prolongamento conhecido do QT, hipocaliemia ou hipomagnesemia não corrigidas, bradicardia clinicamente significativa e com antiarrítmicos classe IA/III" (rótulo da eritromicina). Não é necessário ajuste de rotina da dose de desloratadina; vigiar sonolência e informar o doente.
Eritromicina + desloratadina: a eritromicina (inibidor do CYP3A4) eleva os níveis de desloratadina, sem alterações clinicamente relevantes no perfil de segurança. Vigiar sonolência.
A eritromicina reduz o metabolismo da desloratadina (CYP3A4).
Efeitos adversos do anti-histamínico.
Sonolência, xerostomia, cefaleia.
Vigiar sedação; não é geralmente necessário ajuste de dose.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Desloratadina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=2a90b899-7746-43dc-ac8a-e754428eb30c ; rótulo aprovado Eritromicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=0c05e1f7-a3d4-8e69-e063-6394a90aecc3 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A Eritromicina pode potenciar o efeito anticoagulante da Varfarina, com aumento do INR e do risco hemorrágico.
A eritromicina inibe o CYP3A4, enzima que metaboliza o R-warfarin, e reduz a flora intestinal produtora de vitamina K. Esta dupla ação aumenta o efeito anticoagulante, com elevação do INR e risco hemorrágico documentado em relatos clínicos e referido nos rótulos aprovados. O efeito pode ser rápido (dias) e persistir após o fim do antibiótico. Monitorizar o INR com frequência durante e após o tratamento e ajustar a dose de warfarina; considerar antibiótico alternativo quando possível.
A eritromicina inibe o CYP3A4 e reduz a flora intestinal, podendo aumentar muito o INR. Monitorizar o INR durante e após o antibiótico.
A Eritromicina inibe a CYP3A4 e a CYP1A2, reduzindo o metabolismo da Varfarina (sobretudo do isómero ativo); o aumento dos níveis do anticoagulante eleva o INR.
Monitorizar o INR com maior frequência e sinais de hemorragia (hematomas, gengivorragia, melenas).
Hemorragia, INR muito elevado ou sinais de sangramento exigem suspensão/ajuste e avaliação médica urgente.
Vigiar o INR e ajustar a dose de varfarina durante e após a antibioterapia; informar o doente do risco hemorrágico.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Eritromicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=49b3ca93-43cc-439c-8f5d-e3ea2e87ad2f ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A Eritromicina pode aumentar os níveis plasmáticos de Digoxina, com risco de toxicidade digitálica (arritmias, náuseas, perturbações visuais).
A eritromicina aumenta as concentrações de digoxina por dois mecanismos: inibição da glicoproteína-P (reduz a excreção intestinal e renal da digoxina) e eliminação da flora bacteriana intestinal que metaboliza a digoxina em metabolitos inativos. Estudos mostram aumentos de 40–100% na digoxinemia em doentes tratados com eritromicina, com risco de toxicidade digitálica. Recomenda-se monitorizar a digoxinemia e o ECG durante e após o ciclo antibiótico, vigiar sintomas de toxicidade e reduzir a dose de digoxina se necessário.
A eritromicina inibe a P-gp e reduz a flora que inativa a digoxina, podendo aumentar os seus níveis. Monitorizar sinais de toxicidade digitálica.
A Eritromicina inibe a glicoproteína-P e o CYP3A4, reduzindo a eliminação da Digoxina e aumentando o seu efeito; distúrbios eletrolíticos (hipocaliemia) podem potenciar a toxicidade digitálica.
Vigiar bradicardia, arritmias, náuseas, anorexia, perturbações visuais e níveis de potássio.
Arritmias, bradicardia marcada, náuseas persistentes ou turvação visual impõem avaliação urgente e doseamento de digoxina.
Monitorizar os níveis séricos de digoxina e os sinais de toxicidade; pode ser necessário reduzir a dose de digoxina ou usar um macrólido alternativo.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Eritromicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=49b3ca93-43cc-439c-8f5d-e3ea2e87ad2f ; rótulo aprovado Digoxina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5886e233-b2da-4acb-be05-9bf40fb8e7f4 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Os alimentos podem reduzir a absorção de algumas formulações de eritromicina; a toma em jejum maximiza os níveis.
Preferir a toma em jejum, salvo indicação em contrário da formulação.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Eritromicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=ca65a48f-5fe6-4b31-8359-51dbc31f6d4e
A toranja inibe o CYP3A4 e pode aumentar as concentrações de eritromicina, elevando o risco de prolongamento do QT.
Evitar sumo de toranja durante o tratamento.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Eritromicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=ca65a48f-5fe6-4b31-8359-51dbc31f6d4e
A eritromicina usada no recém-nascido associa-se a estenose pilórica hipertrófica.
Evitar em recém-nascidos quando existirem alternativas; vigiar vómitos projetados.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Eritromicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=ca65a48f-5fe6-4b31-8359-51dbc31f6d4e
A eritromicina prolonga o intervalo QT e aumenta o risco de torsades de pointes, sobretudo em doentes de risco.
Evitar em QT prolongado, hipocaliemia ou com fármacos que prolongam o QT.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Eritromicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=ca65a48f-5fe6-4b31-8359-51dbc31f6d4e
A eritromicina é o macrólido de primeira escolha na gravidez quando indicado; não se associou a malformações major.
Pode ser usada na gravidez quando indicado (ex.: Legionella, coqueluche, clamídia).
Excretada no leite; compatível com a amamentação.
Sem contraceção adicional específica.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Eritromicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=ca65a48f-5fe6-4b31-8359-51dbc31f6d4e
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Macrólido antibacteriano. Difunde-se na maioria dos fluidos corporais; concentra-se no fígado e é excretada na bílis; 12 a 15% da dose intravenosa é excretada em forma ativa na urina. Concentrações baixas no LCR sem inflamação meníngea, aumentando com a meningite. Prolonga o intervalo QT (torsades de pointes relatadas, sobretudo com a via intravenosa).
Inibição da síntese proteica bacteriana por ligação às subunidades ribossómicas 50S dos organismos suscetíveis; não afeta a síntese de ácidos nucleicos. A resistência no S. aureus pode emergir durante a terapêutica; muitos isolados de Haemophilus influenzae são resistentes.
Bem absorvida por via oral; após infusão intravenosa de 500 mg, níveis séricos médios de cerca de 10 mcg/mL à 1 hora e 2,6 mcg/mL às 2,5 horas. Atravessa a placenta e é excretada no leite materno; não é removida por diálise.
Eliminação principalmente hepática (biliar); 12 a 15% da dose intravenosa em forma ativa na urina; não é removida por diálise peritoneal ou hemodiálise. Inibidor do CYP3A4 — interações com estatinas (lovastatina, sinvastatina), colchicina, carbamazepina, digoxina, teofilina e anticoagulantes orais.
A eritromicina concentra-se no fígado e é excretada na bílis; com função hepática normal, os níveis séricos caem para cerca de 1 mcg/mL às 6 horas após a infusão de 500 mg. A semivida pode prolongar-se com disfunção hepática; doses ≥4 g/dia aumentam o risco de perda auditiva reversível em idosos.
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.