O magnésio é um mineral essencial para o funcionamento dos músculos e dos nervos. O sulfato de magnésio é usado no hospital, por via intravenosa, sobretudo para prevenir e tratar convulsões na pré-eclâmpsia e eclâmpsia (complicações graves da gravidez) e para repor o magnésio quando está baixo.
Também conhecido como: magnésio, magnesium, sulfato de magnésio, Epsom
Salbutamol + magnésio: hipocaliemia aditiva (o β2-agonista baixa o potássio).
Os β2-agonistas, como o salbutamol, ativam a bomba Na⁺/K⁺-ATPase e promovem a entrada de potássio nas células, causando hipocaliemia transitória. O sulfato de magnésio também pode reduzir o potássio sérico e, em concentrações elevadas, deprime a condução neuromuscular e cardíaca. Em conjunto (situação frequente na crise de asma grave, onde ambos se usam), a hipocaliemia pode ser mais acentuada e aumentar o risco de arritmias, sobretudo em doentes com doença cardiovascular ou digitalizados. Recomenda-se monitorizar a potassemia e o ECG durante a perfusão de magnésio em doentes a receber β2-agonistas em doses elevadas, e corrigir a hipocaliemia se necessário.
Salbutamol + magnésio: hipocaliemia aditiva (o β2-agonista baixa o potássio). Monitorizar a potassemia e o ECG.
Os β2-agonistas causam entrada de K+ na célula; a associação com magnésio pode acentuar a hipocaliemia, sobretudo em doses elevadas.
Potássio sérico.
Fraqueza, cãibras, arritmias.
Monitorizar o potássio em doses elevadas ou uso prolongado.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Salbutamol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=3236f82c-14e9-dfd4-e063-6294a90ac43d ; rótulo aprovado Sulfato de magnésio: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=a5a9f565-639c-4b22-b9e5-718bac7cfcf3 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Ciprofloxacina + magnésio: quelação que reduz a absorção da fluoroquinolona.
O magnésio, catião divalente, forma quelatos insolúveis com as fluoroquinolonas no trato gastrointestinal, reduzindo a biodisponibilidade oral da ciprofloxacina e o risco de falência terapêutica em infeções graves. O rótulo da ciprofloxacina recomenda administrar o antibiótico 2 horas antes ou 6 horas depois de antiácidos ou suplementos contendo magnésio (incluindo laxantes com magnésio). Em doentes hospitalizados a receber sulfato de magnésio oral ou entérico e ciprofloxacina, verificar os horários de administração de ambos para garantir a eficácia do antibacteriano.
Magnésio + ciprofloxacina: quelação com redução da absorção. Separar por 2–6 h.
Os catiões magnésio formam quelatos com a ciprofloxacina no intestino.
Resposta clínica à antibioterapia.
Falência da terapêutica.
Separar as tomas por pelo menos 2 horas (via oral).
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Ciprofloxacina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=c527d138-e32c-418f-9573-a3d8a796279f ; rótulo aprovado Sulfato de magnésio: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=a5a9f565-639c-4b22-b9e5-718bac7cfcf3 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Furosemida + magnésio: a furosemida aumenta a perda renal de magnésio.
Os diuréticos de ansa (furosemida) aumentam a excreção renal de magnésio (e de potássio), podendo causar hipomagnesemia em doentes em tratamento prolongado ou com doses elevadas. A hipomagnesemia é clinicamente relevante por si (fraqueza, tetania, arritmias) e por potenciar a toxicidade digitálica e a hipocaliemia. Em doentes a receber sulfato de magnésio (perfusão ou reposição oral) com furosemida, monitorizar a magnesemia e a potassemia, corrigir os défices e reavaliar periodicamente a necessidade do diurético e da reposição.
Furosemida + magnésio: a furosemida aumenta a perda renal de magnésio — risco de hipomagnesemia.
Os diuréticos de ansa aumentam a excreção urinária de magnésio; a suplementação corrige o défice, mas exige monitorização.
Magnésio sérico e função renal.
Fraqueza, cãibras, arritmias.
Monitorizar magnésio sérico durante a suplementação em doentes a diuréticos.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Furosemida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=6d9caaab-d874-4cf1-b9fe-408452a18998 ; rótulo aprovado Sulfato de magnésio: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=a5a9f565-639c-4b22-b9e5-718bac7cfcf3 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Digoxina + magnésio: desequilíbrio eletrolítico com risco de arritmias.
A toxicidade digitálica é potenciada pela hipomagnesemia (e hipocaliemia); inversamente, a hipermagnesemia — que pode ocorrer com perfusão rápida ou insuficiência renal — deprime a condução cardíaca e pode agravar o bloqueio atrioventricular em doentes com digoxina. Em doentes digitalizados, manter a magnesemia e a potassemia em valores normais, corrigir défices (o magnésio é mesmo usado no tratamento da toxicidade digitálica com hipomagnesemia) e, se for administrado magnésio IV, infundir lentamente com monitorização do ECG e da função renal.
Digoxina + magnésio: desequilíbrio eletrolítico (hipomagnesemia/hipermagnesemia) com risco de arritmias.
A hipomagnesiemia aumenta a toxicidade digitálica; o sulfato de magnésio intravenoso é usado na toxicidade, mas exige monitorização cardíaca.
Magnésio sérico e eletrocardiograma.
Arritmias, fraqueza, tetania.
Monitorizar magnésio, potássio e ritmo cardíaco.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Digoxina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=e61d2108-d871-44c0-b12a-2e61fbb56967 ; rótulo aprovado Sulfato de magnésio: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=a5a9f565-639c-4b22-b9e5-718bac7cfcf3 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Aminoglicosídeo + magnésio: risco de bloqueio neuromuscular e nefrotoxicidade aditiva.
Os aminoglicosídeos (gentamicina) podem causar bloqueio neuromuscular, sobretudo em doentes com miastenia gravis, botulismo ou hipocalcemia; o magnésio em concentrações elevadas também deprime a transmissão neuromuscular. Em conjunto, o risco de fraqueza muscular e depressão respiratória aumenta. Além disso, ambos podem lesar o rim: a nefrotoxicidade é aditiva, e a função renal comprometida reduz a depuração de ambos, elevando ainda mais os níveis. Em doentes a receber gentamicina e sulfato de magnésio IV (ex.: pré-eclâmpsia com infeção), monitorizar a função renal, a magnesemia e os níveis do aminoglicosídeo, e vigiar a força muscular e a ventilação.
Aminoglicosídeo + magnésio: risco de bloqueio neuromuscular e nefrotoxicidade aditiva.
O sulfato de magnésio pode potenciar o bloqueio neuromuscular dos aminoglicosídeos; ambos podem afetar a função renal.
Função renal, magnésio, sinais neurológicos.
Fraqueza, depressão respiratória, aumento da creatinina.
Monitorizar função renal e sinais de fraqueza muscular durante a administração conjunta.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Gentamicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=977180b3-a222-4282-d485-4a3217674305 ; rótulo aprovado Sulfato de magnésio: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=a5a9f565-639c-4b22-b9e5-718bac7cfcf3 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
O consumo crónico de álcool aumenta a perda renal de magnésio.
Moderar o consumo de álcool durante a suplementação de magnésio.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Sulfato de magnésio: https://www.medicines.org.uk/emc/product/10502/smpc
O magnésio pode agravar a fraqueza neuromuscular na miastenia.
Usar com precaução, sobretudo por via intravenosa, e vigiar a força muscular.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Sulfato de magnésio: https://www.medicines.org.uk/emc/product/10502/smpc
O magnésio acumula-se na insuficiência renal, com risco de hipermagnesiemia.
Usar com precaução e monitorizar o magnésio sérico.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Sulfato de magnésio: https://www.medicines.org.uk/emc/product/10502/smpc
O sulfato de magnésio é usado na gravidez (pré-eclâmpsia/eclâmpsia) apenas sob vigilância clínica.
Usar apenas sob indicação e monitorização hospitalar.
Dados limitados na amamentação; usar com precaução.
Sem contraceção adicional específica.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Sulfato de magnésio: https://www.medicines.org.uk/emc/product/10502/smpc
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
O magnésio é cofator de reações enzimáticas e importante na transmissão neuroquímica e na excitabilidade muscular. O efeito anticonvulsivante e tocolítico depende da concentração plasmática; a monitorização clínica (reflexos, frequência respiratória) é essencial durante a perfusão.
O ião magnésio (Mg²⁺) reduz a libertação de acetilcolina na junção neuromuscular e antagoniza o recetor NMDA, reduzindo a excitabilidade neuronal e a contratilidade muscular — mecanismo do efeito anticonvulsivante (eclâmpsia) e tocolítico. Em doses elevadas deprime o SNC e o sistema cardiovascular.
Após administração intravenosa, o magnésio é imediatamente absorvido (biodisponibilidade completa). Cerca de 1–2% do magnésio corporal total está no líquido extracelular; liga-se 30% à albumina.
O magnésio não é metabolizado; é excretado exclusivamente pelo rim, a uma taxa proporcional à concentração sérica e à filtração glomerular. Na insuficiência renal a dose deve ser reduzida.
A meia-vida sérica é de cerca de 4 horas após infusão; a eliminação renal ajusta-se rapidamente. Em doentes com função renal normal, o excesso é excretado em horas.
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.