A glibenclamida é um medicamento oral usado no tratamento da diabetes tipo 2, para baixar o açúcar no sangue. É tomada com as refeições. O efeito secundário mais importante é a hipoglicemia.
Também conhecido como: Daonil
O Voriconazol potencia o efeito da Glibenclamida, com risco de hipoglicemia.
A glibenclamida é metabolizada pelo CYP2C9 (e CYP3A4), e o voriconazol é um inibidor do CYP2C9 e do CYP3A4: a associação aumenta as concentrações da sulfonilureia e o risco de hipoglicemia — mecanismo análogo ao documentado com o fluconazol (AUC da glibenclamida +44% e 5 de 20 voluntários a precisarem de glucose oral no estudo do rótulo do fluconazol). O voriconazol também prolonga o QT e pode causar hepatotoxicidade. Monitorizar a glicemia de perto no início da associação e sempre que a dose do antifúngico mudar, avisar o doente para os sinais de hipoglicemia (sudorese, tremor, palpitações, confusão) e considerar reduzir a dose da glibenclamida.
Glibenclamida + voriconazol: o voriconazol inibe o CYP2C9 e aumenta os níveis da glibenclamida. Monitorizar glicemia e ajustar a dose da sulfonilureia.
Inibição do CYP2C9 pelo voriconazol, reduzindo o metabolismo da glibenclamida.
Glicemia capilar, sintomas de hipoglicemia.
Hipoglicemia grave.
Monitorizar a glicemia; pode ser necessário reduzir a dose da sulfonilureia.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Voriconazol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=f6a1a792-141b-42e8-8bd1-884e4408eb8a ; rótulo aprovado Glibenclamida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=524eec41-37ee-419a-b7a1-d23e888ae6ab — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Hipoglicemia. A associação de dois antidiabéticos orais exige ajuste e vigilância; não é contraindicada.
A glibenclamida (sulfonilureia) estimula a secreção de insulina e a metformina reduz a produção hepática de glicose e melhora a sensibilidade à insulina — mecanismos complementares e sinérgicos, sendo a associação uma opção habitual na diabetes tipo 2. O principal risco é a hipoglicemia, potenciada pela sulfonilureia, sobretudo em idosos, jejum prolongado, insuficiência renal ou redução da ingestão alimentar. Recomenda-se iniciar com doses baixas, titular lentamente, educar o doente para os sinais de hipoglicemia e ajustar a glibenclamida perante qualquer deterioração da função renal.
Hipoglicemia. A associação de dois antidiabéticos orais exige ajuste e vigilância; não é contraindicada.
Efeito hipoglicemiante aditivo: a sulfonilureia estimula a insulina e a metformina reduz a produção hepática de glicose.
Glicemia capilar e sinais de hipoglicemia.
Tremor, sudação, confusão, palidez — sinais de hipoglicemia.
Iniciar a sulfonilureia em dose baixa e ajustar conforme as glicemias.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Glibenclamida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=524eec41-37ee-419a-b7a1-d23e888ae6ab ; rótulo aprovado Metformina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=13b1e35f-d047-8ddc-e063-6394a90a24dd
A ciprofloxacina pode causar hipoglicemia grave em doentes que tomam glibenclamida. Vigie a glicemia com atenção durante o antibiótico.
Existem relatos de caso de hipoglicemia grave e prolongada (refratária à correção) em doentes diabéticos com glibenclamida que iniciaram ciprofloxacina, incluindo níveis séricos elevados de glibenclamida. As fluoroquinolonas interferem com a secreção de insulina; em associação com sulfonilureias, o risco de disglicemia é bem documentado. Recomenda-se monitorização apertada da glicemia durante e após o antibiótico, sobretudo em idosos e doentes com insuficiência renal.
Casos documentados de hipoglicemia refratária com glibenclamida + ciprofloxacina. Monitorizar glicemia durante o antibiótico e tratar prontamente qualquer hipoglicemia.
Alteração da secreção de insulina pelas fluoroquinolonas, com risco aditivo nas sulfonilureias.
Glicemia capilar durante o antibiótico.
Hipoglicemia grave ou prolongada — sudação, confusão, coma.
Reforçar a automonitorização da glicemia; tratar qualquer hipoglicemia de imediato e reavaliar a dose da sulfonilureia.
PubMed — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10918110/ e https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15362597/ ; DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Glibenclamida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=524eec41-37ee-419a-b7a1-d23e888ae6ab ; rótulo aprovado Ciprofloxacina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=14c3bc33-201d-492e-9aee-a4d84c813a3d ; Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A aspirina em doses elevadas pode aumentar o efeito da glibenclamida e baixar demasiado o açúcar no sangue. Vigie a glicemia.
A SmPC da glimepirida (EMC-UK) e o rótulo da glibenclamida listam os salicilatos entre os fármacos que potenciam o efeito hipoglicemiante das sulfonilureias, por deslocação da ligação às proteínas e por efeito hipoglicemiante próprio em doses elevadas. A aspirina em dose antiagregante (75–100 mg) tem impacto limitado, mas doses analgésicas/anti-inflamatórias exigem vigilância da glicemia.
Os salicilatos em doses elevadas potenciam o efeito hipoglicemiante das sulfonilureias (deslocação proteica e efeito hipoglicemiante próprio). Vigiar glicemia; a aspirina em dose antiagregante baixa tem efeito mínimo.
Deslocação da ligação proteica e efeito hipoglicemiante próprio dos salicilatos em doses elevadas.
Glicemia capilar; sintomas de hipoglicemia.
Hipoglicemia — sudação, tremor, confusão.
Vigiar glicemia se doses elevadas de aspirina forem usadas; preferir dose antiagregante baixa se possível.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Glibenclamida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=524eec41-37ee-419a-b7a1-d23e888ae6ab ; rótulo aprovado Aspirina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=3ba0a9f2-062a-401e-82eb-54383a822366 ; EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Glimepirida: https://www.medicines.org.uk/emc/product/10742/smpc ; Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
O ibuprofeno pode aumentar o efeito da glibenclamida e baixar demasiado o açúcar no sangue. Vigie a glicemia se tomar os dois.
A SmPC da glimepirida (EMC-UK) inclui os anti-inflamatórios não esteróides entre os fármacos que potenciam o efeito hipoglicemiante das sulfonilureias. O mecanismo envolve deslocação da ligação proteica e inibição do metabolismo. Em doentes diabéticos, o uso de AINEs deve ser acompanhado de monitorização da glicemia, especialmente em cursos prolongados.
Os AINEs potenciam o efeito hipoglicemiante das sulfonilureias. Vigiar glicemia durante o uso de ibuprofeno, sobretudo em doses elevadas ou uso prolongado.
Deslocação da ligação proteica e inibição do metabolismo da sulfonilureia pelos AINEs.
Glicemia capilar; sintomas de hipoglicemia.
Hipoglicemia — sudação, tremor, confusão.
Monitorizar glicemia durante o uso de AINEs; usar a menor dose e duração possíveis.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Glimepirida: https://www.medicines.org.uk/emc/product/10742/smpc ; DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Glibenclamida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=524eec41-37ee-419a-b7a1-d23e888ae6ab ; rótulo aprovado Ibuprofeno: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=14515409-736f-4119-b6a0-cb19ee2e948e ; Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
O cotrimoxazol pode potenciar o efeito da glibenclamida e baixar demasiado o açúcar no sangue. Vigie a glicemia durante o antibiótico.
O sulfametoxazol (componente do cotrimoxazol) é uma sulfonamida que potencia o efeito hipoglicemiante das sulfonilureias por deslocação da ligação proteica e inibição do metabolismo — interação clássica e bem documentada (a SmPC da glimepirida lista as sulfonamidas entre os fármacos que potenciam a hipoglicemia). Esta associação é comum (infeções urinárias em diabéticos) e exige vigilância da glicemia.
As sulfonamidas (sulfametoxazol) potenciam a hipoglicemia das sulfonilureias. Monitorizar glicemia durante o antibiótico; considerar redução da dose da sulfonilureia.
Deslocação proteica e inibição do metabolismo da sulfonilureia pela sulfonamida.
Glicemia capilar; sintomas de hipoglicemia.
Hipoglicemia grave — sudação, confusão, coma.
Monitorizar glicemia durante o antibiótico; considerar redução temporária da dose da sulfonilureia.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Glimepirida: https://www.medicines.org.uk/emc/product/10742/smpc ; DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Glibenclamida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=524eec41-37ee-419a-b7a1-d23e888ae6ab ; rótulo aprovado Cotrimoxazol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=08500fcb-dbec-4ac2-91c3-189d27907ec0 ; Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
O Fluconazol potencia o efeito da Glibenclamida, com risco de hipoglicemia grave.
O fluconazol é um inibidor do CYP2C9 e do CYP3A4, enzimas que metabolizam a glibenclamida (sulfonilureia); no estudo farmacocinético do rótulo do fluconazol com 20 voluntários, a AUC e a Cmax da glibenclamida (5 mg em dose única) aumentaram significativamente após a administração de fluconazol — AUC +44% ± 29% e Cmax +19% ± 19% — e 5 dos 20 voluntários precisaram de glucose oral após a toma de glibenclamida aos 7 dias de fluconazol. Nos três estudos com sulfonilureias (tolbutamida, glipizida, glibenclamida), 47,8% dos doentes tratados com fluconazol tiveram sintomas compatíveis com hipoglicemia. O rótulo recomenda monitorizar cuidadosamente a glicemia e ajustar a dose da sulfonilureia conforme necessário. Na prática, avisar o doente para os sinais de hipoglicemia (sudorese, tremor, palpitações, confusão) e considerar reduzir a dose da glibenclamida ou preferir uma sulfonilureia menos dependente do CYP2C9 enquanto durar o antifúngico.
Fluconazol + glibenclamida: o fluconazol inibe o CYP2C9 e aumenta os níveis da glibenclamida (AUC +44%), com risco de hipoglicemia. Monitorizar glicemia e ajustar a dose da sulfonilureia.
Inibição do CYP2C9 pelo fluconazol, reduzindo o metabolismo da glibenclamida e aumentando as suas concentrações.
Glicemia capilar, sintomas de hipoglicemia (tremor, sudorese, confusão).
Hipoglicemia grave (perda de consciência, convulsões).
Monitorizar a glicemia de forma mais frequente; pode ser necessário reduzir a dose da sulfonilureia.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Fluconazol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=7961c029-746c-48c3-888b-8f8344102873 ; rótulo aprovado Glibenclamida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=524eec41-37ee-419a-b7a1-d23e888ae6ab — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A hipoglicemia é mais provável quando o álcool é ingerido (especialmente com jejum ou exercício intenso); o álcool também pode mascarar os sinais de alerta.
Evitar o consumo de álcool, sobretudo em jejum; vigiar a glicemia após ingestão.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Glibenclamida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=524eec41-37ee-419a-b7a1-d23e888ae6ab
A insuficiência renal eleva os níveis de glibenclamida e aumenta o risco de hipoglicemia grave; a hipoglicemia pode ser difícil de reconhecer.
Usar com precaução na insuficiência renal, iniciando com dose baixa e monitorizando a glicemia; considerar insulina na insuficiência renal significativa.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Glibenclamida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=524eec41-37ee-419a-b7a1-d23e888ae6ab
A insuficiência hepática eleva os níveis de glibenclamida e reduz a capacidade de gluconeogénese, aumentando o risco de hipoglicemia grave.
Usar com precaução na insuficiência hepática; monitorizar glicemia e considerar insulina na doença hepática significativa.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Glibenclamida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=524eec41-37ee-419a-b7a1-d23e888ae6ab
O tratamento de doentes com défice de G6PD com sulfonilureias pode levar a anemia hemolítica.
Considerar uma alternativa não sulfonilureia em doentes com défice de G6PD; vigiar sinais de hemólise.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Glibenclamida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=524eec41-37ee-419a-b7a1-d23e888ae6ab
As sulfonilureias atravessam a placenta; a insulina é o fármaco de primeira linha na gravidez, mas a glibenclamida tem sido usada em alguns protocolos com monitorização.
Preferir insulina; se a glibenclamida for mantida (protocolos selecionados), monitorizar a glicemia materna e o crescimento fetal.
Há risco de hipoglicemia no lactente; usar com precaução na amamentação e monitorizar o lactente.
Sem dados específicos; planeamento da gravidez com transição para insulina conforme orientação.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Glibenclamida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=524eec41-37ee-419a-b7a1-d23e888ae6ab
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Sulfonilureia que reduz a glicemia de forma aguda ao estimular a libertação de insulina do pâncreas, dependente de células beta funcionais. O efeito hipoglicemiante persiste 24 horas após uma dose matinal em doentes diabéticos. Produz também uma diurese ligeira por aumento da depuração renal de água livre.
Estimula a libertação de insulina das células beta pancreáticas (dependente de células beta funcionais); podem estar envolvidos efeitos extrapancreáticos. A combinação com metformina tem efeito sinérgico por mecanismos diferentes mas complementares.
Absorção significativa na primeira hora após a toma, pico de concentração plasmática cerca de 4 horas e níveis baixos mas detetáveis às 24 horas. As sulfonilureias ligam-se extensamente às proteínas séricas; a ligação da glibenclamida é predominantemente não iónica.
O principal metabolito é o derivado 4-trans-hidroxi e existe um segundo, o 3-cis-hidroxi, ambos com atividade hipoglicemiante fraca. A glibenclamida é excretada como metabolitos na bílis e na urina, aproximadamente 50% por cada via — padrão diferente das outras sulfonilureias, eliminadas sobretudo na urina.
O decréscimo da glibenclamida no soro é bifásico, com semivida terminal de cerca de 10 horas.
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.