A morfina é um analgésico opióide forte usado no alívio da dor aguda ou crónica grave que não responde a analgésicos mais fracos. Atua no cérebro e na medula espinhal, reduzindo a perceção da dor. É um medicamento sujeito a controlo especial (estupefaciente): pode causar dependência, sonolência, obstipação e, em doses elevadas, depressão respiratória potencialmente fatal. Deve ser usada sob prescrição e vigilância médica, com a menor dose eficaz pelo menor tempo possível.
Também conhecido como: morphine, morphine sulfate, MS Contin
A associação de Hidroxizina com Morfina aumenta o risco de sedação profunda, hipotensão e depressão respiratória.
Opioide + anti-H1 sedativo: depressão aditiva do SNC e do centro respiratório.
Nível de consciência, frequência respiratória, tensão arterial.
Sonolência extrema, respiração lenta, hipotensão.
Se a associação for necessária (pré-medicação analgésica), reduzir doses e vigiar respiração.
DailyMed — rótulos Morphine Sulfate Injection [Fresenius Kabi] (depressores do SNC aditivos) e Hydroxyzine Pamoate [RemedyRepack]: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=1f53de80-efc8-4930-b3e3-fba0d026af05
Anti-histamínico sedativo + opioide: depressão do SNC aditiva.
O rótulo da difenidramina documenta que "a difenidramina tem efeitos aditivos com o álcool e outros depressores do SNC (hipnóticos, sedativos, tranquilizadores, etc.)" e o da morfina classifica os "Benzodiazepines and Other Central Nervous System (CNS) Depressants" como interação com risco de "sedação profunda, depressão respiratória, coma e morte" por efeito farmacológico aditivo. A difenidramina é um anti-histamínico H1 com efeito sedativo central e a morfina é um opioide com depressão do SNC e respiratória — a soma é particularmente arriscada em idosos, doentes com DPOC, apneia do sono ou polifarmácia. Evitar sempre que possível; se inevitável (ex.: prurido urémico ou reação alérgica em doente a tomar morfina), usar a menor dose, vigiar sedação e frequência respiratória, e informar o doente para não conduzir ou operar máquinas. Considerar alternativas não sedativas (anti-histamínicos H1 de segunda geração, como a cetirizina, para o prurido).
Difenidramina + morfina: sedação e depressão do SNC aditivas. Risco de sonolência, tonturas e depressão respiratória. Evitar ou monitorizar de perto.
Ambos deprimem o sistema nervoso central, potenciando a sedação e a depressão respiratória.
Nível de consciência, frequência respiratória, oximetria.
Sonolência profunda, bradipneia, confusão.
Evitar a associação; se inevitável, usar a menor dose e vigiar sedação/respiração.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Difenidramina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=d8944f3c-acef-4ebe-9633-7d641ae95edf ; rótulo aprovado Morfina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=57ee014e-744e-65e1-e063-6394a90a8c93 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A associação de morfina com alprazolam aumenta o risco de sedação profunda, depressão respiratória, coma e morte.
A morfina e o alprazolam deprimem o sistema nervoso central e o centro respiratório por mecanismos complementares (agonismo dos recetores opioides mu e potenciação do GABA no recetor GABA-A). A FDA emitiu um aviso em caixa (boxed warning) para a associação de opioides com benzodiazepinas: uma fração substancial das mortes por overdose envolve os dois grupos em simultâneo. Sempre que possível, evitar a coadministração; se for clinicamente inevitável, usar as menores doses eficazes pelo menor tempo, informar o doente e os familiares e vigiar a sedação, a frequência respiratória e a saturação de oxigénio. Deve estar disponível naloxona quando o opioide é usado em dose relevante.
Benzodiazepina + opioide: depressão aditiva do SNC e da respiração, com risco de sedação profunda, coma e morte. Evitar a associação; se inevitável, usar as menores doses eficazes e vigiar de perto a sedação e a respiração.
Efeito aditivo de opioides e benzodiazepinas na depressão do sistema nervoso central e da respiração.
Frequência respiratória, saturação de oxigénio, nível de sedação e pupilas.
Depressão respiratória (frequência < 10/min), sedação profunda ou coma exigem avaliação urgente e reversão com naloxona.
Evitar a associação sempre que possível; se inevitável, usar as menores doses eficazes e vigiar de perto.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Morfina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=57ee014e-744e-65e1-e063-6394a90a8c93 ; rótulo aprovado Alprazolam: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=0cf8b567-201b-44fa-8fd3-c74023aff44f — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Inibidor de CYP3A4 + opioide: metabolito activo pode acumular.
O fluconazol inibe moderadamente o UGT2B7, podendo aumentar os níveis de morfina-6-glucurónido. O efeito é menos pronunciado que com ritonavir.
Frequência respiratória, sedação.
Depressão respiratória.
Monitorizar sinais de depressão respiratória. Considerar reduzir dose 25%.
DailyMed/FDA — rótulo aprovado Morfina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=41bf125b
Inibidor de CYP3A4 + opioide: níveis de morfina-6-glucurónido (metabolito activo) aumentados. Depressão respiratória grave.
A morfina é metabolizada por glucuronidação (UGT2B7) em dois metabolitos: morfina-3-glucurónido (inactivo, ~60%) e morfina-6-glucurónido (activo, ~10%, mais potente que morfina). O ritonavir inibe o UGT2B7, reduzindo a clearance da morfina e aumentando os níveis do metabolito activo. O efeito é prolongado (morfina-6-glucurónido tem meia-vida mais longa que morfina). Complicações: depressão respiratória prolongada, íleo paralítico, retenção urinária. Monitorizar estreitamente.
Inibidor de UGT2B7 + opioide: metabolito activo morfina-6-glucurónido acumula. Depressão respiratória prolongada e íleo paralítico.
A morfina é metabolizada por glucuronidação (UGT2B7) a morfina-3-glucurónido (inactivo) e morfina-6-glucurónido (activo, mais potente que morfina). O ritonavir inibe o UGT2B7, aumentando os níveis do metabolito activo. Risco de depressão respiratória prolongada.
Frequência respiratória, saturação O2, nível de consciência, tempo de trânsito intestinal.
Depressão respiratória, íleo paralítico severo.
Evitar combinação se possível. Se necessário, reduzir dose de morfina 50% e monitorizar estreitamente.
DailyMed/FDA — rótulo aprovado Morfina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=41bf125b
O álcool potencia os efeitos depressores do SNC da morfina, com risco de sedação e depressão respiratória.
Recomendar a evicção do consumo de álcool durante o tratamento.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada MST Continus (Morfina): https://www.medicines.org.uk/emc/product/7664/smpc
A morfina pode provocar ou agravar a depressão respiratória, riso em doentes com insuficiência respiratória.
Contraindicada na depressão respiratória grave; usar com extrema cautela noutras insuficiências respiratórias.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada MST Continus (Morfina): https://www.medicines.org.uk/emc/product/7664/smpc
Os opioides reduzem a motilidade gastrointestinal e podem causar ou agravar o íleo paralítico.
Contraindicado em doentes com íleo paralitico; vigiar obstipação grave.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada MST Continus (Morfina): https://www.medicines.org.uk/emc/product/7664/smpc
A morfina atravessa a placenta; o uso crónico pode provocar síndrome de abstinência neonatal e depressão respiratória no recém-nascido.
Não recomendada a menos que o benefício justifique o risco; o uso no trabalho de parto pode deprimir a respiração do recém-nascido.
Excretada no leite; não recomendada durante a amamentação.
Com uso crónico, aconselhar sobre contraceção eficaz.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada MST Continus (Morfina): https://www.medicines.org.uk/emc/product/7664/smpc ; Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012) — Anexo 1, Fármacos e Gravidez: Evitar; estimulante uterino potente (tem sido usado para induzir aborto e pode originar nados-mortos).
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Agonista opióide mu de referência: analgesia potente, sedação e euforia, com depressão respiratória dose-dependente (o efeito limitante). O efeito analgésico máximo ocorre ~60 min após a toma oral e a duração do efeito é de 4-6 h. Causa obstipação (redução do peristaltismo), miose, náuseas/vómitos e libertação de histamina (prurido).
Agonista seletivo dos recetores opióides mu (μ) no SNC e periferia, com menor afinidade para delta e kappa. Ativa as vias inibitórias descendentes da dor e inibe a libertação de neurotransmissores pró-nociceptivos (ex.: substância P) nos aferentes primários, reduzindo a transmissão do estímulo doloroso na medula espinhal.
Cerca de 2/3 da dose oral é absorvida no trato gastrointestinal; biodisponibilidade oral <40% com grande variabilidade interindividual (extenso metabolismo pré-sistémico). Os alimentos não alteram a extensão da absorção (AUC). Estado de equilíbrio atingido em ~48 h com administração 6/6 h.
Conjugação hepática com ácido glucurónico: morfina-3-glucuronídeo (M3G, ~50%, sem atividade analgésica) e morfina-6-glucuronídeo (M6G, ~15%, com atividade analgésica mas baixa passagem da barreira hematoencefálica); <5% desmetilação. Excreção renal dos glucuronídeos; acumulação de M3G/M6G na insuficiência renal.
Semivida de eliminação ~2 h após administração IV; a duração do efeito analgésico é de 4-6 h (as formulações de libertação prolongada estendem o intervalo de dosagem). Volume de distribuição 1-6 L/kg; ligação proteica 20-35%.
Como este fármaco se relaciona com enzimas e transportadores (CYP450, COX, P-gp, MAO e outros). Cada papel tem ligação ao perfil do alvo.
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.