A isoniazida é um antibiótico usado no tratamento e na prevenção da tuberculose, sempre em associação com outros fármacos. É eficaz, mas pode afetar o fígado e os nervos — exige vigilância e suplementação de vitamina B6.
Também conhecido como: INH, Isoniazid
A Isoniazida inibe o metabolismo da Carbamazepina e pode elevar os seus níveis — risco de toxicidade.
A isoniazida inibe as enzimas que metabolizam a carbamazepina (CYP2C19/CYP3A4) e pode aumentar as suas concentrações até níveis tóxicos (nistagmo, ataxia, sedação); em doentes tuberculosos, o efeito pode ser clinicamente relevante nas primeiras semanas. Além disso, ambos os fármacos são hepatotóxicos, com risco aditivo de lesão hepática. Recomenda-se vigiar os níveis de carbamazepina e reduzir a dose se necessário, monitorizar transaminases e estar atento a sintomas de intoxicação.
Isoniazida + carbamazepina: a isoniazida inibe o metabolismo da carbamazepina e eleva os seus níveis; ambas são hepatotóxicas. Vigiar níveis e função hepática.
Inibição do CYP2C19/3A4 e possível inibição da epóxido hidrolase.
Níveis de carbamazepina, sinais neurológicos.
Nistagmo, ataxia, sonolência, diplopia.
Monitorizar níveis de carbamazepina e sinais de toxicidade.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Isoniazida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=93252cc8-c8d4-401b-bde5-ca8a3b57651e ; rótulo aprovado Carbamazepina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f3d91cd-a959-4e07-a51b-8a4e9ba9ece2
A Isoniazida (indutora do CYP2E1) aumenta a formação do metabólito tóxico do Paracetamol — maior risco de hepatotoxicidade, sobretudo em doses altas ou com álcool.
O rótulo da isoniazida documenta um relato de hepatotoxicidade grave por paracetamol num doente a tomar isoniazida e propõe a base molecular: "a isoniazida induz o P-450IIE1, uma enzima oxidase de função mista que parece gerar os metabolitos tóxicos no fígado", fazendo com que uma maior proporção do paracetamol ingerido seja convertida no metabolito tóxico (NAPQI); estudos em ratos demonstraram que o pré-tratamento com isoniazida potencia a hepatotoxicidade do paracetamol. A associação é muito comum (a isoniazida é usada em tuberculose e o paracetamol é o analgésico/antipirético de primeira linha), e o risco é sobretudo de hepatotoxicidade aditiva em doentes com doença hepática, alcoólicos ou com doses altas/prolongadas de paracetamol. Recomendações: usar a dose eficaz mais baixa de paracetamol, evitar o álcool, vigiar transaminases nos doentes de risco e estar atento a sinais de lesão hepática (náuseas, anorexia, icterícia, dor no hipocôndrio direito).
Isoniazida + paracetamol: a isoniazida induz o CYP2E1 e aumenta os metabolitos tóxicos do paracetamol. Vigiar função hepática e evitar sobredosagem.
Indução do CYP2E1 com produção aumentada de NAPQI (metabólito hepatotóxico).
Função hepática (ALT/AST) em doentes de risco; sinais de hepatite.
Icterícia, náuseas, dor no hipocôndrio direito.
Limitar a dose de paracetamol (2 a 3 g por dia) e evitar álcool durante o tratamento.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Isoniazida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=93252cc8-c8d4-401b-bde5-ca8a3b57651e ; rótulo aprovado Paracetamol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=bf001b70-6164-1ec9-e053-2a95a90a1274
A Isoniazida com Tramadol aumenta o risco serotoninérgico e pode baixar o limiar convulsivo.
A isoniazida tem alguma atividade inibidora da monoamina oxidase (o rótulo da isoniazida indica que tem atividade inibidora da MAO, com interação com alimentos ricos em tiramina), e o tramadol é um inibidor fraco da recaptação de serotonina e noradrenalina; em conjunto, a associação pode aumentar o risco de síndrome serotoninérgica, potencialmente fatal. O rótulo do tramadol alerta para a síndrome serotoninérgica com fármacos serotonérgicos e com fármacos que prejudicam o metabolismo da serotonina ou do tramadol (como os inibidores da MAO). Vigiar sintomas de serotonina (agitação, taquicardia, hipertermia, hiperreflexia, mioclonias, rigidez), sobretudo no início do tratamento, e considerar alternativas se necessário.
Isoniazida + tramadol: risco de síndrome serotoninérgica (a isoniazida tem atividade inibidora da MAO). Vigiar sintomas.
Efeito MAO fraco da isoniazida e efeitos serotoninérgicos e convulsivos do tramadol.
Sinais serotoninergicos e neurologicos.
Confusao, tremor, convulsoes, hipertermia.
Evitar se possivel; se usados, vigiar sinais de serotonina e convulsoes.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Isoniazida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=93252cc8-c8d4-401b-bde5-ca8a3b57651e ; rótulo aprovado Tramadol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=552955e6-2bb3-8755-e063-6394a90ab21c
A Isoniazida tem um efeito inibidor fraco da monoaminoxidase; com ISRS (Sertralina) pode aumentar o risco de síndrome serotoninérgica.
A isoniazida tem alguma atividade inibidora da monoamina oxidase (o rótulo da isoniazida indica que tem atividade inibidora da MAO, com interação com alimentos ricos em tiramina), e os ISRS como a sertralina aumentam a disponibilidade de serotonina; em conjunto, a associação pode aumentar o risco de síndrome serotoninérgica. O rótulo da sertralina alerta para o risco aumentado com fármacos serotonérgicos e com fármacos que prejudicam o metabolismo da serotonina (como os inibidores da MAO). Vigiar sintomas de serotonina (agitação, taquicardia, hipertermia, hiperreflexia, mioclonias, rigidez), sobretudo no início do tratamento ou em aumentos de dose, e considerar alternativas se necessário.
Isoniazida + sertralina: risco de síndrome serotoninérgica (a isoniazida tem atividade inibidora da MAO). Vigiar sintomas.
Inibição fraca da MAO pela isoniazida e inibição da recaptação da serotonina.
Sinais de síndrome serotoninérgica.
Agitação, tremor, hipertermia, rigidez, diarreia.
Vigiar sinais serotoninérgicos; usar com precaução.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Isoniazida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=93252cc8-c8d4-401b-bde5-ca8a3b57651e ; rótulo aprovado Sertralina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=61835f25-bfe4-49ac-9dbf-3d6387866e78
Risco semelhante ao de outros ISRS: a Isoniazida com Fluoxetina pode precipitar síndrome serotoninérgia.
A isoniazida tem alguma atividade inibidora da monoamina oxidase (o rótulo refere que "a isoniazida tem alguma atividade inibidora da MAO", com interação com alimentos ricos em tiramina, e alerta para o risco de interação com inibidores da MAO), e a fluoxetina é um inibidor seletivo da recaptação da serotonina (ISRS) cujo rótulo contraindica a associação com inibidores da MAO "porque há um risco aumentado de síndrome serotoninérgica". A associação de um ISRS com um fármaco com atividade MAO pode causar síndrome serotoninérgica (agitação, confusão, hipertermia, hiperreflexia, mioclonias, diaforese, taquicardia) ou crise hipertensiva. Evitar sempre que possível; se a associação for inevitável (ex.: tuberculose em doente com depressão), usar a dose eficaz mais baixa, vigiar ativamente os sinais de serotonina e de toxicidade neurológica e instruir o doente a procurar ajuda imediata perante agitação, febre ou rigidez.
Isoniazida + fluoxetina: a isoniazida tem atividade inibidora da MAO — risco de síndrome serotoninérgica com o ISRS. Vigiar sintomas.
Efeito MAO fraco da isoniazida e inibição da recaptação da serotonina, com meia-vida longa da fluoxetina.
Sinais de síndrome serotoninérgica.
Agitação, confusão, tremor, hipertermia.
Vigiar sinais serotoninérgicos; informar o doente.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Isoniazida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=93252cc8-c8d4-401b-bde5-ca8a3b57651e ; rótulo aprovado Fluoxetina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=09fb3100-1e06-4cdc-8016-7e4f5d097490
A associação de Fenitoína com Isoniazida aumenta os níveis séricos de Fenitoína, com risco de toxicidade, sobretudo nos acetiladores lentos.
A isoniazida interfere com o metabolismo da fenitoína (inibição das enzimas que a metabolizam, nomeadamente o CYP2C19), e o rótulo da isoniazida refere explicitamente que "a isoniazida pode aumentar os níveis séricos de fenitoína" e que, "para evitar a intoxicação por fenitoína, deve ser feito o ajuste adequado do anticonvulsivante"; o rótulo repete a precaução na secção de sobredosagem ("a fenitoína deve ser usada com precaução, porque a isoniazida interfere com o metabolismo da fenitoína"). A fenitoína tem cinética não linear e janela terapêutica estreita: o aumento dos níveis pode causar nistagmo, ataxia, disartria, sonolência e, em casos graves, convulsões ou coma. Quando a associação é necessária (ex.: tuberculose em doente epilético), monitorizar os níveis séricos de fenitoína e os sinais clínicos de toxicidade no início e sempre que a dose de isoniazida mudar, ajustando a dose do anticonvulsivante; considerar a monitorização das transaminases, dado que ambos os fármacos são hepatotóxicos.
Isoniazida + fenitoína: a isoniazida inibe o metabolismo da fenitoína e aumenta os seus níveis. Monitorizar e ajustar a dose do anticonvulsivante.
A Isoniazida inibe o metabolismo da Fenitoína, elevando as suas concentrações; o risco é maior nos doentes que acetilam lentamente a Isoniazida.
Nistagmo, ataxia, diplopia ou sedação após início da Isoniazida exigem doseamento e ajuste.
Nistagmo, ataxia, diplopia ou sedação exigem doseamento e ajuste da dose.
Monitorizar os níveis e os sinais de toxicidade da Fenitoína; considerar reduzir a dose de Fenitoína quando se institui Isoniazida.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Fenitoína: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=ef4e97a7-cd18-47a9-a016-2eca5481a87e ; rótulo aprovado Isoniazida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=93252cc8-c8d4-401b-bde5-ca8a3b57651e — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A Isoniazida pode potenciar o efeito da Warfarina — aumento do INR e risco hemorrágico.
A isoniazida inibe várias isoenzimas do citocromo P450, incluindo o CYP2C9 e o CYP3A4, e pode reduzir o metabolismo da warfarina, aumentando o INR. O efeito é variável e coexiste com a complexidade dos esquemas antituberculosos (que incluem frequentemente a rifampicina, um indutor potente — a rede de interações é complexa e o INR pode oscilar nos dois sentidos). Recomenda-se monitorizar o INR com frequência ao iniciar, ajustar e suspender cada componente do esquema antituberculoso e ajustar a dose de warfarina conforme o resultado.
A isoniazida pode inibir o metabolismo da warfarina e aumentar o INR. Monitorizar o INR durante o tratamento da tuberculose e ajustar a dose.
Inibição do CYP2C9, principal via de metabolização da Warfarina.
INR, sinais de hemorragia.
Hemorragias, equimoses, fezes escuras.
Monitorizar o INR ao iniciar/parar a isoniazida e ajustar a dose.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Isoniazida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=93252cc8-c8d4-401b-bde5-ca8a3b57651e ; rótulo aprovado Warfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057
A isoniazida inibe a monoamina oxidase de forma ligeira e pode potenciar os efeitos da tiramina (queijo curado, vinho tinto).
Moderar o consumo de queijos curados e vinho tinto durante o tratamento.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Isoniazida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=93252cc8-c8d4-401b-bde5-ca8a3b57651e
O álcool adiciona hepatotoxicidade à da isoniazida e aumenta o risco de lesão hepática grave.
Evitar o consumo de álcool durante o tratamento.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Isoniazida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=93252cc8-c8d4-401b-bde5-ca8a3b57651e
A isoniazida interfere com o metabolismo da vitamina B6 e pode causar neuropatia periférica, sobretudo em doentes de risco.
Suplementar com vitamina B6 (piridoxina) em doentes de risco (diabetes, alcoolismo, gravidez, desnutrição).
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Isoniazida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=93252cc8-c8d4-401b-bde5-ca8a3b57651e
A isoniazida é hepatotóxica e o risco de lesão hepática grave aumenta em doentes com doença hepática prévia.
Vigiar transaminases mensalmente; suspender se houver sintomas de hepatite.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Isoniazida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=93252cc8-c8d4-401b-bde5-ca8a3b57651e
A isoniazida atravessa a placenta; não é teratogénica, mas é hepatotóxica e exige suplementação de vitamina B6 na gravidez.
Usar na tuberculose ativa na gravidez; suplementar piridoxina e vigiar transaminases.
Excretada no leite; compatível com a amamentação sob vigilância.
Sem contraceção adicional específica.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Isoniazida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=93252cc8-c8d4-401b-bde5-ca8a3b57651e
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Antituberculoso bactericida. Produz picos sanguíneos 1 a 2 horas após administração oral, que declinam para 50% ou menos em 6 horas. Difunde-se em todos os fluidos (LCR, pleural, ascítico), tecidos, órgãos e excreções; atravessa a placenta e passa para o leite. 50 a 70% da dose é excretada na urina em 24 horas.
Inibe a síntese de ácidos micólicos, componente essencial da parede celular bacteriana; em níveis terapêuticos é bactericida contra Mycobacterium tuberculosis em crescimento ativo, intracelular e extracelular. A resistência desenvolve-se rapidamente em monoterapia (mutações nos genes katG, inhA, kasA e ahpC).
Rápida e completa absorção gastrointestinal; picos sanguíneos 1 a 2 horas após a toma. A biodisponibilidade é significativamente reduzida quando administrada com alimentos, pelo que deve ser tomada em jejum.
Metabolizada principalmente por acetilação e desidrazinação; a taxa de acetilação é geneticamente determinada (cerca de 50% dos negros e caucasianos são inativadores lentos; a maioria dos esquimós e orientais são inativadores rápidos). A acetilação lenta pode levar a níveis sanguíneos mais altos e a mais reações tóxicas, incluindo neuropatia periférica.
Os picos sanguíneos declinam para 50% ou menos em 6 horas; a semivida é mais longa nos inativadores lentos (que acumulam mais o fármaco) e na insuficiência hepática. Acompanhar com piridoxina (B6) nos doentes em risco de neuropatia (alcoólicos, diabéticos, desnutridos).
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.