A colchicina é um medicamento usado para tratar e prevenir as crises de gota e para tratar a febre familiar do Mediterrâneo. É eficaz, mas tem uma janela terapêutica estreita: a dose excessiva é tóxica. Deve ser usada com muita cautela em pessoas com doença renal ou hepática.
Também conhecido como: colchicine, Yuzu
Colchicina + estatina: risco aumentado de miopatia/rabdomiólise.
Tanto a colchicina como as estatinas podem causar miopatia, e a associação aumenta o risco de rabdomiólise, sobretudo em doentes com insuficiência renal, idosos ou com doses elevadas de colchicina (ex.: crise gotosa aguda em doente medicado com estatina). A colchicina é também substrato do CYP3A4/P-gp, partilhando vias com a atorvastatina. Na prática, usar a menor dose eficaz de colchicina pelo menor tempo, vigiar sintomas musculares e CPK, e considerar suspender temporariamente a estatina durante um ciclo de colchicina em doentes de risco.
Atorvastatina + colchicina: risco aditivo de miopatia/rabdomiólise. Usar com precaução, sobretudo com insuficiência renal.
Efeito aditivo sobre o músculo esquelético, sobretudo em doentes com função renal reduzida.
CPK e função renal em doentes sintomáticos.
Mialgias, fraqueza muscular, urina escura.
Vigiar sintomas musculares; considerar reduzir a dose de colchicina ou suspender a estatina.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Colchicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5ae87893-a065-468e-b8da-f1db86afcaef ; rótulo aprovado Atorvastatina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=fbd1c5da-67fb-4412-acb5-4d4c74a43654 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Colchicina + inibidor potente do CYP3A4/P-gp: risco de toxicidade grave da colchicina.
A colchicina é substrato do CYP3A4 e da glicoproteína P; a claritromicina inibe ambas as vias e pode multiplicar a exposição à colchicina, provocando toxicidade grave: sintomas gastrointestinais intensos, pancitopenia, neuropatia e rabdomiólise, por vezes fatais. O rótulo aprovado da colchicina contraindica a associação com inibidores potentes do CYP3A4/P-gp em doentes com insuficiência renal ou hepática e, nos restantes, exige redução da dose — na prática, a combinação deve ser evitada sempre que possível, escolhendo um antibiótico alternativo (ex.: azitromicina).
A claritromicina (inibidor do CYP3A4 e da P-gp) aumenta muito os níveis de colchicina, com risco de toxicidade grave e potencialmente fatal (diarreia, mielossupressão, rabdomiólise). Não associar; usar alternativa.
A claritromicina inibe o CYP3A4 e a glicoproteína-P, aumentando muito as concentrações de colchicina.
Vigiar sintomas de toxicidade da colchicina (GI, neuromuscular).
Diarreia grave, vómitos, rabdomiólise, pancitopenia, arritmias.
Associação contraindicada; preferir alternativa antibiótica. Se inevitável, reduzir fortemente a dose de colchicina.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Colchicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5ae87893-a065-468e-b8da-f1db86afcaef ; rótulo aprovado Claritromicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=d836ae7e-fdbf-4dcb-a90d-ede1dcbc3e67 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Colchicina + anticoagulante: possível aumento do efeito anticoagulante.
A colchicina é substrato e inibidor do CYP3A4, enzima envolvida no metabolismo da warfarina; a inibição pode reduzir a clearance da warfarina e aumentar o INR. A interação é relevante sobretudo em tratamentos prolongados (ex.: profilaxia da gota, febre mediterrânica familiar), nos quais o efeito se acumula. Recomenda-se monitorizar o INR ao iniciar a colchicina e após ajustes, e vigiar sinais de hemorragia; em doentes com insuficiência renal ou hepática, o risco de toxicidade de ambos os fármacos aumenta.
A colchicina inibe o CYP3A4 e pode aumentar os níveis de warfarina e o INR. Monitorizar o INR ao iniciar e ajustar a dose.
A colchicina pode interferir com o metabolismo/efeito da varfarina, com elevação do INR.
INR periódico durante a associação.
Hemorragia, equimoses espontâneas.
Monitorizar INR após introdução ou alteração de dose de colchicina.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Colchicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5ae87893-a065-468e-b8da-f1db86afcaef ; rótulo aprovado Varfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
O álcool pode aumentar os efeitos gastrointestinais da colchicina.
Limitar o consumo de álcool.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Colchicina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/14362/smpc
A toranja inibe o CYP3A4 e a glicoproteína-P, elevando as concentrações de colchicina.
Evitar sumo de toranja durante o tratamento.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Colchicina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/14362/smpc
A colchicina causa diarreia e pode agravar doença GI inflamatória.
Usar com precaução; vigiar diarreia grave (sinal de toxicidade).
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Colchicina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/14362/smpc
O metabolismo hepático reduzido eleva as concentrações de colchicina.
Contraindicado em insuficiência hepática grave.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Colchicina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/14362/smpc
A colchicina acumula-se em insuficiência renal, com risco de toxicidade grave.
Contraindicado em insuficiência renal grave; ajustar dose na moderada.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Colchicina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/14362/smpc
Dados limitados; doses baixas parecem ter baixo risco, mas a exposição deve ser minimizada.
Usar apenas se claramente necessário e à menor dose, sobretudo no 1.º trimestre.
Dados limitados; preferir evitar durante a amamentação.
Não há recomendação formal de contraceção, mas minimizar a exposição.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Colchicina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/14362/smpc
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Anti-inflamatório que interrompe a cascata inflamatória da crise de gota: liga-se à tubulina e inibe a mitose, a quimiotaxia dos neutrófilos e a adesão dos neutrófilos ao endotélio, bloqueando a libertação de mediadores inflamatórios. Não tem efeito analgésico direto nem reduz o ácido úrico.
A colchicina liga-se à beta-tubulina formando complexos colchicina-tubulina que impedem a polimerização dos microtúbulos. Nos neutrófilos, inibe a quimiotaxia, a adesão e a produção de mediadores inflamatórios (incluindo o inflamassoma NLRP3), o que explica a eficácia na crise de gota e na febre familiar do Mediterrâneo.
A colchicina é absorvida por via oral com Cmax média de 2,5 ng/mL em 1–2 horas (jejum); a biodisponibilidade absoluta é de ~45%. Os alimentos não alteram a velocidade mas diminuem a extensão da absorção em ~15%. O volume de distribuição é de ~5–8 L/kg e a ligação às proteínas séricas é baixa (39 ± 5%).
A colchicina é desmetilada em dois metabolitos principais (2-O-desmetil e 3-O-desmetilcolchicina) e um menor (10-O-desmetil), via CYP3A4 (in vitro em microssomas hepáticos humanos). Os níveis plasmáticos dos metabolitos são mínimos (<5% do fármaco-mãe). É também substrato da glicoproteína-P.
Após doses múltiplas (0,6 mg 2 vezes/dia), a semivida média de eliminação é de 26,6–31,2 horas em adultos jovens saudáveis. 40–65% da dose oral é recuperada inalterada na urina; há recirculação entero-hepática e excreção biliar. Não é removida por hemodiálise.
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.