A azatioprina é um medicamento que modera o sistema imunitário (imunossupressor). É usada para prevenir a rejeição de órgãos transplantados e para tratar doenças autoimunes, como artrite reumatoide, lúpus ou doença inflamatória intestinal. O efeito demora semanas a meses a aparecer e exige vigilância regular de análises.
Também conhecido como: Imuran
A mesalazina pode potenciar a mielossupressão da azatioprina (inibição da TPMT).
O rótulo da mesalazina documenta a associação com "Azatioprina ou 6-Mercaptopurina: risco aumentado de discrasias sanguíneas; monitorizar hemograma completo e contagem de plaquetas" (secção 7.2). O mecanismo é a inibição da tiopurina metiltransferase (TPMT) pelos aminosalicilatos (mesalazina e sulfassalazina), que reduz a metilação inativadora da 6-mercaptopurina (metabolito ativo da azatioprina) e desvia o metabolismo para a via da 6-tioguanina — mais mielotóxica. Esta interação é bem conhecida na prática gastroenterológica (doença inflamatória intestinal), onde azatioprina e mesalazina são frequentemente coadministradas. Reduzir a dose de azatioprina em 25–50% e monitorizar hemograma semanalmente durante o primeiro mês, depois mensalmente; vigiar leucopenia, trombocitopenia e sintomas infecciosos.
Azatioprina + mesalazina: a mesalazina inibe a TPMT e aumenta os níveis de 6-tioguanina ativa — mielotoxicidade aditiva. Monitorizar hemograma.
A mesalazina inibe a tiopurina metiltransferase (TPMT), aumentando os níveis de 6-tioguanina ativa.
Hemograma completo periódico, sobretudo nas primeiras semanas.
Leucopenia, trombocitopenia, infeções graves.
Monitorizar o hemograma com regularidade; vigiar sinais de infeção e equimoses.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Mesalazina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=47b5d1ee-b439-4ccb-9b01-c0875ccd748a ; rótulo aprovado Azatioprina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5116b22b-1460-5535-e063-6394a90acbe5 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A sulfassalazina, como a mesalazina, pode inibir a TPMT e aumentar a toxicidade da azatioprina.
A sulfassalazina (como a mesalazina, seu metabolito ativo) inibe a TPMT, enzima que inativa a 6-mercaptopurina — o metabolito ativo da azatioprina. A inibição da TPMT desvia o metabolismo para a produção de 6-tioguanina, aumentando o risco de mielossupressão (leucopenia, trombocitopenia, anemia). Esta interação é clássica na doença inflamatória intestinal (DII), onde a azatioprina é imunomoduladora e a sulfassalazina é anti-inflamatória — ambas usadas em simultâneo na DII moderada a grave. O rótulo da sulfassalazina não menciona diretamente a azatioprina, mas o mecanismo TPMT está estabelecido na literatura e documentado no rótulo da azatioprina (metabolismo via TPMT). Monitorizar hemograma semanalmente no primeiro mês, depois mensalmente; reduzir a dose de azatioprina em 25–50% ao iniciar o aminosalicilato; vigiar sinais de infeção e anemia.
Azatioprina + sulfassalazina: inibição da TPMT pela sulfassalazina — risco de mielotoxicidade aditiva. Monitorizar hemograma e reduzir dose de azatioprina.
Inibição da TPMT pela sulfassalazina com aumento dos metabolitos ativos da azatioprina.
Hemograma periódico.
Mielossupressão.
Monitorizar hemograma e dose de azatioprina.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Sulfassalazina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=d967092f-9685-446b-b7b8-17821e29417b ; rótulo aprovado Azatioprina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5116b22b-1460-5535-e063-6394a90acbe5 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Mielossupressão grave. O Alopurinol inibe o metabolismo da Azatioprina, com risco de leucopenia grave e infeções.
A azatioprina é um pró-fármaco inativo convertido em 6-mercaptopurina, que é depois metabolizada pela xantina oxidase em ácido tioúrico inativo. O alopurinol inibe a xantina oxidase e desvia o metabolismo para os nucleótidos 6-tioguanina citotóxicos: a consequência é a acumulação de metabolitos ativos com mielossupressão grave, por vezes fatal. O rótulo aprovado da azatioprina recomenda reduzir a dose para um quarto da habitual quando se associa alopurinol. Monitorizar o hemograma com frequência (nas primeiras semanas, semanalmente) e ajustar a dose com base nos neutrófilos e plaquetas; vigiar também função hepática.
Inibidor da xantina oxidase + azatioprina: o alopurinol bloqueia o metabolismo da azatioprina e eleva muito os seus níveis, com risco de mielossupressão grave e infeções. Se inevitável, reduzir a azatioprina para cerca de 25% da dose e monitorizar o hemograma.
A xantina oxidase (inibida pelo Alopurinol) é responsável pela inativação do metabolito ativo 6-mercaptopurina.
Hemograma completo a cada 1–2 semanas no início da associação.
Febre, infeções recorrentes, faringite, equimoses espontâneas.
Reduzir a dose de Azatioprina para cerca de 25% da habitual e monitorizar o hemograma.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Alopurinol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=b6c5b5c0-b1cb-44c0-a849-5d317e6fa300 ; rótulo aprovado Azatioprina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5116b22b-1460-5535-e063-6394a90acbe5
Inibidor da xantina-oxidase + azatioprina: risco de mielossupressão grave e potencialmente fatal.
Tal como o alopurinol, o febuxostat inibe a xantina oxidase e bloqueia a inativação da 6-mercaptopurina derivada da azatioprina, aumentando de forma acentuada os metabolitos citotóxicos 6-tioguanina — o rótulo aprovado do febuxostat contraindica formalmente a coadministração com azatioprina ou mercaptopurina pelo risco de mielossupressão grave e potencialmente fatal. Não existe dose segura documentada; se a terapêutica com azatioprina for indispensável, deve escolher-se outro hipouricemiante e, na impossibilidade, discutir redução marcada da dose de azatioprina com monitorização hematológica muito apertada.
Inibidor da xantina oxidase + azatioprina: risco de mielossupressão grave e potencialmente fatal. O febuxostat está contraindicado com a azatioprina — não associar; escolher alternativa hipouricemiante.
O febuxostat (como o alopurinol) inibe a xantina-oxidase, enzima que degrada o 6-mercaptopurina ativo da azatioprina; os níveis sobem de forma acentuada.
Hemograma semanal nas primeiras semanas de associação.
Febre, infeções graves, pancitopenia, hemorragia.
Associação contraindicada. Reduzir a dose de azatioprina em cerca de 75% apenas se for clinicamente imprescindível e com monitorização apertada de hemograma.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Azatioprina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5116b22b-1460-5535-e063-6394a90acbe5 ; rótulo aprovado Febuxostat: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=f2c338dc-5bab-49f4-a4ac-d8dea8afeea5 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A toma com alimentos reduz as náuseas.
Tomar com alimentos para melhorar a tolerância.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Azatioprina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/14296/smpc
A azatioprina pode causar hepatotoxicidade.
Monitorizar função hepática na terapêutica.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Azatioprina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/14296/smpc
A deficiência de tiopurina-metiltransferase (TPMT) predispõe a mielossupressão grave.
Testar TPMT antes de iniciar; contraindicado se deficiência total.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Azatioprina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/14296/smpc
Usado em situações específicas (transplantes, doenças autoimunes) quando o benefício supera o risco.
Manter apenas sob vigilância especializada; não iniciar sem indicação clara.
Dados limitados; preferir evitar, embora seja por vezes mantido em mães transplantadas.
Planear a gravidez com a equipa médica antes de suspender/continuar.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Azatioprina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/14296/smpc
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Imunossupressor antimetabólito: inibe a síntese de purinas (via 6-tioguanina) e a proliferação de linfócitos, suprimindo as hipersensibilidades de tipo celular e alterando a produção de anticorpos. A magnitude e a duração dos efeitos clínicos correlacionam-se com os níveis de nucleótidos tiopurínicos nos tecidos, não com os níveis plasmáticos.
A azatioprina é um pró-fármaco da 6-mercaptopurina (6-MP). A 6-MP é ativada pela hipoxantina-guanina fosforribosiltransferase (HGPRT) e por cinases em nucleótidos 6-tioguanina (6-TGN), cuja incorporação no ADN é responsável pela citotoxicidade. As vias de inativação principais são a tiol-metilação pela TPMT e a oxidação pela xantina-oxidase.
A azatioprina é bem absorvida após administração oral, com pico de radioatividade sérica 1–2 horas após a dose. A azatioprina e a mercaptopurina ligam-se moderadamente às proteínas séricas (~30%) e são parcialmente dialisáveis.
A azatioprina é bem absorvida; a radioatividade máxima no soro ocorre 1–2 horas após a dose oral. É metabolizada a 6-mercaptopurina e, depois, oxidada ou metilada nos eritrócitos e no fígado — não é detetável na urina após 8 horas. O défice de TPMT ou NUDT15 aumenta muito os níveis de 6-TGN e o risco de mielossupressão.
A radioatividade total (fármaco + metabolitos marcados) decai com uma semivida de ~5 horas — não é a semivida da azatioprina em si, mas a taxa de decaimento de todos os metabolitos contendo 35S. As doses habituais produzem níveis sanguíneos baixos (<1 mcg/mL).
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.