A metoclopramida é um medicamento procinético e antiemético, usado no tratamento de curta duração da doença de refluxo gastroesofágico sintomática e documentada que não respondeu à terapêutica convencional, e no alívio dos sintomas da gastroparesia diabética aguda e recorrente em adultos. Pode causar efeitos extrapiramidais e discinesia tardia, pelo que o uso é limitado no tempo.
Também conhecido como: Primperan, Maxolon, metoclopramide
A metoclopramida aumenta a motilidade gástrica e pode reduzir a absorção da levotiroxina, diminuindo o seu efeito.
A metoclopramida aumenta o peristaltismo gástrico e acelera o esvaziamento, o que pode reduzir o tempo de dissolução e absorção da levotiroxina no duodeno proximal. O rótulo da metoclopramida documenta que o "aumento da motilidade GI pela metoclopramida pode afetar a absorção de outros fármacos, levando a uma diminuição" da mesma. Embora a levotiroxina não esteja explicitamente listada, o mecanismo é aplicável a fármacos absorvidos no duodeno proximal que dependem de um tempo de contacto adequado. Esta interação é leve e variável entre doentes, mas pode ser clinicamente relevante em doentes com hipotiroidismo limiar ou em que a dose de levotiroxina foi recentemente ajustada. Separar as tomas (metoclopramida após as refeições, levotiroxina em jejum) e monitorizar TSH se houver suspeita de má absorção ou agravamento do hipotiroidismo.
Metoclopramida + levotiroxina: a aceleração do esvaziamento gástrico pela metoclopramida encurta o tempo de contacto da levotiroxina com a mucosa absortiva. Monitorizar TSH.
A aceleração do esvaziamento gástrico encurta o tempo de contacto da levotiroxina com a mucosa absortiva.
Monitorizar TSH e sintomas de hipotiroidismo (fadiga, ganho de peso).
Hipotiroidismo descompensado.
Separar as tomas e monitorizar a TSH ao iniciar ou suspender a metoclopramida.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Metoclopramida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5d31d815-50fa-4e78-8ebd-affc2514ce78 ; rótulo aprovado Levotiroxina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=55f4c679-86cb-b97f-e063-6294a90ad5ef — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A metoclopramida pode reduzir a absorção da digoxina e, em alguns doentes, atrasar o seu efeito terapêutico.
A metoclopramida acelera o esvaziamento gástrico e o trânsito intestinal, o que pode aumentar a velocidade e a extensão da absorção da digoxina (sobretudo nas formulações de libertação lenta) e elevar transitoriamente os níveis plasmáticos. O efeito é geralmente modesto, mas relevante em doentes com níveis limítrofes ou função renal diminuída. Recomenda-se monitorizar a digoxinemia quando se inicia ou suspende a metoclopramida e vigiar sinais de toxicidade digitálica; separar as tomas quando possível.
A metoclopramida acelera o esvaziamento gástrico e pode aumentar a absorção e os níveis de digoxina. Monitorizar a digoxinemia em doentes estáveis.
O aumento do trânsito intestinal pela metoclopramida reduz o tempo de absorção da digoxina.
Vigiar a resposta antiarrítmica/antifibrilatória e sintomas de insuficiência cardíaca.
Perda de controlo do ritmo/da insuficiência cardíaca.
Monitorizar a resposta clínica e considerar dose ajustada ou esquema alternativo.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Metoclopramida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5d31d815-50fa-4e78-8ebd-affc2514ce78 ; rótulo aprovado Digoxina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=e61d2108-d871-44c0-b12a-2e61fbb56967 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Levodopa + metoclopramida: a metoclopramida pode aumentar a biodisponibilidade da levodopa (esvaziamento gástrico), mas antagoniza o efeito antiparkinsónico pelos seus efeitos antagonistas dopaminérgicos (QUADRO 2).
A metoclopramida é um antagonista dopaminérgico (D2) e pode contrariar o efeito terapêutico da levodopa nos doentes com doença de Parkinson, agravando os sintomas motores; por outro lado, ambos podem causar discinesias. O QUADRO 2 do Anexo 7 regista esta interação na secção da levodopa. Em doentes parkinsónicos, evitar a metoclopramida como antiemético; preferir domperidona (que atravessa menos a barreira hematoencefálica) ou outros antieméticos não dopaminérgicos. Se a metoclopramida for inevitável, usá-la por curto período e vigiar o agravamento motor. O risco é maior em doentes com doses elevadas de levodopa ou doença avançada.
Metoclopramida + levodopa: antagonismo dopaminérgico — redução do efeito antiparkinsónico e risco de agravamento dos sintomas; evitar.
A metoclopramida aumenta a motilidade gástrica (aumenta a absorção da levodopa) mas é antagonista dopaminérgico D2 — pode piorar os sintomas parkinsónicos (QUADRO 2, Levodopa: os agentes que alteram a motilidade gastrintestinal podem alterar o grau de degradação intra-luminal; a associação com agentes antagonistas dopaminérgicos pode conduzir a efeitos antagonistas).
Vigiar o agravamento dos sintomas parkinsónicos.
Agravamento do tremor/rigidez em doente parkinsónico a tomar metoclopramida.
Evitar a associação em doentes com doença de Parkinson; usar procinético não dopaminérgico (ex: domperidona tem menos passagem central, mas com precaução) ou alternativa.
Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012) — Anexo 7, QUADRO 2 (Levodopa)
A metoclopramida deve ser tomada antes das refeições para otimizar o efeito procinético.
Tomar 30 minutos antes das refeições.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Metoclopramida: https://www.medicines.org.uk/emc/product/6213/smpc
A metoclopramida pode provocar crises hipertensivas graves em doentes com feocromocitoma.
Não usar em doentes com feocromocitoma.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Metoclopramida: https://www.medicines.org.uk/emc/product/6213/smpc
A metoclopramida pode reduzir o limiar convulsivo.
Usar com precaução e vigiar sinais neurológicos.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Metoclopramida: https://www.medicines.org.uk/emc/product/6213/smpc
A metoclopramida é antagonista dopaminérgico e pode agravar os sintomas parkinsónicos.
Não usar em doentes com doença de Parkinson.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Metoclopramida: https://www.medicines.org.uk/emc/product/6213/smpc
Reduzir a posologia na insuficiência hepática.
Reduzir a posologia na insuficiência hepática.
Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012) — Anexo 3, Fármacos e insuficiência hepática: Reduzir a posologia na insuficiência hepática.
A metoclopramida é usada na gravidez (hiperémese), mas deve ser usada com precaução no 1.º trimestre e em doses baixas.
Usar a menor dose eficaz e pelo menor tempo possível.
Excretado no leite em pequenas quantidades; uso pontual provavelmente compatível.
Sem contraceção adicional específica.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Metoclopramida: https://www.medicines.org.uk/emc/product/6213/smpc
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Procinético e antiemético (antagonista dopaminérgico D2 e agonista 5-HT4/antagonista 5-HT3), indicado no tratamento de curta duração da náusea e vómito, da gastroparesia diabética e da doença de refluxo gastroesofágico. Aumenta o tónus do esfíncter esofágico inferior e acelera o esvaziamento gástrico. Risco de efeitos extrapiramidais (incluindo discinesia tardia) com uso prolongado — limitar a duração do tratamento.
Estimula a motilidade do trato gastrointestinal superior sem estimular as secreções gástrica, biliar ou pancreática: aumenta o tónus e a amplitude das contrações gástricas (antral), relaxa o esfíncter pilórico e o bolbo duodenal e aumenta o peristaltismo do duodeno e jejuno, acelerando o esvaziamento gástrico e o trânsito intestinal; aumenta o tónus em repouso do esfíncter esofágico inferior. Parece sensibilizar os tecidos à ação da acetilcolina; o efeito é abolido por anticolinérgicos.
Biodisponibilidade oral absoluta de 80% ± 15,5% (face à dose IV de 20 mg); picos plasmáticos cerca de 1-2 horas após dose oral. Não se liga extensamente às proteínas plasmáticas (~30%); volume de distribuição elevado (~3,5 L/kg), sugerindo distribuição extensa nos tecidos.
Metabolizada no fígado por oxidação e por conjugação com glucurónido e sulfato; o principal metabolito oxidativo (monodesetilmetoclopramida) forma-se sobretudo pelo CYP2D6, enzima sujeita a variabilidade genética. Cerca de 85% da radioatividade de uma dose oral aparece na urina em 72 horas; apenas 18-22% é recuperada como metoclopramida livre nas primeiras 36 horas.
Semivida média de eliminação de 5-6 horas em doentes com função renal normal (a farmacocinética é linear entre 20-100 mg). A insuficiência renal grave prolonga a semivida e reduz o clearance — reduzir a dose. A semivida pode prolongar-se na insuficiência hepática (menor clearance).
Como este fármaco se relaciona com enzimas e transportadores (CYP450, COX, P-gp, MAO e outros). Cada papel tem ligação ao perfil do alvo.
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.