Ácido tranexâmico é um medicamento que ajuda a estancar hemorragias: menstruações muito abundantes, hemorragias do parto, traumatismos, cirurgias e hemorragias nasais. Não forma coágulos — só evita que os que se formam se desfiram.
Também conhecido como: Cyklokapron, Exacyl
Rótulo aprovado DailyMed/FDA — Tranexamic Acid Injection: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9d97790f-048b-494d-aa22-5689643a724b — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012): "fibrinolíticos estão contra-indicados em doentes com hemorragias... défices da coagulação, dissecção aórtica"
A associação do Ácido Tranexâmico com Ibuprofeno pode aumentar o risco de eventos trombóticos/complicações hemorrágicas por efeitos hemostáticos combinados.
O ácido tranexâmico é antifibrinolítico; os AINEs alteram a hemostasia e a função plaquetar; a combinação em menorragia é comum mas exige vigilância (ficha Prontuário; EMC).
Sinais trombóticos (dor torácica, edema unilateral) e hemorragia atípica.
Dor torácica súbita, dispneia, TVP, hemorragia prolongada.
Em menorragia a associação é aceite com vigilância; avaliar fatores de risco trombótico antes de combinar; limitar duração.
Prontuário Terapêutico INFARMED (11.ª ed., 2012), ficha ácido tranexâmico (hemostáticos); DailyMed — rótulo Lysteda (tranexamic acid) Tablet: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9d97790f-048b-494d-aa22-5689643a724b
O ácido tranexâmico combinado com enoxaparina aumenta o risco trombótico; avaliar criteriosamente a indicação.
Não existe interação farmacocinética documentada entre o ácido tranexâmico (antifibrinolítico — inibe a dissolução da fibrina pela plasmina) e a enoxaparina (anticoagulante); o problema é a combinação de mecanismos opostos na hemostase: o rótulo do ácido tranexâmico contraindica o fármaco em doentes com doença tromboembólica ativa ou risco intrínseco de trombose, e o da enoxaparina adverte para o risco hemorrágico com fármacos que afetam a hemostase. A associação ocorre em situações de hemorragia aguda em doentes anticoagulados (ex.: trauma, hemorragia major) onde o antifibrinolítico é usado para controlo hemorrágico — decisão clínica de risco/benefício. Durante a associação, vigiar sinais de hemorragia e de trombose (TVP, TEP, oclusão vascular) e monitorizar o hemograma; o ácido tranexâmico deve ser suspenso se surgirem sintomas visuais ou suspeita de oclusão retiniana.
Ácido tranexâmico + enoxaparina: antifibrinolítico + anticoagulante — mecanismos opostos na hemostase. Avaliar risco/benefício e vigiar trombose/hemorragia.
O antifibrinolítico reduz a lise do coágulo enquanto a HBPM acentua a anticoagulação; o balanço é paradoxal e o risco trombótico aditivo em doentes de risco.
Vigiar sinais de TVP, embolia pulmonar e hemorragia.
Dor ou edema de membro, dispneia súbita, hemorragia persistente.
Usar apenas quando a hemorragia supera o risco trombótico; vigiar sinais de trombose.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Ácido tranexâmico: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=4877eacd-fda7-4708-93a5-81052c1d2e14 ; rótulo aprovado Enoxaparina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5017a927-2a24-4f27-89f9-27c805bf7d59 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
O álcool irrita a mucosa gástrica e inibe a agregação plaquetária transitória — soma risco hemorrágico gastrintestinal ao tratamento antifibrinolítico.
Evite o álcool durante o tratamento, sobretudo em doses altas ou uso prolongado.
Prontuário Terapêutico INFARMED, Anexo 6 (álcool — hemorragia GI); ficha do site (R. Adv. GI do tranexâmico).
O ácido tranexâmico pode ser administrado com ou sem alimentos; a toma com alimentos pode reduzir a irritação gastrointestinal.
Pode tomar com ou sem alimentos, de forma consistente.
DailyMed/FDA — Tranexamic Acid Tablets (Northstar Rx): https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=4877eacd-fda7-4708-93a5-81052c1d2e14
O ácido tranexâmico é antifibrinolítico — promove a estabilização do coágulo e está contra-indicado na doença tromboembólica ativa/história recente.
Excluir TVP/EP/trombose arterial ativa antes de iniciar; suspender se sinais de trombose surgirem durante o tratamento.
Prontuário Terapêutico INFARMED, 4.3 Anticoagulantes e antitrombóticos — antifibrinolíticos: contra-indicados em estados pro-trombóticos.
Sem entrada específica no Anexo 1; o ácido tranexâmico atravessa a placenta e está presente no leite. Os rótulos (EMC/Cyklokapron) recomendam não usar na gravidez salvo se claramente necessário — os dados em hemorragia pós-parto (Woman trial) são tranquilizadores quanto a desfechos fetais. Não deve usar-se em hematuria por risco de trombose do trato urinário.
Usar apenas se claramente necessário (hemorragia grave); o uso no PPH é benefício estabelecido — a exposição fetal nesse contexto é irrelevante (feto já nascido).
Presente no leite em pequenas quantidades; a dose pediátrica equivalente é baixa — compatível com vigilância (EMC: "tranexamic acid is present in milk at about 1/100th of maternal serum levels").
Em idade fértil, documentar a decisão de tratar.
EMC-UK (MHRA) — SmPC Tranexamic Acid (Cyklokapron): https://www.medicines.org.uk/emc/product/2168/smpc (secção 4.6). WOMAN trial (Lancet 2017).
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Bloqueio da fibrinólise: estancamento da hemorragia sem ativação generalizada da coagulação; ↓ mortalidade no trauma se < 3 h.
Análogo da lisina: liga-se ao domínio kringle-1/4 do plasminogénio, impedindo a sua ligação à fibrina e conversão a plasmina; inibe também a atividade da plasmina já formada.
Oral: 30–50% (saturável em dose alta); IV: 100%; volume de distribuição limitado (~ 9–12 L).
Minimamente metabolizado (< 5%); excreção renal inalterada (ajustar na insuficiência renal).
~ 2–3 h (IV); efeito antifibrinolítico mais longo.
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.