A mefloquina é um medicamento antimalárico usado na prevenção e no tratamento da malária em zonas com resistência à cloroquina. Pode causar efeitos neuropsiquiátricos (tonturas, insónia, ansiedade, pesadelos) — em casos raros, mais graves.
Também conhecido como: Lariam
A Carbamazepina reduz os níveis de Mefloquina (indutor do CYP3A4) e ambos baixam o limiar convulsivo — risco de falência terapêutica e de convulsões.
A mefloquina é metabolizada pelo CYP3A4; a carbamazepina, indutora potente, pode reduzir as suas concentrações abaixo do limiar eficaz, comprometendo a profilaxia ou o tratamento da malária. Em doentes epiléticos, a mefloquina é também de evitar pelo risco de convulsões. Preferir outro antimalárico (ex.: atovaquona+proguanil, doxiciclina) em doentes sob carbamazepina.
Carbamazepina + mefloquina: a carbamazepina reduz os níveis de mefloquina (indução do CYP3A4), com risco de falência profilática/terapêutica. Evitar a associação.
Indução do CYP3A4 (que metaboliza a Mefloquina) + efeitos aditivos sobre o limiar convulsivo.
Resposta clínica e estado neurológico.
Convulsões, confusão, falta de resposta à profilaxia/tratamento.
Considerar alternativa antimalárica e vigilância neurológica.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Mefloquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=09716a24-d7da-42b2-af29-c03a1b6670bd ; rótulo aprovado Carbamazepina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f3d91cd-a959-4e07-a51b-8a4e9ba9ece2
Efeito aditivo no QT; a Claritromicina pode ainda elevar os níveis de Mefloquina.
A mefloquina é metabolizada em parte pelo CYP3A4 e prolonga o intervalo QT; a claritromicina inibe o CYP3A4 (elevando os níveis de mefloquina) e também prolonga o QT, pelo que o risco de arritmias ventriculares é aditivo. Em doentes a receber mefloquina, preferir outro antibiótico e outro antimalárico quando possível; se a associação for inevitável, vigiar ECG e eletrólitos.
Mefloquina + claritromicina: prolongamento aditivo do QT e aumento dos níveis de mefloquina (inibição do CYP3A4). Evitar a associação.
Prolongamento do QT aditivo + inibição do metabolismo da Mefloquina (CYP3A4).
ECG (QTc) e eletrólitos.
Palpitações, tonturas, convulsões.
Precaução; monitorizar ECG e sinais de toxicidade.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Mefloquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=09716a24-d7da-42b2-af29-c03a1b6670bd ; rótulo aprovado Claritromicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=d836ae7e-fdbf-4dcb-a90d-ede1dcbc3e67
Associação de dois antimaláricos que prolongam o QT — risco arritmogénico acrescido, sem benefício terapêutico.
Tanto a cloroquina como a mefloquina prolongam o intervalo QT e podem causar arritmias ventriculares; o rótulo da cloroquina alerta para o risco aumentado durante a administração concomitante com QT-prolongantes, e o rótulo da mefloquina tem uma secção dedicada ao prolongamento do QTc e às interações (desaconselhando, por exemplo, a halofantrina e o cetoconazol pelo risco de prolongamento potencialmente fatal). A associação cloroquina+mefloquina deve ser evitada (não são usadas em conjunto na prática antimalárica); se inevitável, monitorizar o ECG e os eletrólitos e corrigir hipocaliemia/hipomagnesemia.
Cloroquina + mefloquina: risco aditivo de prolongamento do QT. Evitar a associação; monitorizar ECG se inevitável.
Prolongamento aditivo do intervalo QT; efeitos aditivos sobre o SNC.
ECG e vigilância neurológica.
Palpitações, convulsões, alterações do comportamento.
Evitar; usar um único esquema antimalárico.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Cloroquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=06c69e2b-211b-4746-9f3a-f86d36520570 ; rótulo aprovado Mefloquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=09716a24-d7da-42b2-af29-c03a1b6670bd
Risco acrescido de prolongamento do QT e de efeitos neuropsiquiátricos quando combinados.
Ambos os fármacos são antimaláricos associados a prolongamento do QT: o rótulo do arteméter-lumefantrina refere que "alguns antimaláricos (ex.: quinina, quinidina), incluindo o arteméter-lumefantrina, foram associados a prolongamento do intervalo QT no ECG" e recomenda usar com precaução outros fármacos que prolongam o QT; o rótulo da mefloquina documenta prolongamento do QTc e desaconselha a associação com fármacos que alteram a condução cardíaca (a quinina e a quinidina são contraindicadas, e a halofantrina e o cetoconazol pelo risco de QT potencialmente fatal). A associação destes antimaláricos não é usada na prática (são alternativas entre si), mas pode ocorrer sobreposição em doentes com falência terapêutica. Se associados, monitorizar o ECG, os eletrólitos (corrigir hipocaliemia/hipomagnesemia) e os sinais de arritmia.
Arteméter-lumefantrina + mefloquina: QT aditivo (antimaláricos). Evitar a associação; ECG e eletrólitos se inevitável.
Prolongamento do QT aditivo; a Mefloquina associa ainda efeitos sobre o SNC.
ECG e estado neurológico; atenção a sintomas neuropsiquiátricos.
Ansiedade, insónia, psicose, convulsões, palpitações.
Evitar a associação; optar por um único esquema antimalárico.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Arteméter + Lumefantrina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=7866ec19-dfac-47d4-a53f-511a12643cbf ; rótulo aprovado Mefloquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=09716a24-d7da-42b2-af29-c03a1b6670bd
Risco acrescido de prolongamento do QT e de arritmias ventriculares.
A mefloquina prolonga o intervalo QT e associa-se a arritmias ventriculares e bloqueios de condução; com a amiodarona o efeito é aditivo. Além disso, ambos têm efeitos sobre a condução AV. Em doentes em amiodarona crónica que necessitem de profilaxia ou tratamento da malária, preferir atovaquona+proguanil ou doxiciclina. Se a associação for inevitável, vigiar ECG e eletrólitos e monitorizar sinais de proarritmia.
Mefloquina + amiodarona: prolongamento aditivo do QT com risco de arritmias ventriculares. Evitar a associação.
Prolongamento aditivo da repolarização cardíaca.
ECG (QTc) e eletrólitos.
Palpitações, síncope.
Evitar; se inevitável, monitorizar o ECG.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Mefloquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=09716a24-d7da-42b2-af29-c03a1b6670bd ; rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=51a88e8e-da02-4b97-9e7e-442fbffd908d
Prolongamento do QT aditivo — risco baixo-moderado, maior em doentes de risco.
A mefloquina, usada na profilaxia e tratamento da malária, prolonga o intervalo QT e pode causar arritmias; a ciprofloxacina acrescenta o efeito da classe das fluoroquinolonas. A associação soma o risco de torsade de pointes, sobretudo em doentes com QT longo, hipocaliemia, bradicardia ou com outros fármacos QT-prolongantes. Sempre que possível, evitar a associação ou escolher um antibiótico alternativo; se inevitável, monitorizar o ECG e os eletrólitos e usar a menor duração de tratamento possível.
Ciprofloxacina + mefloquina: risco aditivo de prolongamento do QT. Evitar ou vigiar ECG em doentes de risco.
Efeito aditivo na repolarização cardíaca.
ECG se fatores de risco.
Palpitações, síncope.
Precaução em doentes de risco; ECG se sintomas.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Mefloquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=09716a24-d7da-42b2-af29-c03a1b6670bd ; rótulo aprovado Ciprofloxacina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=14c3bc33-201d-492e-9aee-a4d84c813a3d
Ambos prolongam o QT — associação sem benefício e com risco arritmogénico acrescido.
A piperaquina (componente da diidroartemisinina-piperaquina, Eurartesim) prolonga o intervalo QT de forma dose-dependente e o EPAR da EMA contraindica a coadministração com outros fármacos que prolongam o QT; o rótulo da mefloquina documenta, por seu lado, prolongamento do QTc e desaconselha a associação com fármacos que alteram a condução cardíaca. A associação destes antimaláricos não é usada na prática (são alternativas entre si), mas pode ocorrer sobreposição em doentes com falência terapêutica ou malária grave, sobretudo com hipocaliemia, hipomagnesemia, bradicardia ou doença cardíaca. Evitar; se inevitável, monitorizar o ECG e os eletrólitos antes e durante a terapêutica e corrigir hipocaliemia/hipomagnesemia.
Diidroartemisinina-piperaquina + mefloquina: QT aditivo. Evitar a associação (EMA contraindica QT-prolongantes); ECG se inevitável.
Prolongamento aditivo do intervalo QT.
ECG e vigilância neurológica.
Palpitações, tonturas, convulsões.
Evitar; usar um único esquema antimalárico.
EMA — EPAR Eurartesim (dihidroartemisinina + piperaquina): https://www.ema.europa.eu/en/medicines/human/EPAR/eurartesim ; DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Mefloquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=09716a24-d7da-42b2-af29-c03a1b6670bd
Associação de Fluconazol e Mefloquina com risco de prolongamento do intervalo QT e arritmias.
A mefloquina pode prolongar o intervalo QTc, sobretudo quando associada a outros fármacos que alteram a condução cardíaca ou prolongam o QT — o rótulo contraindica explicitamente a halofantrina e o cetoconazol (risco de QT prolongation potencialmente fatal) e desaconselha a quinina/quinidina; o guia do doente recomenda não tomar com fármacos que prolongam o QT. O fluconazol também prolonga o QT (torsade de pointes na experiência pós-comercialização) e, como inibidor do CYP3A4, pode ainda elevar os níveis da mefloquina. A associação deve ser evitada (na prática, a profilaxia antimalárica e o tratamento antifúngico não costumam sobrepor-se, mas podem ocorrer em doentes com infeções fúngicas invasivas); se inevitável, monitorizar o ECG, os eletrólitos e corrigir hipocaliemia/hipomagnesemia.
Fluconazol + mefloquina: risco aditivo de prolongamento do QT. Evitar a associação; monitorizar ECG se inevitável.
Efeito aditivo sobre a repolarização cardíaca (ambos prolongam o QT).
ECG (intervalo QT), eletrólitos (K+, Mg2+).
Síncope, palpitações, torsades de pointes.
Usar com precaução; monitorizar ECG (QT) e eletrólitos; considerar alternativa antimalárica.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Fluconazol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=7961c029-746c-48c3-888b-8f8344102873 ; rótulo aprovado Mefloquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=09716a24-d7da-42b2-af29-c03a1b6670bd
O álcool pode aumentar o risco de convulsões e de efeitos neuropsiquiátricos (tonturas, ansiedade, pesadelos) associados à mefloquina.
Evitar ou limitar fortemente o consumo de álcool durante o tratamento.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Mefloquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=09716a24-d7da-42b2-af29-c03a1b6670bd
A toma da mefloquina com alimentos e com bastante água reduz as náuseas e os vómitos, frequentes no início do tratamento.
Tomar com alimentos e um copo de água; se houver vómitos persistentes, contactar o médico (pode ser necessário repetir a dose).
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Mefloquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=09716a24-d7da-42b2-af29-c03a1b6670bd
A mefloquina causa efeitos neuropsiquiátricos graves (ansiedade, depressão, psicose, ideação suicida); está contraindicada em doença psiquiátrica ativa ou história de psicose.
Contraindicada em depressão ativa ou psicose; suspender perante sintomas neuropsiquiátricos.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Mefloquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=09716a24-d7da-42b2-af29-c03a1b6670bd
A mefloquina pode baixar o limiar convulsivo; está contraindicada em doentes com epilepsia ou antecedentes de convulsões.
Contraindicada em epilepsia ou antecedentes convulsivos; escolher alternativa antimalárica.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Mefloquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=09716a24-d7da-42b2-af29-c03a1b6670bd
A mefloquina pode ser usada na gravidez no 2.º e 3.º trimestres (profilaxia e tratamento); no 1.º trimestre, usar apenas se o benefício justificar.
Evitar no 1.º trimestre; nos restantes, usar sob vigilância.
Excretada no leite em pequenas quantidades; compatível com a amamentação sob vigilância.
Sem contraceção adicional específica.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Mefloquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=09716a24-d7da-42b2-af29-c03a1b6670bd
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Antimalárico esquizonticida sanguíneo. Biodisponibilidade oral superior a 85% (comprimido vs solução); os alimentos aumentam a taxa e a extensão da absorção em cerca de 40%. Picos plasmáticos 6 a 24 horas (mediana cerca de 17 horas) após dose única. Ligação proteica de cerca de 98% e volume aparente de distribuição de aproximadamente 20 L/kg, indicando distribuição tecidular extensa.
Esquizonticida sanguíneo; o mecanismo exato não é conhecido. Ativa contra as formas eritrocíticas das espécies de Plasmodium, sem efeito nas formas exoeritrocíticas (hepáticas); eficaz contra parasitas resistentes à cloroquina e pode acumular-se nos eritrócitos parasitados.
Biodisponibilidade oral superior a 85%; os alimentos aumentam a taxa e a extensão da absorção em cerca de 40%. Picos plasmáticos 6 a 24 horas após a toma; com 250 mg semanais, o estado estacionário é atingido ao fim de 7 a 10 semanas, com concentrações máximas de 1000 a 2000 mcg/L.
Extensamente metabolizada no fígado pelo sistema do citocromo P450, sobretudo o CYP3A4. O principal metabolito, um ácido carboxílico (2,8-bis-trifluorometil-4-quinolina), é inativo; a sua AUC é 3 a 5 vezes maior que a do fármaco-mãe. Excreção principalmente biliar e fecal; apenas cerca de 9% da dose aparece inalterada na urina.
Semivida de eliminação média de cerca de 3 semanas (2 a 4 semanas); depuração total essencialmente hepática, da ordem de 30 mL/min. Devido à semivida longa, as reações adversas podem ocorrer ou persistir várias semanas após a suspensão.
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.