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Antimalárico (combinação com artemisinina, ACT)
O arteméter + lumefantrina é um medicamento combinado contra a malária (ACT), usado no tratamento da malária não complicada por Plasmodium falciparum. É eficaz e rápido, mas deve tomar-se com alimentos e não se usa em malária grave.
Também conhecido como: Coartem
A Carbamazepina (indutor do CYP3A4) reduz os níveis de Arteméter e Lumefantrina — risco de falência do tratamento da malária.
A carbamazepina é um indutor potente do CYP3A4, a via que metaboliza o arteméter e o lumefantrina; a coadministração pode reduzir substancialmente as concentrações do antimalárico e comprometer a cura da malária. Em doentes epiléticos com malária, preferir um antimalárico menos dependente do CYP3A4 (ex.: atovaquona+proguanil) e, se a associação for inevitável, considerar vigilância apertada da resposta clínica e parasitológica.
Carbamazepina + arteméter+lumefantrina: a carbamazepina induz o CYP3A4 e reduz os níveis do antimalárico, com risco de falência terapêutica. Evitar a associação.
Indução enzimática do CYP3A4: metabolismo acelerado dos dois componentes, com menor exposição sistémica.
Resposta clínica e parasitológica à terapêutica (febre, parasitemia).
Febre persistente ou recorrente, ausência de melhoria após 48–72 h.
Considerar esquema antimalárico alternativo ou ajuste de dose e confirmar a cura parasitológica.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Arteméter + Lumefantrina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=7866ec19-dfac-47d4-a53f-511a12643cbf ; rótulo aprovado Carbamazepina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f3d91cd-a959-4e07-a51b-8a4e9ba9ece2
A Claritromicina prolonga o QT e inibe o CYP3A4, elevando a exposição à Lumefantrina — risco acrescido de arritmias.
A claritromicina inibe o CYP3A4, via que metaboliza o arteméter e o lumefantrina, podendo aumentar as concentrações do antimalárico; ambos os fármacos prolongam o intervalo QT, pelo que o risco de torsades de pointes aumenta de forma aditiva. Em doentes a tratar malária com arteméter+lumefantrina, preferir um antibiótico sem efeito no QT (ex.: beta-lactâmicos) se houver infeção bacteriana concomitante; se a associação for inevitável, vigiar ECG e eletrólitos.
Arteméter+lumefantrina + claritromicina: a claritromicina eleva os níveis de lumefantrina (inibição do CYP3A4) e ambos prolongam o QT. Vigiar ECG ou preferir outro antibiótico.
Inibição do metabolismo da Arteméter/Lumefantina pelo CYP3A4 (Claritromicina) + prolongamento aditivo do QT.
ECG (QTc), potássio e sinais clínicos de arritmia.
Palpitações, síncope, dor torácica.
Evitar quando possível; monitorizar ECG e sinais de toxicidade; considerar antibiótico alternativo se indicado.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Arteméter + Lumefantrina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=7866ec19-dfac-47d4-a53f-511a12643cbf ; rótulo aprovado Claritromicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=d836ae7e-fdbf-4dcb-a90d-ede1dcbc3e67
Associação de dois fármacos que prolongam o QT — risco de arritmias ventriculares, maior em doentes de risco.
Tanto a combinação arteméter+lumefantrina como a ciprofloxacina podem prolongar o intervalo QT, e a associação soma o risco de arritmias ventriculares, incluindo torsade de pointes. O risco é maior em doentes com QT longo congénito, hipocaliemia, bradicardia, doença cardíaca ou com outros fármacos que prolonguem o QT. Sempre que possível, evitar a associação; se inevitável (malária em doente que necessita de antibiótico), monitorizar o ECG e os eletrólitos, corrigir hipocaliemia/hipomagnesemia e usar a menor duração possível de ciprofloxacina.
Arteméter+lumefantrina + ciprofloxacina: ambos prolongam o intervalo QT. Evitar ou vigiar ECG em doentes de risco.
Efeito aditivo na repolarização cardíaca (bloqueio de canais de potássio).
ECG (QTc) e eletrólitos se fatores de risco.
Palpitações, síncope.
Precaução em doentes de risco; ECG se fatores de vulnerabilidade ou sintomas.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Arteméter + Lumefantrina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=7866ec19-dfac-47d4-a53f-511a12643cbf ; rótulo aprovado Ciprofloxacina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=14c3bc33-201d-492e-9aee-a4d84c813a3d
Risco acrescido de prolongamento do QT e de efeitos neuropsiquiátricos quando combinados.
Ambos os fármacos são antimaláricos associados a prolongamento do QT: o rótulo do arteméter-lumefantrina refere que "alguns antimaláricos (ex.: quinina, quinidina), incluindo o arteméter-lumefantrina, foram associados a prolongamento do intervalo QT no ECG" e recomenda usar com precaução outros fármacos que prolongam o QT; o rótulo da mefloquina documenta prolongamento do QTc e desaconselha a associação com fármacos que alteram a condução cardíaca (a quinina e a quinidina são contraindicadas, e a halofantrina e o cetoconazol pelo risco de QT potencialmente fatal). A associação destes antimaláricos não é usada na prática (são alternativas entre si), mas pode ocorrer sobreposição em doentes com falência terapêutica. Se associados, monitorizar o ECG, os eletrólitos (corrigir hipocaliemia/hipomagnesemia) e os sinais de arritmia.
Arteméter-lumefantrina + mefloquina: QT aditivo (antimaláricos). Evitar a associação; ECG e eletrólitos se inevitável.
Prolongamento do QT aditivo; a Mefloquina associa ainda efeitos sobre o SNC.
ECG e estado neurológico; atenção a sintomas neuropsiquiátricos.
Ansiedade, insónia, psicose, convulsões, palpitações.
Evitar a associação; optar por um único esquema antimalárico.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Arteméter + Lumefantrina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=7866ec19-dfac-47d4-a53f-511a12643cbf ; rótulo aprovado Mefloquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=09716a24-d7da-42b2-af29-c03a1b6670bd
A Rifampicina (indutor potente do CYP3A4) reduz drasticamente os níveis de Arteméter e Lumefantrina — risco elevado de falência do tratamento da malária.
O arteméter e a lumefantrina são metabolizados pelo CYP3A4; a rifampicina é um indutor potente desta isoenzima e pode reduzir a exposição à lumefantrina em mais de 90% (AUC), com perda de eficácia antimalárica e risco de recidiva ou falência terapêutica. O rótulo aprovado da associação arteméter-lumefantrina contraindica a coadministração com rifampicina. Sempre que possível, deve escolher-se outro antimalárico ou ajustar a estratégia terapêutica; se a associação for inevitável, monitorizar de perto a resposta clínica e a parasitemia.
A rifampicina (indutor potente do CYP3A4) reduz drasticamente os níveis de arteméter e lumefantrina — risco de falência do tratamento da malária. Evitar a associação; se inevitável, considerar alternativa antimalárica.
Indução enzimática que acelera o metabolismo do ACT, com reduções importantes da exposição à Lumefantrina.
Resposta clínica e parasitológica; vigilância de malária recorrente.
Febre persistente ou recorrente, parasitemia na lâmina.
Evitar a associação. Se a rifampicina for essencial, usar um esquema antimalárico alternativo e confirmar a cura parasitológica.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Rifampicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=b389b1a3-672f-47e3-916c-4a9c044b211b ; rótulo aprovado Arteméter + Lumefantrina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=7866ec19-dfac-47d4-a53f-511a12643cbf
Ambos prolongam o intervalo QT; a associação aumenta o risco de arritmias ventriculares (ex.: torsades de pointes), sobretudo com QT longo, hipocaliemia ou cardiopatia.
A amiodarona e o lumefantrina prolongam ambos o intervalo QT através de bloqueio de canais de potássio (IKr). O efeito aditivo aumenta o risco de torsades de pointes e de morte súbita, sobretudo em doentes com QT basal prolongado, hipocaliemia, bradicardia ou cardiopatia estrutural. Sempre que possível, preferir um antimalárico sem efeito no QT (ex.: atovaquona+proguanil). Se a associação for inevitável, vigiar ECG e eletrólitos e corrigir hipocaliemia/hipomagnesemia.
Arteméter+lumefantrina + amiodarona: prolongamento aditivo do QT com risco de torsades de pointes. Evitar a associação ou vigiar ECG de forma apertada.
Efeito aditivo na repolarização cardíaca: a Lumefantrina bloqueia os canais de potássio (hERG) e a Amiodarona prolonga o QT e é arritmogénica por si só.
ECG com medição do QTc, potássio e magnésio; vigilância reforçada em doentes com fatores de risco.
Síncope, palpitações, tonturas, convulsões.
Evitar sempre que possível. Se inevitável, usar com precaução, corrigir hipocaliemia/hipomagnesemia e monitorizar o ECG.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Arteméter + Lumefantrina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=7866ec19-dfac-47d4-a53f-511a12643cbf ; rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=51a88e8e-da02-4b97-9e7e-442fbffd908d
Efeito aditivo no prolongamento do QT; a associação é habitualmente evitada por não acrescentar benefício e aumentar o risco arritmogénico.
Ambos os fármacos são antimaláricos que prolongam o intervalo QT: o rótulo do arteméter-lumefantrina refere que "alguns antimaláricos (ex.: quinina, quinidina), incluindo o arteméter-lumefantrina, foram associados a prolongamento do intervalo QT no ECG" e que "os fármacos que prolongam o QT, incluindo a quinina e a quinidina, devem ser usados com precaução após o arteméter-lumefantrina"; o rótulo da quinina documenta prolongamento consistente e dose-dependente do QT, com arritmias ventriculares potencialmente fatais, e recomenda evitar a associação com outros QT-prolongantes. Na prática, estas combinações de antimaláricos não se usam em conjunto (a quinina é alternativa ao arteméter-lumefantrina no tratamento da malária), mas podem sobrepor-se em doentes com falência terapêutica ou malária grave. Se a associação for necessária, monitorizar o ECG, os eletrólitos (corrigir hipocaliemia/hipomagnesemia) e os sinais de arritmia.
Quinina + arteméter-lumefantrina: QT aditivo (ambos os antimaláricos prolongam o QT). Usar com precaução e vigiar ECG se associados.
Ambos prolongam a repolarização cardíaca por bloqueio dos canais de potássio.
ECG (QTc), eletrólitos e vigilância clínica de arritmia.
Palpitações, síncope, tonturas.
Evitar a associação; usar preferencialmente um esquema único (ACT ou Quinina, não ambos).
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Arteméter + Lumefantrina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=7866ec19-dfac-47d4-a53f-511a12643cbf ; rótulo aprovado Quinina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=1f32f05c-a215-40be-b951-e41a7b54a8a0
O álcool pode potenciar os efeitos no sistema nervoso central durante o tratamento com arteméter + lumefantrina.
Limitar o consumo de álcool durante o tratamento.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Arteméter + Lumefantrina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=7866ec19-dfac-47d4-a53f-511a12643cbf
A toma com alimentos (em particular com alguma gordura) aumenta a absorção do lumefantrina e é recomendada para otimizar a eficácia do tratamento.
Tomar com alimentos, de preferência com alguma gordura, para maximizar a absorção.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Arteméter + Lumefantrina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=7866ec19-dfac-47d4-a53f-511a12643cbf
O arteméter e o lumefantrina são metabolizados no fígado (CYP3A4); na doença hepática grave a exposição pode aumentar e exige precaução.
Usar com precaução na doença hepática grave.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Arteméter + Lumefantrina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=7866ec19-dfac-47d4-a53f-511a12643cbf
O lumefantrina prolonga o intervalo QT; o risco de arritmias aumenta em doentes com QT prolongado ou com fármacos que prolongam o QT.
Evitar em QT prolongado conhecido ou com fármacos que prolongam o QT; vigiar ECG.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Arteméter + Lumefantrina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=7866ec19-dfac-47d4-a53f-511a12643cbf
O arteméter + lumefantrina é recomendado pela OMS para a malária não complicada na gravidez no 2.º e 3.º trimestres; no 1.º trimestre, usar se o benefício justificar.
Usar no 2.º e 3.º trimestres; no 1.º trimestre, considerar apenas se o benefício superar o risco.
Excretado no leite em pequenas quantidades; compatível com a amamentação sob vigilância.
Possível indução do CYP3A4 pelos derivados da artemisinina — considerar método contracetivo adicional se usado contracetivo hormonal.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Arteméter + Lumefantrina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=7866ec19-dfac-47d4-a53f-511a12643cbf
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Antimalárico de associação em dose fixa (arteméter e lumefantrina, rácio 1:6). O arteméter é absorvido com pico cerca de 2 horas após a toma; a lumefantrina, altamente lipofílica, tem um período de latência de até 2 horas e pico 6 a 8 horas após. Ambos são altamente ligados às proteínas séricas (95,4% e 99,7%). Associação a prolongamento do QTcF dependente da concentração de lumefantrina (Δ máximo 7,5 ms).
O arteméter é rapidamente convertido no metabolito ativo diidroartemisinina (DHA); a atividade antimalárica é atribuída ao grupo endoperóxido. A lumefantrina inibe a formação de β-hematina por complexação com a hemina. Ambos inibem a síntese de ácidos nucleicos e proteínas.
Arteméter: pico cerca de 2 horas após a toma; lumefantrina: início após período de latência de até 2 horas e pico 6 a 8 horas. Os alimentos aumentam a biodisponibilidade relativa do arteméter 2 a 3 vezes e a da lumefantrina 16 vezes — os doentes devem tomar com uma refeição assim que possível.
O arteméter é metabolizado sobretudo pelo CYP3A4/5 a DHA ativa; a lumefantrina é metabolizada pelo CYP3A4 a desbutil-lumefantrina (exposição inferior a 1%). A lumefantrina inibe in vitro o CYP2D6. Com doses repetidas, a exposição do arteméter diminui (indução das enzimas que o metabolizam), enquanto a DHA aumenta.
Arteméter e DHA são eliminados com semivida de cerca de 2 horas; a lumefantrina é eliminada mais lentamente, com semivida de 3 a 6 dias em voluntários saudáveis e em doentes com malária falciparum.
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.