A buprenorfina é um medicamento opióide usado no tratamento de substituição da dependência de opióides (como a heroína), em comprimidos sublinguais. Reduz os sintomas de privação e o desejo pela droga, com efeito máximo limitado (efeito teto) que diminui o risco de depressão respiratória grave em comparação com agonistas totais. Só deve ser usada sob prescrição e acompanhamento especializado.
Também conhecido como: buprenorphine
A buprenorfina com sertralina aumenta o risco de síndrome serotoninérgica.
A administração concomitante de opioides com fármacos que afetam o sistema serotoninérgico, como os ISRS (sertralina), pode resultar em síndrome serotoninérgica, potencialmente fatal; o rótulo da buprenorfina refere casos de síndrome serotoninérgica com o uso concomitante de opioides e fármacos serotonérgicos e recomenda observar cuidadosamente o doente, sobretudo no início do tratamento e em ajustes de dose, e suspender a buprenorfina se a síndrome for suspeitada. Os sintomas incluem alterações do estado mental (agitação, alucinações, coma), instabilidade autonómica (taquicardia, variação da pressão arterial, hipertermia) e alterações neuromusculares (hiperreflexia, incoordenação, rigidez).
Buprenorfina + sertralina: risco de síndrome serotoninérgica (opioide + ISRS). Vigiar sintomas, sobretudo no início e em ajustes de dose.
Ambos aumentam a serotonina no SNC; a buprenorfina associa-se também a depressão respiratória que a sertralina pode mascarar.
Agitação, febre, tremores, hiperreflexia, clonias.
Sinais de serotoninergismo grave exigem suspensão imediata e suporte.
Vigiar sinais de serotoninergismo; ajustar doses com precaução.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Buprenorfina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=713db2c6-0544-4633-b874-cfbeaf93db89 ; rótulo aprovado Sertralina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=91e24d17-ff0a-449c-9472-b9df74c98456 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
O itraconazol aumenta as concentrações de buprenorfina, potenciando sedação e depressão respiratória.
A buprenorfina é metabolizada pelo CYP3A4, e o itraconazol (inibidor potente do CYP3A4) pode aumentar as suas concentrações plasmáticas: o rótulo do itraconazol lista a buprenorfina (IV e sublingual) entre os fármacos com interação farmacocinética documentada com o itraconazol, e o rótulo da buprenorfina adverte que os inibidores do CYP3A4 aumentam os níveis de buprenorfina, recomendando monitorizar e, quando o inibidor for descontinuado, considerar o ajuste da dose. A associação (ex.: doente em terapêutica de substituição opioide que inicia um antifúngico oral) requer vigilância de sedação, sonolência, confusão e depressão respiratória, especialmente no início; reduzir a dose de buprenorfina se necessário.
Buprenorfina + itraconazol: o itraconazol inibe o CYP3A4 e aumenta os níveis de buprenorfina. Vigiar sedação e depressão respiratória.
A buprenorfina é metabolizada pela CYP3A4; a inibição pelo itraconazol reduz o seu metabolismo.
Sinais de sobredosagem opioide: miose, sedação, bradipneia.
Depressão respiratória persistente exige avaliação urgente.
Usar com precaução; considerar redução de dose e monitorização da sedação.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Buprenorfina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=713db2c6-0544-4633-b874-cfbeaf93db89 ; rótulo aprovado Itraconazol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=a4d555fa-787c-40fb-bb7d-b0d4f7318fd0 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
O álcool potencia os efeitos depressores do SNC da buprenorfina.
Avoid alcohol during treatment.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovado BuTrans (Buprenorfina): https://www.medicines.org.uk/emc/product/7645/smpc
A buprenorfina pode causar depressão respiratória clinicamente significativa.
Contraindicada na insuficiência respiratória grave.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovado BuTrans (Buprenorfina): https://www.medicines.org.uk/emc/product/7645/smpc
Pode precipitar síndrome de privação em doentes dependentes de opioides agonistas plenos.
Contraindicada em doentes dependentes, exceto em programas estruturados.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovado BuTrans (Buprenorfina): https://www.medicines.org.uk/emc/product/7645/smpc
A buprenorfina atravessa a placenta; o uso crónico pode causar abstinência neonatal.
Não recomendada a menos que o benefício justifique o risco.
Excretada no leite; evitar durante a amamentação.
Aconselhar contraceção eficaz no uso crónico.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovado BuTrans (Buprenorfina): https://www.medicines.org.uk/emc/product/7645/smpc
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Agonista parcial dos recetores opióides mu e antagonista dos recetores kappa, indicado no tratamento da dependência de opióides (comprimidos sublinguais, preferidos para a indução). Produz efeitos agonistas típicos limitados por um efeito teto (inclusive na depressão respiratória); prolonga o QTc em ≤15 ms nos estudos. Semivida longa (31-35 h) que permite toma diária.
Agonista parcial do recetor opióide mu e antagonista do recetor kappa. O efeito teto nos efeitos subjetivos e na depressão respiratória distingue-a dos agonistas totais; nos estudos de dose única ascendente (1-32 mg), para todas as medidas em que o fármaco produziu efeito houve uma dose a partir da qual não houve efeito adicional. A buprenorfina inibe CYP2D6 e CYP3A4 in vitro, mas as concentrações terapêuticas não suscitam interações clinicamente relevantes.
Absorção sublingual com ampla variabilidade interindividual (baixa variabilidade intraindividual); Cmax e AUC aumentam linearmente com a dose entre 4-16 mg, embora não diretamente proporcionais. Cmax média de 1,25 ng/mL (2 mg), 2,88 ng/mL (8 mg) e 4,70 ng/mL (16 mg), com Tmax de ~1,3-1,8 horas. Nos estudos de efeitos subjetivos, o pico de efeito ocorreu após ~100 minutos.
Metabolizada por N-desalquilação em norbuprenorfina (principalmente via CYP3A4) e por glucuronidação; a norbuprenorfina, o principal metabolito, pode sofrer glucuronidação adicional. Estudo de balanço de massa: recuperação completa da radiatividade na urina (30%) e fezes (69%) em 11 dias; na urina, a maior parte da buprenorfina e norbuprenorfina encontra-se conjugada. Ligação proteica de aproximadamente 96% (alfa e beta globulinas).
Semivida média de eliminação plasmática de 31 a 35 horas após administração sublingual (31,7 h a 2 mg; 35,0 h a 8 mg; 36,5 h a 16 mg); a norbuprenorfina tem semivida de ~39-44 horas. Na insuficiência hepática moderada/grave a Cmax, AUC e semivida aumentam (até +57% na semivida na insuficiência grave).
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.