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Antídoto quelante (metais pesados) / agente antirreumático
A penicilamina é um quelante oral usado na doença de Wilson (excesso de cobre), na cistinúria (pedras de cistina) e na artrite reumatóide grave não responsiva à terapêutica convencional. Liga-se aos metais (cobre, ferro, zinco) e à cistina, promovendo a sua eliminação. É um fármaco de vigilância apertada: requer monitorização regular (hemograma, urina, função renal) e nunca deve ser usado na gravidez, exceto em casos muito específicos.
Também conhecido como: Penicilamina, Cuprimine
Penicilamina + antiácidos: os antiácidos reduzem a absorção da penicilamina — separar a toma.
O rótulo FDA da penicilamina é explícito: "Food, antacids, and iron reduce absorption of the drug", e o Prontuário Terapêutico regista "Antiácidos (reduzem a absorção)". Os catiões divalentes e trivalentes dos antiácidos (alumínio, magnésio) formam quelatos com a penicilamina no trato gastrointestinal, reduzindo a biodisponibilidade oral do quelante — um efeito com consequências diretas na eficácia do tratamento da intoxicação por metais pesados, da doença de Wilson e da artrite reumatóide. A orientação prática é separar a toma: administrar a penicilamina em jejum (1 hora antes ou 2 horas depois das refeições) e afastar os antiácidos por pelo menos 2 horas. Nos doentes com doença de Wilson em que o controlo da cuprúria é o marcador de eficácia, a toma simultânea pode levar a falsa falta de resposta.
Penicilamina + antiácidos: os catiões dos antiácidos quelam a penicilamina e reduzem a sua absorção — separar a toma por pelo menos 2 horas.
O rótulo FDA da penicilamina documenta: "Food, antacids, and iron reduce absorption of the drug", e o prontuário regista "Antiácidos (reduzem a absorção)". Os catiões (alumínio, magnésio) dos antiácidos quelam a penicilamina no trato gastrointestinal, reduzindo a sua biodisponibilidade e a eficácia do tratamento (intoxicação por metais, doença de Wilson, artrite reumatóide).
Avaliação da resposta clínica ao tratamento (ex.: cuprúria na doença de Wilson) durante a associação.
Falta de resposta terapêutica ou reaparecimento de sintomas na toma conjunta com antiácidos.
Administrar a penicilamina em jejum, 1 hora antes ou 2 horas depois das refeições, e separar dos antiácidos por pelo menos 2 horas.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Penicilamina (CUPRIMINE): https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=80e736d3-2017-4d68-94b4-38255c3c59c6 ; rótulo aprovado Antiácidos: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=0a13ac81-0c63-48c1-bbb0-f6e67f97b896 ; Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012) — Penicilamina, 17
Penicilamina + ferro: o ferro reduz a absorção da penicilamina — separar a toma.
O rótulo FDA documenta que o ferro reduz a absorção da penicilamina ("Food, antacids, and iron reduce absorption of the drug") e o Prontuário Terapêutico regista "Sulfato ferroso (reduz as suas concentrações séricas)". O ferro forma quelatos com a penicilamina no trato gastrointestinal, reduzindo a biodisponibilidade do quelante e, em sentido inverso, o tratamento prolongado com penicilamina pode agravar défices de ferro (perdas urinárias do metal e interferência na absorção). A interação é relevante nos doentes em tratamento quelante que também necessitam de suplementação de ferro — comum na doença de Wilson com anemia associada e em intoxicações crónicas. A orientação prática é separar a toma por pelo menos 2 horas e administrar a penicilamina em jejum, vigiando a resposta clínica ao tratamento.
Penicilamina + ferro: o ferro quelata a penicilamina e reduz a sua absorção — separar a toma por pelo menos 2 horas.
O rótulo FDA documenta que o ferro reduz a absorção da penicilamina ("Food, antacids, and iron reduce absorption of the drug") e o prontuário regista "Sulfato ferroso (reduz as suas concentrações séricas)". O ferro quelata a penicilamina no trato gastrointestinal; a associação pode reduzir a eficácia do quelante e, em sentido inverso, a penicilamina pode agravar défices de ferro.
Vigiar a resposta clínica e o hemograma (ferro) durante a associação.
Falta de resposta ao tratamento quelante ou agravamento de anemia ferropriva.
Separar a toma de penicilamina e ferro por pelo menos 2 horas; administrar a penicilamina em jejum.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Penicilamina (CUPRIMINE): https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=80e736d3-2017-4d68-94b4-38255c3c59c6 ; rótulo aprovado Ferro: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=73d1f079-d8eb-44f4-b33d-05fb25b80c8f ; Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012) — Penicilamina, 17
Penicilamina + zinco: o zinco reduz a absorção da penicilamina — separar a toma.
O rótulo FDA da penicilamina inclui o zinco entre os agentes que reduzem a absorção do fármaco (a formulação "antacid, zinc, or iron-containing preparation" confirma o zinco explicitamente). O zinco quelata a penicilamina no trato gastrointestinal, reduzindo a biodisponibilidade oral — um efeito com significado clínico particular na doença de Wilson, onde o zinco é ele próprio usado como terapêutica de manutenção (induz metalotioneína e bloqueia a absorção intestinal do cobre) e a penicilamina como quelante de primeira linha: a toma simultânea compromete ambos os mecanismos. A orientação prática é separar as tomas por pelo menos 2 horas e vigiar a resposta ao tratamento quelante (cuprúria, sintomas neurológicos).
Penicilamina + zinco: o zinco quelata a penicilamina e reduz a sua absorção — separar a toma por pelo menos 2 horas.
O rótulo FDA documenta o zinco entre os agentes que reduzem a absorção da penicilamina ("Food, antacids, and iron reduce absorption of the drug" — a formulação "antacid, zinc, or iron-containing preparation" confirma o zinco). O zinco quelata a penicilamina no trato gastrointestinal, reduzindo a biodisponibilidade; relevante na doença de Wilson (onde o zinco também é usado como terapêutica) e em suplementação.
Vigiar a resposta clínica ao tratamento quelante durante a associação.
Falta de resposta ao tratamento ou interferência na terapêutica da doença de Wilson.
Separar a toma de penicilamina e de preparações com zinco por pelo menos 2 horas.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Penicilamina (CUPRIMINE): https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=80e736d3-2017-4d68-94b4-38255c3c59c6 ; rótulo aprovado Zinco: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=c527d138-e32c-418f-9573-a3d8a796279f
O rótulo FDA documenta: "Food, antacids, and iron reduce absorption of the drug" — a toma com alimentos reduz a absorção da penicilamina (40–70% sem alimentos, com variação interindividual).
Administrar a penicilamina em jejum, 1 hora antes ou 2 horas depois das refeições, e separar dos antiácidos e do ferro por pelo menos 2 horas.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Penicilamina (CUPRIMINE): https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=80e736d3-2017-4d68-94b4-38255c3c59c6
Teratogénica — "Penicillamine can cause fetal harm when administered to a pregnant woman... teratogenic in rats... Skeletal defects, cleft palates, and fetal toxicity (resorptions) have been reported" e cutis laxa congénita em recém-nascidos de mães tratadas. Exceção: doença de Wilson ou cistinúria selecionadas ("Except for the treatment of Wilson's disease or certain patients with cystinuria, use of penicillamine during pregnancy is contraindicated").
Contraindicada na gravidez, exceto doença de Wilson/cistinúria selecionadas; informar a doente do risco, pedir relato imediato de atraso menstrual e seguir de perto para reconhecimento precoce da gravidez.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Penicilamina (CUPRIMINE): https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=80e736d3-2017-4d68-94b4-38255c3c59c6
O rótulo: "Because of its potential for causing renal damage, penicillamine should not be administered to rheumatoid arthritis patients with a history or other evidence of renal insufficiency" — risco de lesão renal adicional e excreção comprometida do fármaco e dos complexos quelados.
Não administrar a doentes com artrite reumatóide com insuficiência renal (história ou evidência); avaliar função renal antes e periodicamente durante o tratamento.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Penicilamina (CUPRIMINE): https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=80e736d3-2017-4d68-94b4-38255c3c59c6
O rótulo: "Patients with a history of penicillamine-related aplastic anemia or agranulocytosis should not be restarted on penicillamine" — reiniciar após anemia aplástica ou agranulocitose relacionada com penicilamina é contraindicado pelo risco de recorrência fatal.
Não reiniciar penicilamina após episódio de anemia aplástica ou agranulocitose relacionada; monitorizar hemograma regularmente durante o tratamento.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Penicilamina (CUPRIMINE): https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=80e736d3-2017-4d68-94b4-38255c3c59c6
Teratogénica — "Penicillamine can cause fetal harm when administered to a pregnant woman" (rótulo): teratogénica em ratos (doses 6× superiores às recomendadas), defeitos esqueléticos, fenda palatina, toxicidade fetal (reabsorções) e cutis laxa congénita com malformações associadas em recém-nascidos de mães tratadas. Exceção: doença de Wilson ou cistinúria selecionadas (rótulo).
Contraindicada na gravidez, exceto doença de Wilson/cistinúria selecionadas; em mulheres em idade fértil, usar apenas quando o benefício esperado supera os riscos.
Mães em terapêutica com penicilamina não devem amamentar ("mothers on therapy with penicillamine should not nurse their infants").
Em mulheres em idade fértil: informar do risco, aconselhar relato imediato de atraso menstrual e considerar teste de gravidez; seguir de perto para reconhecimento precoce.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Penicilamina (CUPRIMINE): https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=80e736d3-2017-4d68-94b4-38255c3c59c6
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Quelante oral que forma complexos solúveis com metais pesados (cobre, chumbo, mercúrio) e com a cistina, aumentando a sua excreção urinária; na artrite reumatóide tem efeito imunomodulador (redução dos reagentes de fase aguda) de mecanismo não totalmente esclarecido.
Quelante ("3-mercapto-D-valine") cujo grupo tiol liga-se a metais divalentes e trivalentes (cobre na doença de Wilson, chumbo/mercúrio nas intoxicações) e à cistina (formando penicilamina-cisteína dissulfureto mais solúvel, "penicillamine-cysteine disulfide"), promovendo a excreção renal. Na artrite reumatóide, modula a resposta imune, reduzindo a atividade da doença.
Absorção rápida mas incompleta (40–70%) do trato gastrointestinal ("absorbed rapidly but incompletely (40-70%) from the gastrointestinal tract"), com grande variação interindividual. O pico plasmático ocorre 1 a 3 horas após a ingestão (~1–2 mg/L após 250 mg orais). Alimentos, antiácidos e ferro reduzem a absorção.
Uma pequena fração da dose é metabolizada no fígado em S-metil-D-penicilamina ("A small fraction of the dose is metabolized in the liver to S-methyl-D-penicillamine"); a excreção é principalmente renal, sobretudo como dissulfuretos. Após paragem do tratamento prolongado, há uma fase de eliminação lenta que dura 4 a 6 dias.
Mais de 80% da penicilamina plasmática liga-se a proteínas ("More than 80% of plasma penicillamine is bound to proteins, especially albumin and ceruloplasmin"); liga-se também a eritrócitos e macrófagos. Não há meia-vida plasmática única — a eliminação é bifásica, com fase terminal lenta de 4 a 6 dias.