Metilergometrina é um medicamento que faz o útero contrair de forma firme e prolongada. Administra-se após o parto (por via oral ou injetável) para tratar hemorragias causadas por má contração uterina.
Também conhecido como: Methergine, Metilergonovina
A metilergometrina (uterotónico) e o salbutamol (tocolítico beta-2) têm efeitos uterinos diretamente opostos: em risco de parto pré-termo, evitar metilergometrina; no pós-parto com salbutamol por asma, vigiar hemorragia.
O salbutamol relaxa o miométrio (β2); a metilergometrina aumenta o tónus e as contrações uterinas (alcaloide da cravagem); a combinação pode atenuar a hemostasia uterina no pós-parto ou a tocolise no pré-termo (Prontuário, obstetrícia).
Perda hemática, tónus uterino, FC materna (taquicardia aditiva).
Hemorragia pós-parto prolongada, contrações atenuadas.
Em parto pré-termo: só tocolíticos (salbutamol/nifedipino); no pós-parto com salbutamol necessário, vigiar perda hemática e tónus uterino.
EMC-UK — Ergometrine Injection BP 0.05% w/v (hameln pharma), SmPC 4.3/4.4 (hipertensão, vasospasmo; contexto tocolíticos): https://www.medicines.org.uk/emc/product/6265/smpc; Prontuário Terapêutico INFARMED (11.ª ed., 2012), Obstetrícia (alcalóides da cravagem e tocolíticos β2).
A associação de metilergometrina (vasoconstritor) com dopamina (vasopressor) soma vasoconstrição periférica e central, com risco de crise hipertensiva, vasospasmo coronário/cerebral e isquemia.
Os alcalóides da cravagem provocam vasoconstrição periférica dose-dependente ("em caso de sobredosagem surge vasoconstrição periférica" — Prontuário); a dopamina ativa recetores α/β-adrenérgicos; a soma pressórica pode ser brutal.
PA invasiva, diurese, perfusão periférica, ECG (isquemia).
Cefaleia brutal, dor torácica, palidez/ frialdade de extremidades, convulsões.
Evitar a co-administração; se uterotónico for necessário em doente vasopressor-dependente, preferir ocitocina isolada e vigiar PA invasiva; suspender gradualmente o vasopressor.
EMC-UK — Ergometrine Injection BP 0.05% w/v (hameln pharma), SmPC 4.4/4.5 (vasoconstrição, hipertensão, angina/infarto): https://www.medicines.org.uk/emc/product/6265/smpc; Prontuário Terapêutico INFARMED (11.ª ed., 2012), Metilergometrina: vasoconstrição periférica em sobredosagem.
A associação de metilergometrina com noradrenalina soma vasoconstrição α-adrenérgica intensa, com risco de isquemia de extremidades, miocárdio e intestino, e crise hipertensiva.
A noradrenalina é potente agonista α1 (vasoconstrição sistémica); os alcalóides da cravagem somam vasoconstrição própria (serotoninérgica/α) — a combinação é proarrítmica e isquemiante (EMC Ergometrine: contraindicada em doença vascular oclusiva).
PA invasiva, perfusão periférica (capilarografia), lactatos, ECG.
Frialdade/marbling de extremidades, dor torácica, dor abdominal isquémica.
Evitar a co-administração; em choque séptico hemorrágico pós-parto, preferir ocitocina; se uso inevitável, PA invasiva e vigilância de perfusão distal.
EMC-UK — Ergometrine Injection BP 0.05% w/v (hameln pharma), SmPC 4.3 (doença vascular oclusiva contraindicada) e 4.4 (vasoconstrição): https://www.medicines.org.uk/emc/product/6265/smpc
A metilergometrina é usada por via IM/IV ou oral curta no pós-parto; não há interação alimentar documentada nos rótulos.
Sem restrições alimentares durante o uso.
EMC-UK — Methylergometrine/Methylergonovine labels (sem secção de interações alimentares).
A metilergometrina é contra-indicada na hipertensão e pré-eclâmpsia — vasoconstrição intensa agrava a tensão arterial.
Medir tensão antes de cada dose no pós-parto; alternativas: ocitocina.
Prontuário Terapêutico INFARMED, 7.2 (metilergometrina — contra-indicada em hipertensão, pré-eclâmpsia e doença vascular oclusiva); ficha do site.
Contra-indicada em doença vascular oclusiva — risco de vasospasmo, angina e isquemia periférica.
Não usar em cardiopatas no pós-parto; preferir ocitocina.
EMC-UK — Ergometrine Injection BP (product/6265) § 4.3 (doença vascular oclusiva, angina/infarto).
Contra-indicada durante a gravidez antes do descolamento da placenta — provoca contracções tónicas e pode lesar o feto.
Apenas após a expulsão da placenta (profilaxia/tratamento da HPP).
Prontuário Terapêutico INFARMED, 7.2 (metilergometrina — gravidez antes do descolamento).
Contraindicada antes da expulsão do feto: é um alcalóide do esporão do centeio com efeito uterotónico potente — provoca contracções tónicas que podem causar sofrimento fetal, rutura uterina ou aborto. O Prontuário classifica-a com factor de risco C (gravidez).
Contraindicada durante a gravidez e para indução do parto; usar apenas no fim da 2.ª fase do trabalho de parto (após a expulsão do ombro anterior do RN) ou imediatamente após o parto, sob supervisão de especialistas. Evitar em doentes com eclâmpsia (Prontuário 7.2.1).
Excretada no leite; a ergotamina (alcalóide afim) é "contra-indicada" no aleitamento (Prontuário, Anexo 2) e os alcalóides do esporão associam-se a toxicidade neonatal (vómitos, diarreia, convulsões, hipertensão). Não amamentar durante 12–24 horas após cada dose.
Prontuário Terapêutico INFARMED — 7.2.1 (Ocitócicos): metilergometrina, "Deve usar-se apenas no fim da segunda fase do trabalho de parto mas não para indução do parto... Evitar em doentes com eclâmpsia"; Anexo 1: factor C. EMC-UK (MHRA) — SmPC Methylergometrine/Metilergometrina (Methergin).
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Uterotónico ergotado de ação firme e prolongada, usado APÓS o descolamento da placenta; contraindicado antes (risco de retenção placentária e hipertensão grave).
Agonista parcial dos recetores alfa-1-adrenérgicos e 5-HT2 do miométrio: aumento do tónus basal (contração tetânica sustentada) e da frequência de contrações; menor atividade vasopressora que os outros alcaloides do ergot, mas retém risco de vasoconstrição coronária/periférica em doses altas ou predispostos.
Oral: absorção boa (~60–70%), pico 30–60 min, início 5–15 min. IM: pico mais rápido (início 2–5 min). IV (raro, diluído): imediato — risco de hipertensão grave.
Hidroxilação hepática extensa (CYP3A4) e conjugação; a fração absorvida sofre primeira passagem significativa (biodisponibilidade oral ~60%). Inibidores de CYP3A4 (macrólidos, azólicos) elevam a exposição — risco de ergotismo.
3,4 h (IV); 8–12 h aparentes por via oral (absorção/prolongação do efeito uterino).
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.