O paracetamol é um analgésico e antipirético de venda livre, eficaz na dor ligeira a moderada (cefaleias, dores musculares, febre). É bem tolerado nas doses recomendadas, mas a dose máxima diária de 4 g não deve ser excedida: em excesso pode causar lesão hepática grave, sobretudo com consumo de álcool ou se combinado com outros medicamentos que contenham paracetamol.
Também conhecido como: Acetaminofeno
A Isoniazida (indutora do CYP2E1) aumenta a formação do metabólito tóxico do Paracetamol — maior risco de hepatotoxicidade, sobretudo em doses altas ou com álcool.
O rótulo da isoniazida documenta um relato de hepatotoxicidade grave por paracetamol num doente a tomar isoniazida e propõe a base molecular: "a isoniazida induz o P-450IIE1, uma enzima oxidase de função mista que parece gerar os metabolitos tóxicos no fígado", fazendo com que uma maior proporção do paracetamol ingerido seja convertida no metabolito tóxico (NAPQI); estudos em ratos demonstraram que o pré-tratamento com isoniazida potencia a hepatotoxicidade do paracetamol. A associação é muito comum (a isoniazida é usada em tuberculose e o paracetamol é o analgésico/antipirético de primeira linha), e o risco é sobretudo de hepatotoxicidade aditiva em doentes com doença hepática, alcoólicos ou com doses altas/prolongadas de paracetamol. Recomendações: usar a dose eficaz mais baixa de paracetamol, evitar o álcool, vigiar transaminases nos doentes de risco e estar atento a sinais de lesão hepática (náuseas, anorexia, icterícia, dor no hipocôndrio direito).
Isoniazida + paracetamol: a isoniazida induz o CYP2E1 e aumenta os metabolitos tóxicos do paracetamol. Vigiar função hepática e evitar sobredosagem.
Indução do CYP2E1 com produção aumentada de NAPQI (metabólito hepatotóxico).
Função hepática (ALT/AST) em doentes de risco; sinais de hepatite.
Icterícia, náuseas, dor no hipocôndrio direito.
Limitar a dose de paracetamol (2 a 3 g por dia) e evitar álcool durante o tratamento.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Isoniazida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=93252cc8-c8d4-401b-bde5-ca8a3b57651e ; rótulo aprovado Paracetamol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=bf001b70-6164-1ec9-e053-2a95a90a1274
Risco acrescido de lesão renal e sintomas gastrointestinais com uso prolongado ou em doses elevadas dos dois analgésicos. Em doses habituais e de curto prazo é geralmente bem tolerada.
O paracetamol e o ibuprofeno têm mecanismos diferentes, mas a utilização crónica e em doses elevadas de ambos aumenta o risco de nefrotoxicidade (necrose papilar, insuficiência renal) e, segundo alguns estudos, o risco de hemorragia gastrointestinal e de eventos cardiovasculares quando comparado com cada fármaco isolado. Para analgesia pontual a associação é aceitável (efeito aditivo), mas deve evitar-se o uso prolongado sem supervisão, respeitar os limites diários (paracetamol até 3–4 g/dia; ibuprofeno conforme apresentação) e vigiar a função renal em doentes de risco.
Ibuprofeno + paracetamol: uso combinado prolongado e em doses altas aumenta o risco de lesão renal e hemorragia gastrointestinal. Respeitar limites diários e vigiar função renal.
Efeitos aditivos: o Ibuprofeno inibe a síntese renal de prostaglandinas; em uso crónico soma-se a carga sobre a função renal. A associação em doses terapêuticas não potencia a hepatotoxicidade do Paracetamol.
Função renal e sinais de toxicidade em doentes de risco ou em uso prolongado. Evitar a combinação em crianças sem dose ajustada por peso.
Dor lombar de novo, edema, redução do débito urinário, elevação da tensão arterial.
Usar as menores doses eficazes pelo menor tempo necessário. Dar preferência a um único analgésico. Em doentes com doença renal, hipertensão ou idade avançada, reforçar a vigilância.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Paracetamol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=4c737cd6-fe56-4cef-887c-cd6cf83b254c ; rótulo aprovado Ibuprofeno: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=14515409-736f-4119-b6a0-cb19ee2e948e
O uso regular e prolongado de Paracetamol (> ~1-2 g/dia durante dias) pode elevar o efeito anticoagulante da Warfarina (INR), sobretudo em uso contínuo.
O paracetamol é o analgésico preferido em doentes anticoagulados por não ter o risco hemorrágico gastrointestinal dos AINEs, mas em doses elevadas ou uso prolongado pode aumentar o INR: o mecanismo envolve a depleção de glutatião e a interferência com a síntese dos fatores de coagulação dependentes de vitamina K (o metabolito NAPQI inibe a carboxilação dependente de vitamina K). Estudos mostram elevações do INR com doses ≥ 2 g/dia mantidas por vários dias. Recomenda-se usar a menor dose eficaz, não exceder 2–3 g/dia de forma continuada e monitorizar o INR em doentes que usam paracetamol cronicamente.
O paracetamol em doses elevadas ou uso prolongado (>2 g/dia durante dias) pode aumentar o INR. Usar a menor dose eficaz e monitorizar o INR; o paracetamol é o analgésico preferido face aos AINEs.
Mecanismo ainda incompletamente esclarecido: possível interferência no metabolismo de vitamina K e dos fatores de coagulação.
INR regular em doentes que usam Paracetamol diariamente há mais de uma semana.
Sangramento incomum, hematomas espontâneos, gengivorragia, melaena.
Não contraindicado no uso pontual. Em uso crónico, vigiar o INR e ajustar a dose de Warfarina se necessário.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Paracetamol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=4c737cd6-fe56-4cef-887c-cd6cf83b254c ; rótulo aprovado Warfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057
O consumo crónico de álcool aumenta o risco de hepatotoxicidade do paracetamol, mesmo em doses terapêuticas.
Evitar o consumo de álcool; não exceder a dose diária recomendada de paracetamol.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Paracetamol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=4c737cd6-fe56-4cef-887c-cd6cf83b254c
O paracetamol pode ser tomado com ou sem alimentos; a absorção pode ser ligeiramente mais lenta com alimentos, sem relevância clínica.
Pode tomar com ou sem alimentos.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Paracetamol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=4c737cd6-fe56-4cef-887c-cd6cf83b254c
O paracetamol é hepatotóxico em doses elevadas; doentes com doença hepática têm risco aumentado de lesão hepática.
Reduzir a dose diária máxima e evitar o uso prolongado em doença hepática.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Paracetamol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=4c737cd6-fe56-4cef-887c-cd6cf83b254c
O consumo crónico de álcool aumenta o risco de hepatotoxicidade do paracetamol, mesmo em doses terapêuticas.
Limitar a dose diária máxima e informar o doente sobre o risco.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Paracetamol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=4c737cd6-fe56-4cef-887c-cd6cf83b254c
O paracetamol é o analgésico/antipirético de escolha na gravidez nas doses habituais.
Pode usar na menor dose eficaz e pelo menor tempo possível.
Presente no leite materno em pequenas quantidades; compatível com a amamentação.
Não é necessária contraceção específica.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Paracetamol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=4c737cd6-fe56-4cef-887c-cd6cf83b254c
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Analgésico e antipirético com eficácia bem estabelecida na dor ligeira a moderada e na febre; a atividade analgésica é predominantemente central (o mecanismo exato não está completamente esclarecido), com inibição da síntese de prostaglandinas no SNC e ação sobre vias serotoninérgicas descendentes.
O mecanismo analgésico envolve a inibição da ciclo-oxigenase central (COX-3/COX-2) e a modulação das vias serotoninérgicas descendentes inibitórias da dor; em doses terapêuticas tem pouca atividade anti-inflamatória periférica. Em sobredosagem, o metabolito reativo N-acetil-p-benzoquinonaimina (NAPQI) esgota a glutationa e causa necrose hepatocelular.
Absorção oral rápida e quase completa no intestino delgado, dependente do esvaziamento gástrico; as concentrações máximas ocorrem 30-60 minutos após a toma. A biodisponibilidade é de cerca de 75-85% (ligeiro efeito de primeira passagem).
Metabolização hepática extensa: conjugação com glucuronídeo (~55%) e sulfato (~30%) e oxidação via CYP (CYP2E1, CYP1A2, CYP3A4) com formação do metabolito reativo NAPQI, normalmente conjugado com glutationa; em sobredosagem o NAPQI acumula-se e lesa os hepatócitos. Cerca de 85% da dose aparece na urina em 24 horas, sobretudo como conjugados.
Semivida plasmática de 1,9 a 2,5 horas em doses terapêuticas (média ~2 h), com clearance total de 4,5-5,5 mL/min/kg; prolonga-se na doença hepática e na sobredosagem.
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.